APOSTILA DE CONHECIMENTOS GERAIS

MERCOSUL

O Mercado Comum do Sul é um bloco regional, com formação sul x sul (pobre x pobre); portanto, a

exemplo das organizações já existentes, como a AALALC-ALADI, MCCA, Pacto Andino, Asean e Caricom, é de

difícil implantação e mais difícil o seu funcionamento, principalmente porque apresentam "economia monótona",

isto é, seus países-membros apresentam os mesmos problemas, como dependência tecnológica, dívidas externa

e interna muito altas, instabilidade política, desigualdades sociais, etc.

Sua criação é resultado de tentativas de sobrevivência num mundo cada vez mais globalizado, onde os

megablocos ameaçam, com as idéias neoliberais de internacionalização da economia, teoria do estado mínimo,

privatização das estatais, o domínio do capital volátil, enfraquecendo os governos locais e forçando a eliminação

das fronteiras econômicas, que consequentemente, podem desestruturar as economias dos países mais

fragilizados; isto é, enxugar os Estados, romper com a estrutura de estado-nação e internacionalizar a economia

dos países do sul. É o choque atual entre globalização e o nacionalismo, defendido por elites locais e/ou

minorias étnicas excluídas do processo.

Etapas de criação/implantação do Mercosul

Com o início da redemocratização da América Latina ou término dos regimes autoritários e esvaziamento

da operação Condor, financiada de acordo com os interesses dos EUA, houve várias tentativas de implantação

das idéias neoliberais no Brasil. Com isso, antes do Plano Real tivemos os Planos Cruzados I e II (Funaro,

Bresser), Plano Collor e o Plano Verão. Mas as variáveis internas impediram que algumas dessas tentativas

chegassem ao neoliberalismo, como aconteceu com o Plano Real.

1°) 1986 - Acordo Bilateral Brasil X Argentina.

• Término da operação Condor; os EUA não apóiam mais os regimes autoritários.

• Redemocratização na América Latina.

* Brasil - Plano Cruzado. Primeiro presidente civil, ainda eleito pelo colégio eleitoral, José Sarney, substitui o último

presidente militar, General João Batista de Figueiredo.

* Argentina - Plano Alfonsin ou Austral. O presidente civil eleito substitui o general Galtieri, responsável pela

Guerra das Malvinas.

Os planos econômicos inicialmente consistiam em congelamento de preços e salários, eliminando o

processo hiperinflacionário e permitindo, após décadas de descontrole, que a população pudesse fiscalizar os

preços de seu consumo diário, surgindo os famosos fiscais do Sarney. Infelizmente, os interesses políticos falaram

mais alto e, logo após as primeiras eleições mais livres no Brasil, surge o Plano Cruzado dois, descongelando os

preços e mantendo congelados os salários, com a conseqüente queda do poder aquisitivo de nossa população.

2°) 1991 -Tratado de Assunção.

- Proposta de criação do Mercosul.

- Proposta de criar urna área de livre trânsito de pessoas, mercadorias, capital e empresas no estilo europeu.

Portanto, não é uma área somente de livre comércio, como o ALCA ou o NAFTA. Mas também ainda não é um

mercado comum, funcionando primeiro como área de livre comércio.

- Países-membros: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

3º°) Dez/94-Reunião de Ouro Preto (MG).

1º de janeiro de 95.

• O Mercosul passa a funcionar como União Aduaneira.

• Adota a TEC -Tarifa Externa Comum para as importações.

* Brasil = Plano Real.

Onde um real é igual ou aproximadamente igual a um dólar, adotando o sistema de banda cambial ou

câmbio fixo-flutuante.

* Argentina = Plano Cavallo (dolarização ou paridade das moedas, um peso = um dólar) ou política de câmbio fixo;

somente a Argentina e Hong-Kong funcionam desta forma tão radical. O Equador o está adotando e El Salvador

está indo pelo mesmo caminho.

Observação: Na prática, a lei da conversibilidade das moedas ou cambial coloca a Argentina na ante-sala da

dolarização. É costume dizer que a moeda argentina ficou virtual (peso.com), pois quem manda é a moeda norteamericana.

Vejamos o exemplo atual - com a crise de janeiro de 1999, o Brasil desvalorizou rapidamente o real, pois

havia adotado o sistema de banda cambial; já a Argentina não pode fazer o mesmo, pois ao adotar o sistema de

paridade com a moeda norte-americana sua população passou a assumir compromissos em dólares; portanto, se

o Governo argentino desvalorizar o peso, haverá uma hipervalorização das dívidas de sua população, podendo

provocar um grau de insatisfação tão intenso que pode desestabilizar o Governo local, e isso iria atingir de

imediato os demais países do Mercosul, podendo provocar novo efeito cascata ou dominó, como os efeitos

Tequila, do México, o efeito Saque, da Ásia ou o efeito Vodka da Rússia; aliás, esse é um dos grandes problemas

da Globalização neoliberal, pois se ocorre uma internacionalização maior das economias, também é verdade que

ocorre uma internacionalização das crises, do desemprego estrutural, da exclusão dos menos preparados, que

poderá fortalecer os defensores do pensamento ultra-nacionalista, isto é, da defesa radical das fronteiras

nacionais, o que não interessa aos atuais países dominadores.

1996 - o Chile pede para entrar como membro efetivo do Mercosul, ao mesmo tempo que está negociando sua

entrada para o NAFTA e a APEC.

4°) 1997 - Reunião de Fortaleza.

- A Bolívia formaliza o pedido de entrada como membro efetivo, irias permanece, a exemplo do Chile, como

“associada” ou "parceira preferencial", até tomar as medidas econômicas necessárias. Conseguem privilégios

criando uma área de livre comércio com a União Aduaneira dos países-membros do Mercosul.

- Surge a idéia da moeda única. Mas com discordâncias entre o Brasil e a Argentina.

Observação: A integração do Mercosul aumentou em mais de 400% o comércio entre os países-membros,

enquanto que, ao mesmo tempo, o aumento do comércio com os EUA não chegou a 25%, o que preocupou a

superpotência.

Dizer que aumentou em mais de 400% o comércio entre os países-membros e associados do Mercosul

não quer dizer que foi superior, em valores, ao aumento de 25% do comércio deste com os EUA.

O Mercosul não representa 2% do comércio mundial.

5°) 13/1/99 -Crise do Real - efeito samba ou cachaça.

- O Brasil abandona a banda cambial, pois não utiliza mais a reserva cambial para manter próxima a equivalência

do real com o dólar norte-americano.

- O Brasil adota o câmbio flutuante, permitindo que o valor da moeda nacional oscile de acordo com a lei da oferta

e da procura em relação ao dólar. De 1999 até o início de 2001, o Banco Central não intervém no controle,

mantendo a flutuação limpa; a partir de fevereiro de 2001, quando o dólar ultrapassa a faixa de dois reais, o BC

passa a intervir no mercado de moedas, iniciando uma fase de flutuação suja.

- A desvalorização da moeda brasileira inverte a balança comercial com a Argentina, provocando um significativo

déficit para a Argentina, com fuga dos investimentos e das empresas para o Brasil.

- Argentina não pode desvalorizar a sua moeda, o peso, pois adotou a conversibilidade cambial com a moeda

norte-americana.

- Ao desvalorizar o real, houve uma valorização dos salários mínimos, que já eram mais elevados, na Argentina,

Uruguai e Paraguai, aumentando as exportações brasileiras e reduzindo as importações dos países vizinhos.

6°) Julho de 2000 - Reunião de Buenos Aires.

- Demonstra que a crise está passando (otimismo).

- Na verdade, a crise Argentina já dura mais de 30 meses.

- Assinatura do Acordo Automobilístico, a loucura dos 35%.

- Proposta de acelerar a entrada do Chile e da Bolívia no Mercosul.

7°) Crise Argentina, com a ajuda do FMI, FED e BIRD. Em contrapartida, o país aumenta a idade de aposentadoria

das mulheres para 65 anos, força a redução dos salários dos servidores públicos, não esquecendo que há tempos

esses salários não eram corrigidos, a exemplo do que ocorre no Brasil e, propõe a privatização do sistema de

saúde. O governo argentino entra em crise com o Congresso quanto às reformas estruturais necessárias para sair

da crise.

8°) A ajuda do FMI para a Argentina pode ajudar a economia brasileira.

9°) Com o objetivo de se resguardar, devido a provável declaração de falência pela Argentina, o Brasil firma um

novo acordo com o FMI, alegando que o empréstimo de 15 bilhões de dólares é somente uma garantia, que não

existe a intenção de usar estes recursos. O Brasil acaba assumindo compromissos mais pesados com o FMI,

como maior redução no déficit primário, etc. Estamos no mês de agosto de 2001. Nesse momento a equipe

econômica da Argentina encontra-se nos EUA, reunida com o FMI, tentando superar a crise.

10°) 2005 - é prevista a conclusão na implantação do Mercosul, situação cada vez mais difícil, pois o Chile

retomou as negociações com os EUA para sua entrada no NAFTA e a Argentina só consegue sair da crise atual

com sujeição às imposições do FMI. E os resultados disso nós bem que conhecemos.

A visita ao Brasil do novo superministro da economia Argentina já prenuncia novas tempestades para a

América Latina como um todo e, mais especificamente, para o Mercosul. O ministro Cavallo começa a romper com

a TEC; com isso o Mercosul pode deixar a fase de União Aduaneira, regredindo para área de livre comércio.

Se o Mercosul for concluído, situação cada vez menos provável, podemos dizer que começa a funcionar

como Mercado Comum a partir de 2005, como foi previsto no projeto inicial.

ATUALIDADES ECONÕMICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS

O MUNDO HOJE

Os acontecimentos ocorridos no dia 11 de setembro, que culminou com a destruição do "World Trade

Center" e de parte do "Pentágono", não podem ser encarados como um fato isolado, nem como mais uma

atualidade, que após algum tempo será substituída por novos acontecimentos. Na realidade, este acontecimento

vem precedido de fatos importantes, mas de menor escala, e, é óbvio, vem a refletir em novos acontecimentos,

que nos próximos anos, vão alterar o comportamento entre as nações, modificando suas relações e referindo no

cotidiano dos cidadãos. Também não pode ser analisado somente de acordo com uma variável e, sim, de acordo

com as características econômicas, políticas, sociais e culturais. Enfim, o dia 11 de setembro de 2001, na forma de

acontecimentos, indica o 1° dia do século 21, só que este dia ainda não acabou.

Vamos tentar analisar um pouco este processo.

1°) Fatos que precederam o dia 11/9.

a) A Política Externa dos EUA.

Com os republicanos no poder, o país mais poderoso do mundo passa a se comportar de uma forma mais isolada

em nível de atitudes quanto aos seus principais parceiros e, principalmente, quanto aos países do Terceiro Mundo.

• Não participa oficialmente do fórum econômico mundial em Davos, na Suíça.

• Retoma o desenvolvimento de tecnologia.

O objetivo de implantar o projeto Guerra nas Estrelas (Star War), gera protestos mundiais quanto aos

riscos de provocar nova corrida armamentista, protestos vindos principalmente da China Popular e da Rússia,

hoje, parceiros dos EUA.

• Retoma as pesquisas quanto às armas químicas e biológicas, rompendo com acordos internacionais.

• Declara publicamente que vai conseguir autorização para o ajuste rápido do Congresso americano, para

implantar a Alca.

• Passa a reduzir rapidamente os impostos e os juros internos, demonstrando que sua economia está entrando em

recessão.

• Reunião do Grupo dos Sete (G7) mais a Rússia (G8), em Gênova. Os discursos do Governo americano são de

imposições e não de propostas a serem discutidas.

• Declara publicamente que, mesmo modificado, não vai assinar o protocolo de Kyoto (1997), decisão tomada ao

término da 3ª reunião sobre clima, na Alemanha (2001).

• Abandona, junto com Israel, na 3ª reunião sobre racismo, xenofobismo e outras formas de segregação, ocorrida

em Durban na África do Sul. Por não aceitar discutir o "sionismo" como forma de segregação, nem a questão do

povo palestino, a necessidade de implantação de um Estado deste povo em Diáspora, nem a situação atual da

Palestina, que está vivendo uma nova intifada, guerra das pedras.

b) Acontecimentos e atentados que precederam o dia 11/9.

• O atentado com o caminhão-bomba no "World Trade Center" em 1993, que de acordo com a imprensa, em seis

anos, fez desaparecer cerca de 90% das empresas que possuíam seus escritórios centrais naquele local.

• Os atentados nas embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, na África (1999).

Obs.: Já colocados como fatos de responsabilidade de Al-qaeda, sobre o comando milionário saudita Osama Bin

Laden.

• Bem como a explosão do navio torpedeiro dos EUA na região do Golfo de Áden, no Estreito de Babel'Mandeb,

rota petrolífera, entre a Somália (Chifre Sul da África) e a Arábia Saudita.

c) Fatos internos norte-americanos ligados a sua política externa atual.

A Guerra do Vietnã

A grande derrota militar dos EUA, no período da Guerra Fria, provocou um certo enfraquecimento de um

de seus ícones de sustentação, pois o nacionalismo anglo-saxônico, protestante, ultraconservador, não consegue

convencer a opinião pública nacional, quanto às mortes de milhares de jovens brancos americanos, bem como o

uso de armas de extermínio em massa neste país como o napalm, o agente laranja e o agente azul.

A sociedade norte-americana passa a questionar a política externa de seu governo. A pergunta é: o que o

Vietnã representa como ameaça para o mundo?

Obs.: Em conseqüência da guerra do Vietnã, o governo dos Estados Unidos abandona o câmbio dólar/ouro-fixo,

adotado desde a conferência de Bretton Woods, e adota o câmbio flutuante, desregulamentando todo o comércio

mundial. Ao mesmo tempo que se aproxima cada vez mais da República Popular da China na famosa doutrina

Nixon.

A sociedade americana sofre alterações em sua base de organização, principalmente nas formas de

nacionalismo, fortalecendo os nacionalismos:

• regionalizado - o californiano, o texano, o nova-iorquino, etc.

• coorporativo- a defesa dos interesses econômicos em grupos organizados de interesse comum.

• hifenado - o crescimento mais rápido da população não branca gera uma forma de nacionalismo étnico

afro-americano, asiático-americano, latino norte-americano, etc.

O poder político e econômico anglo-saxônico havia perdido uma de suas bases de sustentação, o

nacionalismo, com isto, não havia respaldo interno para sustentar novos conflitos contra o inimigo externo.

A Guerra do Golfo

Operação tempestade no deserto, guerra pré-datada ou guerra videogame.

A questão oferecida pelo lraque, ao invadir o território do Coueite(Kuweit), é a grande oportunidade do

poder bélico norte-americano recuperar o apoio da opinião pública dos EUA, pois em 1991 a URSS estava em

ritmo acelerado de extinção. Portanto, era preciso mostrar ao mundo que uma grande potência havia sobrevivido

ao desgaste da corrida armamentista das últimas décadas.

A maior parte das técnicas e instrumentos utilizados na guerra do Golfo tinha um endereço certo:

• mostrar a sua supremacia bélica para o mundo;

• convencer a sociedade norte-americana que era possível gastar pouco e provocar grande destruição ao inimigo

externo.

Nota 1 - Dados oficiais colocam que morreram 100 soldados dos aliados e 500.000 iraquianos nesta guerra.

Nota 2 - O bombardeio aéreo praticado pela OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte, na Iugoslávia

vem a comprovar esta supremacia bélica. A OTAN nunca havia atacado um Estado-Nação antes, nem atacou

depois.

Nota 3 - A partir desta situação, os EUA passam a defender o "modo de vida norte-americano" como o modelo

ideal para o mundo, calcado numa espécie de “fundamentalismo" tecnológico e econômico, pois ao defender a

política dupla do dólar para os "amigos" e do poder bélico tecnológico para os "inimigos", acaba substituindo o

inimigo externo em figura da ex-URSS com seu socialismo real, pelos fundamentalismos ditos religiosos, na sua

forma mais radical.

Osama Bin Laden, e as organizações radicais islâmicas mais famosas, como o Hamas - nos

acampamentos palestinos, o Jihad - sediado no Egito, o Hezbollah e o Arval no Líbano, de parceiros dos EUA na

guerra contra a União Soviética (79/88) no Afeganistão, são transformados pela forma de organização e

funcionamento de suas sociedades, nos grandes inimigos da globalização, portanto, inimigos do capitalismo e dos

EUA.

O SIONISMO

O sionismo teve seu início no final do século XIX na Europa, onde o fortalecimento econômico-financeiro

da comunidade judaica havia conquistado uma grande capacidade de influência nas decisões dos impérios

europeus, principalmente no Império Britânico, o mais poderoso na época.

De forma simples: sionismo significa o direito do povo judeu retornar para os lugares sagrados na região

da Palestina, no Oriente Médio, onde haviam construído a cidade de Jerusalém e o templo com a arca sagrada, de

onde foram expulsos nos anos 68/70 d.C. pelo Império Romano.

Ao expulsar o povo judeu da Palestina, os romanos destruíram o templo sagrado, restando somente o

muro, hoje chamado de muro das lamentações. Séculos depois os islâmicos construíram nesta área a Praça das

Mesquitas, onde Maomé morreu, com a terceira mesquita mais importante para o mundo islâmico, somente

superada por Meca e Medina - a terra do profeta.

Sionismo representa, também, o direito do povo judeu ser judeu em qualquer lugar que tenha nascido

e/ou viva no mundo.

Avanços do sionismo

1°) No início do século XX, os judeus, com poder econômico, passaram a comprar propriedades rurais na

Palestina, financiando para que grupos de famílias judias da Europa Oriental (Polônia, Áustria, Rússia, etc.),

perseguidos pelos governos e sociedades, fossem deslocados para estas propriedades na Palestina, surgindo

deste projeto os primeiros "kibutzim" propriedades coletivas, e os heróis da criação do Estado de Israel, como

Ben-Gurion, Golda Meir, etc.

2°) Em 1917 ocorre a Resolução Balfor, isto é, o direito do povo judeu criar um Estado próprio na Palestina, pois o

Império Turco-Otomano estava sendo derrotado, e os ingleses estavam começando a dominar o Oriente Médio.

3°) Em 1922 a Liga das Nações Européias, liderada pelo Império Britânico, vota a favor da criação de um Estado

judeu na Palestina.

4°) 1939/1945 - Segunda Guerra Mundial.

Ocorre o holocausto, onde quase 6 milhões de judeus são eliminados na Europa, junto com milhares de

outras minorias, étnicas ou não, como os ciganos, testemunhas de Jeová, etc.

Quando estes fatos são revelados para o mundo, coincidem com a mudança do eixo de poder, com a

grande águia ou nova Roma substituindo os impérios europeus. Os judeus não podiam perder esta oportunidade

histórica, reivindicando seus direitos de criação e implantação de um Estado judeu na Palestina.

5°) 1947 - Resolução da ONU, onde Oswaldo Aranha, diplomata brasileiro, dá o voto de minerva, com a seguinte

decisão:

• término do protetorado britânico na Palestina.

• criação do Estado de Israel, com um pouco mais da metade do território.

• criação do Estado palestino dividido em 2 áreas;

• criação das zonas neutras, principalmente da cidade de Jerusalém, que ficaria sob administração internacional.

6º) 1948 - Com a saída dos britânicos, os judeus declaram que estão implantando seu Estado, de acordo com a

Resolução da ONU.

- O mundo árabe-islâmico, de forma geral, não aceita a criação do Estado palestino, a RALI - Liga Árabe Unida faz

a primeira guerra - Egito, Síria, Jordânia e Árabia Saudita - contra Israel e são derrotados.

Nota - Acaba a diáspora do povo judeu, ao mesmo tempo que começa a diáspora do povo palestino.

7°) 1956 - Com medo que o governo terceiro mundista, de Gamal Nasser, corri o apoio soviético, no Egito,

bloqueasse o Canal de Suez, os ingleses e franceses apóiam Israel que invade a Península do Sinai.

Posteriormente, os EUA e a URSS determinam o fim da guerra, demonstrando para o mundo a nova relação de

poder.

8°) 1967 - A Guerra dos Seis Dias.

Em menos de duas décadas de implantação, o Estado de Israel passa para a fase de expansão,

ocupando militarmente os territórios sagrados nos países islâmicos vizinhos, como o Sinai (Egito) com o porto e

a Península de Aq'Aba, conquistando saída pelo Mar Vermelho, a Cisjordânia, com as cidades sagradas e o Mar

Morto, as Colinas de Golã (Síria), sendo que esta última, por ser estratégica, até hoje não foi devolvida.

Nota – 1984 - Israel invade o sul do Líbano, criando uma área militar "tampão", expulsando a OLP - Organização

para a Libertação da Palestina. Posteriormente substituída pelo Hezbollah, apoiada pela Síria.

Israel só abandonou esta área no ano 2000.

9°) 1973 - A guerra do "Yom Kipur", o dia do perdão para o povo judeu.

Os árabes tentam reconquistar os lugares dominados por Israel na Guerra dos Seis Dias, mas são

derrotados.

Nota - Não é mera coincidência, nesse mesmo ano ocorreu a 1° crise do petróleo.

- É correto afirmar que esta foi a última guerra oficial entre islâmicos e judeus, mas que os conflitos não mudaram,

pois a importância da OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os petrodólares alteram o

equilíbrio de poder no Oriente Médio. A região da Palestina perde importância para outra área no Oriente Médio, o

Golfo Pérsico, cercado totalmente por países islâmicos.

A QUESTÃO PALESTINA

Com o início da diáspora em 1948, o povo palestino-árabe, islâmico e sunita - passa a confrontar o

Estado de Israel e seu exército, através de grupos políticos - militares organizados na década de 50, surge Yasser

Arafat, criando a AI-Fatah, que logo domina a OLP - Organização para a Libertação da Palestina, que tinha como

princípios: não reconhecia a existência do Estado de Israel, nem o direito do povo judeu viver na Palestina.

Na década de 70, o mundo árabe passa a utilizar o petróleo como forma de pressão política e econômica,

pois no início desta década o Golfo Pérsico fornecia dois terços do petróleo consumido diariamente no planeta.

Em 1979, um novo golpe para a economia, pois a revolução islâmica no Irã acaba provocando nova crise

mundial do petróleo. A queda da Dinastia Pahlevi, que foi colocada no poder em 1952, graças a um golpe de

estado fomentado pela CIA norte-americana, havia favorecido a implantação de um governo com tendências

modernizantes, com a implantação de valores ocidentais, que entram em choque com uma sociedade

fundamentalista islâmica, pois a maioria de sua população é de origem persa, xiita, que atende ao domínio dos

aiatollás. Com a revolução em 79, os líderes religiosos implantam uma teocracia e declaram seu ódio aos valores

ocidentais, principalmente aos EUA.

Nota - Surge um ponto divisor entre o pan-arabismo e o pan-islamismo, sendo este último muito mais abrangente

e radical do que o primeiro.

Em 1986, percebendo as mudanças mundiais, a OLP, liderada por Yasser Arafat, inicia uma nova

estratégia contra o Estado de Israel, pois com o objetivo de chamar a atenção do mundo quanto às precárias

condições de vida do povo palestino nos acampamentos controlados pelo exército de Israel, criam o processo da

intifada para substituir os grupos paramilitares no confronto à força militar de Israel.

Intifada - Guerra das Pedras, o uso da população civil palestina nos acampamentos, que, utilizando paus, pedras

e palavras de ordens, jovens, crianças e velhos enfrentam os soldados judeus.

É óbvio que neste confronto a população civil islâmica sai perdendo em número de mortes, mas serve

para chamar a atenção do mundo para a questão palestina.

Portanto, a intifada não é uma guerra comum, onde se enfrentam exércitos organizados, podendo

terminar ou começar a qualquer momento, de acordo com os comandos palestinos.

A Intifada atual (2000/2001)

Seu início foi provocado por Ariel Sharon, líder do Likud, partido ortodoxo de Israel, que passeou

protegido por centenas de seguranças pela Praça das Mesquitas em Jerusalém, provocando os povos islâmicos,

ao mesmo tempo que conquistava os votos da maioria dos judeus e torna-se primeiro-ministro de Israel.

O FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO

A imprensa confunde, mas é bom saber que existem várias formas e povos fundamentalistas e, é óbvio,

nem todo árabe é islâmico, nem todo islâmico é fundamentalista ou radical.

Em 622 d.C. quando o grande profeta do islã recebe as mensagens de Alá, através do Anjo Gabriel, seu

objetivo maior era de unificar os povos árabes, pois o que prejudicava a união dos povos árabes era a prática do

politeísmo.

O islamismo tem muito dos princípios judáicos, assim como cristãos. É óbvio, valores que interessavam

no processo de unificação, facilitando o crescimento político, econômico e militar das aldeias árabes.

Em 632 d.C., com a morte de Maomé, o islã sofre a sua primeira divisão séria, criando a figura dos xiitas e

dos sunitas. Na realidade, todos são moderados e/ou radicais, pois suas reações dependem muito da ação que

vierem a sofrer.

Por ter apoiado o Iraque de Saddam Hussein na Guerra do Golfo, Yasser Arafat e a OLP perdem o apoio,

principalmente econômico, dos países islâmicos, que passam a proteger e financiar novos grupos paramilitares

que estejam dispostos a enfrentar o Estado de Israel, provocando o crescimento de grupos como o Hamas, o

Jihad Hezbollah, etc.

Nota - De novo devemos tomar cuidado com a imprensa ocidental, pois da forma como normalmente é colocado,

estes grupos são formados somente por homens-bomba e que só praticam atos terroristas. Um bom exemplo

disto é o Hamas nos acampamentos palestinos que inicialmente foi sustentado por Israel para fazer oposição à

OLP, com as mudanças desta última organização, o Hamas passou para o controle iraniano. Hoje, mais de 90%

de seus seguidores trabalham na área social como educação, saúde, alimentação e habitação dos palestinos, nos

acampamentos e, menos de 10% é que fazem parte do Hamas militar. Mas são estes últimos que se destacam na

imprensa mundial.

O ORIENTE MÉDIO NA DÉCADA DE 90

1993 - A OLP reconhece a existência do Estado de Israel e o direito do povo judeu, também, viver na região da

Palestina, dando início a um processo de reconhecimento mútuo, que acabou resultando no Tratado de Oslo I.

1994 - Israel devolve para autogestão do povo palestino, a cidade de Jericó (na Cisjordânia) e a cidade porto de

Faixa de Gaza no Mediterrâneo, como primeira etapa de devolução e futura criação do Estado palestino, após

devolução de outras áreas.

1995 - O líder trabalhista no poder em Israel, Isaac Rabin, é assassinado por um jovem judeu ligado ao Likud,

perturbando as eleições em Israel, e favorecendo a eleição dos conservadores, que representado por Binyamin

Netanyahu, dificulta o processo de paz, ao criar novas colônias de judeus ortodoxos nas áreas ocupadas

militarmente pelo exército de Israel, ao mesmo tempo que expande seus domínios na cidade de Jerusalém.

Para administrar as áreas devolvidas por Israel, os grupos palestinos, liderados pela OLP, criam um

Estado provisório, organizando sua estrutura política, econômica, social e militar, sem eleições.

ANP = Autoridade Nacional Palestina - comandada por Yasser Arafat, é uma espécie de executivo provisório.

CNP = Conselho Nacional Palestino - formado por representantes dos principais grupos palestinos, de acordo com

a sua representatividade, portanto com a maioria da OLP.

Nota: Em 1995, o CNP reconhece o já reconhecido em 1993 pela OLP, quanto ao Estado e ao povo de Israel.

FORMAÇÃO DOS MEGABLOCOS E BLOCOS SUPRANACIONAIS

Globalização

O processo de globalização atual é muito superior em complexidade aos processos de

internacionalização e transnacionalização, pois representa uma tendência de união, difusão e/ou integração de

todas as características que se tornaram cada vez mais dinâmicas nos últimos séculos, provocando uma crescente

articulação e interdependência entre todas as sociedades nacionais.

1. Internacionalização - desde o momento em que o ser humano começou a se organizar quanto à forma de

produção, o processo de internacionalização passou a avançar. Com a formação dos Estados-nações, no começo

da Idade Moderna, que para sua sobrevivência foram obrigados a aumentar suas relações com outros Estados

nacionais, os principais fatores que geraram a internacionalização são expressos nas trocas de valores culturais,

sociais, bens e serviços, diplomáticos e, principalmente, pelas guerras, com sua capacidade de transformar o

sistema produtivo, em conseqüência dos avanços tecnológicos e o aumento nos comércio internacional.

2. Transnacionalização - fenômeno percebido a partir dos anos 60; as filiais das empresas multinacionais

superaram em valor de produção o comércio mundial.

O processo de transnacionalização da produção acabou provocando a transnacionalização das finanças,

onde os fluxos financeiros internacionais atingem dimensões superiores à inversão estrangeira direta no comércio

internacional.

3. Globalização - fenômeno que engloba tanto a internacionalização como a transnacionalização, mas que

avança, atingindo outros valores numa sociedade, como a uniformização comportamental devido à massificação

dos sistemas de informação, uma sociedade se globaliza na proporção direta de sua capacidade de consumo,

principalmente através de imagens e informações transmitidas pelos meios de comunicação, como a televisão.

O que a globalização apresenta para uma sociedade não são somente produtos, mas sim idéias quanto

ao mercado, à democracia, à educação, à família, à sexualidade, ao trabalho, lazer, etc.

Um fator importante, responsável pelos avanços da globalização, foi o esgotamento da fase pós-Segunda

Guerra, denominada de guerra fria, com a recuperação econômica e o crescimento dos países que atualmente

formam os blocos econômicos supranacionais, como o Nafta, a União Européia, Mercosul, etc.

É óbvio que o término do confronto ideológico foi muito importante, mas sozinho não provocaria tantas

mudanças na base de funcionamento das sociedades organizadas.

As mudanças na base do sistema de produção, onde a produção em escala ou fordista, inflexível,

estanque, cede espaço para uma forma de produção mais flexível ou toyotista, onde os novos instrumentos como

a informática, a robótica e a automação, resultantes dos avanços científicos na área das ciências espaciais, a

nanotecnologia, a biotecnologia, acabam provocando transformações na estrutura de funcionamento quanto ao

trabalho humano, com aumento na produção, produtividade e diversidade dos produtos fabricados. Ao mesmo

tempo que a maior eficiência tecnológica força a um processo de reciclagem da mão-de-obra, provocando

instabilidade política e social.

Toda esta situação acaba gerando crise de modernidade, onde as sociedades mais avançadas atingem a

fase pós-urbano/industrial, isto é, concentrando o que significa poder, como a tecnologia de ponta e o sistema

financeiro. Ao mesmo tempo que forçam a unia desconcentração das atividades que perdem valor estratégico para

os países periféricos, pois estas atividades não lhes interessa.

Por ser um processo mais complexo, seus resultados são mais complexos ainda, provocando e até

forçando, de acordo com a conveniência dos países centrais, mudanças na forma de funcionamento das

sociedades, como:

- formação dos megablocos e blocos supranacionais;

- retorno do pensamento liberal, sob nova roupagem, na manutenção do comando mundial.

1. Teoria do estado mínimo.

2. Nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT).

3. Fortalecimento do ultranacionalismo, na forma de fundamentalismos religiosos e etno/xenofobismo, como forma

de reação às mudanças provocadas pelos países centrais.

4. Nova forma de comportamento dos organismos internacionais, como o FMI, BIRD, BID, etc.

5. Mudanças no sistema monetário internacional.

6. Avanços do capital volátil em detrimento do capital de produção.

7. Criação de novas organizações a exemplo da Organização Mundial do Comércio, que substituiu o GATT, a

partir de 1995.

NEOLIBERALISMO

A teoria do estado mínimo defendida pelo pensamento neoliberal corresponde à defesa dos países ricos

que utilizam suas principais representações internacionais, como o FMI, o BIRD, empresas, capital e controle

sobre o conhecimento tecnológico, forçando os países pobres a reduzir o poder de seus Estados como agente

econômico, obrigando-os a implantar reformas estruturais, como privatizar as estatais e os setores estratégicos, ao

mesmo tempo que mudam a política monetária e cambial, facilitando a entrada das empresas e do capital

estrangeiro, forçando os países periféricos a eliminar o protecionismo.

Os representantes dos países centrais defendem a idéia de os governos dos países pobres ficarem

somente com a responsabilidade direta sob a educação, principalmente no ensino básico ou fundamental, o

restante deve ser privatizado. Esta situação ficou bem exposta no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na

Suíça, onde somente os EUA não enviaram representantes, demonstrando nova posição desta potência nas

relações internacionais, com a chegada ao poder pelos republicanos, ao mesmo tempo que ocorria o Fórum Social

Mundial, em Porto Alegre, no Brasil.

Como obrigar os países periféricos a privatizar

BIRD - Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento

Medidas

1980 - Implanta o plano de reformas estruturais.

Facilita a liberação de recursos para o Terceiro Mundo; basta que os países tomem as seguintes medidas:

- implanta as reformas tributária, fiscal, orçamentária, político-partidária, judiciária, trabalhista, etc.;

- avanço no processo de privatizações.

1983 - Implanta o plano de reformas estruturais, setoriais ou estratégicas.

Medidas

- Liberalização da agricultura, a exemplo da soja no Centro-Oeste, no Brasil.

- Deve privatizar ou terceirizar os serviços como tratamento de água, esgoto, coleta e tratamento de lixo, etc.

- Deve privatizar setores estratégicos, como o setor energético, transportes, sistema viário, comunicações, etc.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) assume a responsabilidade de acompanhar, fiscalizar c exigir o

cumprimento das medidas impostas pelo BIRD. Para isto elabora o plano econômico neoliberal, que respeitando a

realidade política, econômica, cultural e social de cada país, seu objetivo principal não modifica, que é abrir ou

internacionalizar a economia dos países do Terceiro Mundo, como o Plano Real, no Brasil, e o Plano Cavallo, na

Argentina.

Análise geopolítica

Como a maioria dos países periféricos eram governados de forma autoritária, na maioria sob controle da

elite militar, era conveniente redemocratizar estes países. É triste chegar à conclusão que a campanha das Diretas

Já, no Brasil, atendeu a interesses internacionais.

A nova tecnologia resulta numa transferência de atividades produtivas para o Terceiro Mundo, mudando o

papel de cada país no comércio internacional, alterando a DIT.

A nova tecnologia resulta em novas máquinas e nova forma de produção, tendo como conseqüência o

desemprego estrutural.

É cada vez mais difícil analisar de forma sedimentada a realidade econômica mundial, mas é fácil

perceber como as situações política e social são resultados diretos ela realidade econômica e do poder de

manipulação do capital financeiro internacional e vice-versa.

É possível distinguir e impossível não perceber como a implantação das idéias neoliberais está alterando

a forma de funcionamento das sociedades, principalmente na redução dos valores coletivos e avanços do

individualismo. Em contrapartida, o inundo se surpreende cada vez mais com os discursos de cunho social das

autoridades nacionais e internacionais, quanto à necessidade de investir na solução das questões que afetam as

populações do Terceiro Mundo, como a fome, a tuberculose, a AIDS, o ebola, o analfabetismo, o excedente

populacional, as guerras tribais, de interesse econômico para as empresas multinacionais, como as guerras de

diamantes na África. Esta situação nos países pobres já está chegando na porta dos países ricos, pois o processo

de exclusão também está atingindo parcela significativa das populações dos países ricos, tanto na Europa como

na América do Norte.

O Terceiro Mundo, incluindo o Brasil, foi submetido às idéias neoliberais, de forma muito rápida. As elites

nacionais embarcaram nestas idéias, implantaram seus planos econômicos de cima para baixo, sem noções reais

quanto à capacidade de sua própria sociedade.

Um bom exemplo desta realidade foi o Encontro do Grupo dos Oito (G-8), em julho de 2001 em Gênova,

na Itália, onde pela primeira vez os sete mais ricos e a Rússia priorizam em suas discussões, uma pauta, onde a

maioria dos itens são de cunho social, devido ao processo de exclusão provocado pela globalização.

O PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO NO TERCEIRO MUNDO

Como sistema socioeconômico, o capitalismo passa por ciclos de crescimento, intercalado por fases de

estagnação. Esta situação é conseqüência direta dos momentos onde ocorrem avanços tecnológicos, que vão

refletir em novas formas de produção, com novos fatores que indiquem a importância de cada país ou bloco de

países, na nova realidade de relações de poder, quanto ao comando e o grau de dependência.

O processo deglobalização fortaleceu mais ainda os processos anteriores, aumentando a dinâmica de

internacionalização e transnacionalização em níveis jamais esperados pelos especialistas. Os países centrais

entram na fase pós-urbano/industrial, isto é, detêm o controle sobre a nova tecnologia e o sistema financeiro,

enquanto a maioria das fábricas, principalmente aquelas que exigem elevado uso de matéria-prima, recursos

energéticos, que não necessitam de mão-de-obra muito qualificada, e degradam o meio ambiente são transferidas

para os países periféricos. Quanto menor for a importância da fábrica, maior será sua distância em relação aos

países centrais.

Está caracterizado o modelo atual, onde deve ser desconcentrado, distribuindo a produção para o

Terceiro Mundo das atividades mais antigas, enquanto fica mantida a concentração do high tech e do poder de

capital. Os laboratórios e centros de pesquisas, com pessoal altamente qualificado, e os centros financeiros ficam

concentrados nos países centrais, enquanto fábricas de automotores, eletrodomésticos, brinquedos, siderurgia,

química pesada, etc. são rapidamente transferidas para os países pobres. Está apresentado um dos motivos para

a privatização das estatais no Terceiro Mundo.

Um bom exemplo desta situação é o que está acontecendo na China Popular, com a sua abertura

econômica localizada nas Zonas Econômicas Especiais, em seu litoral, é o país que mais cresceu

economicamente nas duas últimas décadas, mas sua luta maior é quanto à transferência de tecnologia de ponta e

o controle do capital externo. Para superar esta situação, o país pratica a pirataria tecnológica, onde mais de 90%

dos softwares produzidos no país são cópias ilegais, gerando prejuízo de bilhões de dólares, todo ano, para as

multinacionais.

O Brasil, a exemplo dos demais países latino-americanos, está lutando para assumir este novo papel nas

relações internacionais, mas esta nova forma de dependência exige mudanças internas estruturais, tanto

econômicas como financeiras, que vão refletir na realidade política, social e cultural de sua população.

O Mundo está cada vez menor, o sistema de comunicação em massa, quantifica, podendo também até

qualificar o número de informações para a sociedade, permitindo um acompanhamento mais próximo das

atividades do Estado, ao mesmo tempo que este próprio Estado está diminuindo seu poder de dominação com

as medidas neoliberais. Portanto, não podemos dizer que houve um aumento no índice de corrupção,

incompetência administrativa, enfim, de prepotência das autoridades e mau uso dos recursos públicos, o que

aumentou foi a transparência das informações e a capacidade de cobrança da sociedade. Já foi o tempo do

empreguismo, das propinas, dos elefantes brancos. Só falta as autoridades se conscientizarem que não estão

mais acima do bem e do mal. Enquanto isto não acontece, o Terceiro Mundo vai vivendo com o acúmulo de crises

econômicas e financeiras e de escândalos políticos.

PROCESSO HISTÓRICO

A segunda metade do século XIX e a primeira metade do século XX podem ser consideradas de várias

formas, entre elas, como uma etapa da história da humanidade de uma dinâmica de transformações significativas.

O término das revoluções burguesas e início das revoluções socialistas-Rússia em 1917; o surgimento das

potências emergentes, como os EUA, o Japão e a Rússia, em concorrência com os impérios europeus,

principalmente com o Império britânico; os avanços tecnológicos que aumentam a produção, a produtividade e a

diversidade industrial, acelerando o consumismo com um aumento na exploração dos recursos naturais seguido

de uma degradação ambiental superior à homeostase, isto é, superior à capacidade de recuperação natural, com a

formação de mercados consumidores no Terceiro Mundo; expansão e posterior esgotamento da fase neocolonial,

modificando de forma drástica a forma de produção e, por conseqüência, a realidade sociocultural dos povos

africanos, americanos e da Ásia Tropical.

A disputa pela hegemonia mundial provoca a Primeira Guerra, a primeira revolução socialista vitoriosa na

Rússia, seguida da crise de superprodução do sistema capitalista em 1929 e chega ao auge com a Segunda

Guerra Mundial terminando, assim, com a fase do capitalismo industrial ou selvagem, e iniciando o que hoje

classificamos de capitalismo monopolista ou financeiro.

Estas mudanças alteram as relações internacionais de forma radical quanto ao seu eixo de comando,

onde a "Nova Roma" (EUA) substitui os impérios europeus.

Em resumo, para substituir os antigos mandatários internacionais, a superpotência capitalista precisa criar

novas estruturas econômicas, políticas, financeiras e militares que atendam aos seus interesses e esvaziem os

poderes dos antigos "donos" do planeta.

Para que isto ocorresse, os EUA precisavam de novas formas de parceria como também de novas

entidades internacionais que através de suas ingerências, transformassem os princípios da "Doutrina Monroe" (o

comando da América), para a "Doutrina Truman", assumindo o comando mundial. Por isto, ocorreu a Conferência

de Bretton Woods nas proximidades da cidade de Washington DC. Pode-se dizer que esta conferência foi o

"pontapé inicial" para que, nas próximas décadas, fossem surgindo novas organizações mundiais para atenderem

aos interesses da superpotência norte-americana.

CONFERÊNCIA DE BRETTON WOODS (1944)

Reunião entre quarenta e quatro nações, em New Hampshire (EUA), cujo objetivo principal era

restabelecer uma ordem monetária internacional, de acordo com a nova realidade nas relações de poder do pós-

Segunda Guerra Mundial.

Havia a necessidade de se definir as novas regras para regular as relações econômicas e comerciais

entre os países, resultando em quatro pontos.

a) A criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

b) A criação de taxas de câmbio fixas, mas ajustáveis em relação à nova moeda mundial, oscilando numa banda

cambial (2,5%) de no máximo 1,25% ou menos 1,25% em relação ao dólar norte-americano.

c) O FMI funcionaria como uma política de seguro, auxiliando na capacidade de liquidez dos países-membros, isto

manteria suas taxas cambiais.

d) A criação de um código de ação, onde todos os países-membros, ao superarem a crise cambial resultante do

período conturbado das primeiras décadas do século XX, retornariam para um sistema de pagamentos

multilaterais baseados na conversão da moeda.

Criação do Banco Mundial

É uma instituição de desenvolvimento.

Nas próximas décadas o Banco Mundial é dividido em quatro organizações para atuação de acordo com

objetivos específicos, mas que no fundo se complementam.

1) O CFI - Corporação Financeira Internacional, entidade que arrecada recursos do mercado de capitais, para

financiar investimentos particulares e as empresas privadas que investem no Terceiro Mundo.

2) A ADI - criada em 1960, a Associação de Desenvolvimento Internacional utiliza recursos do orçamento dos

países-membros para financiar a juros muito baixos e a longo prazo os países mais periféricos ou até os países

que, mesmo não sendo da extrema periferia, apresentam grandes bolsões de pobreza absoluta de acordo com os

critérios de IDH - Índice de Desenvolvimento Humano, elaborados pela Organização das Nações Unidas a partir

de 1991.

A última reunião do G-8 - Grupo dos sete países mais ricos e da Rússia, em julho de 2001, na cidade de

Gênova, na Itália, acabou resultando no perdão de parte da dívida das vinte nações mais pobres do mundo,

grande parte desta dívida é proveniente dos empréstimos feitos pela ADI.

Um bom exemplo desta situação é o projeto IDH 14, desenvolvido no Brasil, para tentar minimizar a

situação de miséria que atinge as 14 áreas mais pobres em nosso país.

Estes recursos correspondem às dívidas que deveriam ser perdoadas no ano 2000, de acordo com a

defesa feita pelo Vaticano, entidades e personalidades mundiais, que defendiam suas idéias com o ano do Jubileu

de Ouro. Infelizmente, a realidade mundial, principalmente quanto às formas como estes recursos foram utilizados

pelos países pobres, inviabilizou o perdão esperado pelas sociedades mais pobres do mundo.

3) A AGIM - Agência de Garantia de Investimentos Multilaterais, Órgão do Banco Mundial que procura dar

garantias para as situações não-econômicas enfrentadas pelas empresas que investem nos países do Terceiro

Mundo. Se uma multinacional implanta uma filial nutra país pobre, ocorre um golpe de Estado, e a sua filial é

nacionalizada, a AGIM cobre os prejuízos desta empresa.

4) Criação do BIRD - Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento.

O BIRD lida diretamente com os governos dos países subdesenvolvidos, facilitando para que adquiram

credibilidade no Mercado Internacional e fazendo a intermediação entre o Mercado Financeiro Internacional e as

necessidades de recursos destes países. Oferece assessoria técnica e econômica através de suas equipes ou

missões, como são chamadas.

Portanto, o BIRD recorre ao Mercado Financeiro Internacional, fazendo empréstimos a juros de mercado

e repassa estes empréstimos a juros mais altos para os países do Terceiro Mundo. Quando o BIRD toma esta

atitude, o país favorecido passa a ter maior credibilidade no Mercado Financeiro Internacional e, além dos

empréstimos diretos do BIRD, pode recorrer aos bancos e financeiras privadas para conseguir mais dinheiro.

Os lucros obtidos por estas transações são altíssimos e, na maioria das vezes, são repassados para os

Estados Unidos, principal mantenedor deste órgão.

O BIRD nunca deixou de cumprir seus compromissos com as entidades financeiras internacionais, pois

além dos altos recursos em ativo que possui, só o que o Terceiro Mundo lhe deve e lhe paga em serviços e juros

da dívida externa por ano é o suficiente para cumprir seus compromissos com estas entidades e ainda sobra

muito. Sua lucratividade para os países centrais é tão elevada que sua classificação internacional é AAA, isto é,

possui total confiança ao fazer pedidos de empréstimos no mercado internacional.

A última informação sobre os trabalhos do BIRD, corresponde a um levantamento mundial sobre a

realidade socioeconômica dos países pobres. O interessante desta pesquisa, é que o BIRD começa a defender a

idéia de retrocesso; os países subdesenvolvidos devem voltar a priorizar as atividades primárias como agricultura,

pecuária e extrativismo, na forma de commodities e, se possível, desestimular ou até desmontar sua

modernização industrial. A justificativa para este comportamento do BIRD é quanto à capacidade competitiva

destes países no comércio mundial.

Conseqüências imediatas

* Plano Marshall para a Europa.

* Plano Colombo para a Ásia.

* Criação do "cordão sanitário" para os novos países, de independência concedida, que surgem no Terceiro

Mundo, principalmente na Ásia Tropical, África e América Latina, ou países que já existiam e que adquirem importância

na realidade da Guerra Fria, no pós-Segunda Guerra, como o Brasil na América do Sul.

* Criação do FMI - Fundo Monetário Internacional. De acordo com sua criação, o FMI tem como função manter a

estabilidade do sistema monetário e financiar os déficits da balança de pagamento dos países-membros. É uma

instituição monetária.

- Extinção do lastro ouro e implantação do câmbio dólar-ouro/fixo, onde 31,1 gramas de ouro (1 onça), equivalem

a 35 dólares americanos, e é óbvio, o FED - "Federal Reserv Board", o Banco Central dos EUA - garantiria a

paridade. Com isto, temos a dolarização da economia mundial.

Obs.: Ao mesmo tempo que os EUA adotam o câmbio fixo, ele obriga a adoção pelos países, do câmbio fixo

flutuante, isto é, todas as moedas deveriam oscilar numa banda cambial, onde seu valor não poderia exceder mais

que 1,25%, ou menos de 1,25% (oscilação de 2,5%) do valor do dólar no mercado internacional. Esta medida foi

mais política do que econômica, pois a Conferência de Bretton Woods, mais especificamente, o FED - Banco

Central norte-americano, não levou em consideração as diferenças econômicas dos países no mundo, principalmente

as políticas inflacionárias.

O principal papel do FMI era o de socorrer os países-membros, principalmente na manutenção do câmbio

e na correção das balanças de pagamentos.

Na década de 70, os EUA abandonam o câmbio fixo e adotam o câmbio flutuante. O motivo mais sério

para esta mudança foi a emissão muito elevada de dólares necessários para sustentar a Guerra do Vietnã, o que

provocou uma desvalorização muito rápida da moeda no mercado internacional. Inteligentemente os EUA mudam

o seu sistema cambial, pois seria um desastre econômico se o FED (Banco Central), continuasse mantendo a

paridade - dólares-ouro. É quase certo que boa parte de suas reservas deste metal seria trocada pelo excesso de

dólares que existia no mercado externo.

Ao adotar o câmbio flutuante, os EUA provocaram uma significativa desregulamentação no comércio

mundial, pois mudou o seu câmbio, mas não apresentou soluções para o câmbio fixo-flutuante, que havia sido

adotado para o mundo na Conferência de Bretton Woods.

Em 1976, na Conferência do FMI na Jamaica, os países mais importantes no comércio mundial legalizam

o câmbio flutuante e para compensar a desregulamentação no comércio internacional, adotam o DES - Desconto

Especial de Saques, uma moeda bancária, calculada pela média ponderada das 16 moedas mais usadas no

comércio. Com isto, conseguiram regularizar alguns aspectos do comércio mundial.

Com a mudança cambial, o FMI perde boa parte de sua importância, portanto, podemos dizer que é o

início do fim da Conferência de Bretton Woods, a única atividade que lhe sobra é de dar assistência aos déficits na

balança de pagamentos, ditando padrões para as políticas econômicas nacionais e monitorando as taxas cambiais

dos países devedores. Socorrendo os países em crise econômica através dos SDRs (Special Drawing Rights), isto

é, direitos especiais de saque, um dinheiro internacional criado pelo FMI, cujo valor corresponde ao movimento

das taxas cambiais das cinco moedas mais importantes dos países-membros: o dólar, yene, marco, franco e a

libra esterlina.

Com a implantação do Banco Central Europeu e a adoção do euro por onze países-membros da União

Européia, em primeiro de janeiro de 1999, o DES - Desconto Especial de Saque passou a ter como critérios o

dólar, o yene, a libra esterlina e o curo, portanto, hoje, são quatro moedas. Se ocorrer a efetivação do euro, sendo

adotado pelos quinze países-membros, como está previsto para 2002, os critérios para estipular o valor do DES

podem mudar novamente.

- 1948 - Avanços na OIT - Organização Internacional do Trabalho.

- 1948 - Criação do GATT - Conferência de Havana.

- Acordo Geral de Tarifas e Comércio, atual OMC - Organização Mundial do Comércio (Reunião de Montevidéu,

1985).

É importante salientar que a idéia era criar a OIC - Organização Internacional do Comércio, mas como os

EUA e a maioria dos países periféricos não concordaram, a solução mais prática foi a criação do GATT. Portanto,

este órgão, em seu início, não era oficial, isto é, não teve a concordância da maioria dos países.

Em 1995, em conseqüência da rodada do Uruguai (1985), o GATT é extinto e substituído pela OMC. É

importante observar que a OMC foi reconhecida pela maioria das nações, mas, até hoje, não foi regulamentado o

comércio mundial.

- 1945 - Criação da ONU - Organização das Nações Unidas, na Conferência de São Francisco.

* Precedida pela Conferência de Yalta e um pouco antes da Conferência de Potsdan, que vieram a redefinir o

papel da Europa na nova realidade mundial.

- 1949 - Criação da OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte (militar).

Para atender ao interesse dos EUA, são criadas gradativamente organizações que sob o seu comando

vão determinar o comportamento do mundo capitalista no confronto com o Império Soviético e seus paísessatélites

na fase denominada bipolarização ou ordem mundial, com todas as suas características, como: expansão

dos monopólios e oligopólios (multinacionais), caracterizando a formação de trustes, cartéis, holdings e a prática

do dumping; término do liberalismo com um fortalecimento do Estado; corrida armamentista e espacial;

desenvolvimento de armas químicas, biológicas e nucleares de destruição em massa, até chegarmos a

tecnologias atuais como a biotecnologia, nanotecnologia, resultando nos produtos transgênicos e nas questões

étnicas sobre os avanços na clonagem.

A década de 80 é considerada a "década perdida". O esgotamento do sistema implantado após a

Segunda Guerra Mundial é bem nítido, pois tanto os EUA como a URSS tinham capacidade de destruir várias

vezes seu inimigo, mas sabiam que se alguém tomasse esta atitude estaria destruindo a si próprio. Não existe

mais a vantagem militar da primeira iniciativa. É nesta situação que se percebe as intransigências dos EUA quanto

a continuar com o Projeto Guerra nas Estrelas e com a não-assinatura do Tratado de Kyoto, mesmo com suas

mudanças, na reunião do G-8, em Gênova-2001.

O mundo teria de mudar, pois os países-potências estavam gastando trilhões de dólares/década para

sustentar uma situação que poderia atingir um ponto irreversível, como a Terceira Guerra Mundial. O primeiro grito

de alerta é dado pela ONU, onde prova que um ano de gastos militares significava, no mínimo, 25 anos sem fome

em todo o planeta. Não podendo esquecer que a maioria das tecnologias, que eram desenvolvidas, eram

consideradas estratégicas, sendo assim, não eram transferidas para a economia normal, a população não tinha

acesso aos novos conhecimentos, nem aos produtos que poderiam ser desenvolvidos deste conhecimento.

Esta situação é acelerada com a implantação de reformas políticas e econômicas na URSS (glasnost,

perestroika) e a exaustão do déficit público e orçamentário norte-americano em conjunto com o déficit da balança

comercial. Neste momento, surge um questionamento para os donos do mundo: o que fazer com a grande soma

de recursos que eram investidos na corrida armamentista, nas atividades geoestratégicas? O que aconteceria com

as inovações tecnológicas das últimas décadas? Será que a economia normal e a população do planeta seriam

capazes de absorver, de forma tão rápida, tudo isto'?

Para que isto ocorresse, era necessário, no mínimo, mudar a estrutura formada no pós-Segunda Guerra e

criar novas relações internacionais, corno o término da bipolarização e o início da globalização acompanhada do

capital volátil, da multipolarização, do retorno dos movimentos migratórios mundiais, das crises especulativas com

o seu efeito dominó ou cascata, dos planos econômicos neoliberais, da redemocratização do Terceiro Mundo, do

desemprego estrutural com o retorno do xenofobismo e do etnocentrismo ou conflitos étnicos, principalmente nos

países que apresentavam melhor qualidade de vida. As novas tecnologias geram excedentes de mão-de-obra.

Enfim, a terceira revolução tecnológica, onde a biotecnologia, a robótica, a automação e a nanotecnologia

reformulam as novas formas de produção, localização e consumo dos produtos industrializados, sem se preocupar

com o lugar de instalação das fábricas - os sistemas de comunicações e transportes facilitam a integração planetária

de forma muito rápida.

Com a globalização, o poder bélico e geoestratégico caem para o segundo plano. Hoje, país-potência é

definido pela capacidade tecnológica, de planejamento, produção, produtividade e competitividade no mercado

global. E não basta para o indivíduo a especialização, é necessário que ele seja qualificado, capaz de assimilar

novos conhecimentos e técnicas para se manter na área produtiva e manter o seu emprego.

Nestes pontos, os EUA não são mais hegemônicos, pois a Europa unificada e o crescimento do Japão em

conjunto com o extremo leste forçam um processo, no mínimo, antagônico. A tendência de globalização acaba

forçando a criação de blocos econômicos, caracterizando uma inédita regionalização, dentro do processo global.

Está sendo formado o novo "jogo de xadrez" nas relações mundiais.

OS MEGABLOCOS E OS BLOCOS SUPRANACIONAIS

1º) União ou Comunidade Européia - UE ou CE

Processo Histórico

A União Européia é o mais antigo e o melhor estruturado entre os 3 megablocos existentes na

globalização. Sua formação resulta da necessidade dos países da Europa Ocidental, no pós-Segunda Guerra, e às

necessidades dos Estados Unidos, que através do Plano Marshall deu início ao processo de contenção à

tendência expansionista soviética neste continente. A base de tudo se deu em 1944 quando foi criado o Benelux -

União Econômica entre a Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Em 1952, foi criada a CECA - Comunidade Européia do

Carvão e do Aço, incluindo ao Benelux, a Alemanha Ocidental (RFA), a França e a Itália, surgindo o Grupo dos 6.

Esta união fica mais fortalecida com a formação do Grupo de Roma, em 1956, formando o MCE - Mercado

Comum Europeu ou CEE - Comunidade Econômica Européia, e a EURATOM - Europa Atômica, sendo que esta

última organização tinha como objetivo desenvolver tecnologia para implantar usinas termonucleares e reduzir as

dependências de importações de petróleo e de carvão mineral pelos países europeus.

Em 1959/60 foi criada e implantada a AELC ou EFTA - Associação Européia de Livre Comércio, unindo o

Reino Unido com os países escandinavos, e é óbvio, para competir com o Mercado Comum Europeu.

Desde a criação do Grupo de Roma, os objetivos deste bloco eram chegar ao máximo de integração

econômica e monetária, defendendo para o futuro o livre trânsito de pessoas, produtos, tecnologia e capital entre

os países-membros, e se possível chegar a um comando central e a uma moeda única, com a visão de criar no

futuro uma estrutura nos modelos de uma união política e econômica. São os princípios quanto à idéia da Casa

Comum Européia.

Nas décadas de 60 e 70, outros membros são incorporados ao MCE, mas a geopolítica mundial, com o

acirramento da Guerra Fria (EUA x URSS), impede um maior avanço em sua organização.

Nas décadas de 80/90, as mudanças internacionais, principalmente com a redução dos riscos de uma

guerra nuclear entre as superpotências, abrem espaço para que propostas mais ousadas sejam retomadas pelos

países europeus.

a) 1986, o Ato único Europeu.

- Proposta de transformação do MCE ou CEE em UE ou CE - Comunidade Européia.

* criação de um banco central (1º/99);

* fortalecimento do Parlamento Europeu (proporcional à população e ao poder econômico/tecnológico de cada

membro);

* criação de uma moeda bancária, o ECU - European Currient Unit - unidade monetária européia - para

posteriormente chegar ao Euro - moeda única da Europa;

* criação da OSCE - Organização de Segurança da Comunidade Européia, que substituiria a OTAN,

exclusivamente, para a defesa do continente.

- Proposta de unificação das leis trabalhistas.

- Eliminação das fronteiras econômicas, respeitando o espaço, o regime e as características políticoadministrativas

de cada país- membro.

- O sonho de unificação do sistema educacional, com o mesmo conteúdo para todos os países, porém respeitando

as culturas regionais.

b) 1991 - Assinatura do Tratado de Maastrich.

- Ocorre a ratificação dos principais tópicos do Ato único Europeu.

- Os países mais pobres - Portugal, Espanha, Grécia, e República da Irlanda (católica) - alegam que ao adotarem

a moeda única, o processo de conversão das moedas nacionais para a moeda única iria prejudicá-los. Além do

lado geopolítico como a perda de um símbolo de nacionalidade ou identidade cultural e histórica.

A solução foi tomar medidas corretivas antes da implantação da União Européia, criando em 1992 o

Tratado do Porto.

c) 1992 - Assinatura do Tratado do Porto.

- Principais medidas:

* União entre o MCE (CEE) e a AELC (EFTA) criando o EEE - Espaço Econômico Europeu.

* Os países mais ricos priorizam seus investimentos na recuperação dos países-membros mais pobres, investindo

em larga escala nos países atlântico, ou mediterrâneos, como Portugal, Espanha, Grécia, centro-sul da Itália, o

famoso Mezzogiorno e na República da Irlanda, a Irlanda católica no arquipélago das ilhas britânicas.

- O Tratado do Porto impõe a todos os países-membros que o déficit público não pode ultrapassar de 3,5% ao ano

a partir de 1997.

- A inflação de todos os países-membros deve ficar no máximo 1,5% acima dos três países-membros com menor

inflação, no ano anterior à avaliação.

- As taxas cambiais devem flutuar, no prazo mínimo de dois anos, dentro das bandas definidas pelo sistema

monetário europeu.

- A dívida pública não pode exceder a 60% do PIB.

Estava avançando o pensamento neoliberal, com o exemplo da Dama de Ferro Britânica, com a proposta

de reduzir a capacidade de influência do Estado na economia, diminuindo o welfare state - isto é, o estado do bemestar

social, provocando queda na qualidade de vida das populações e ressurgindo o etno/xenofobismo, com a

criação de grupos radicais na Europa e, com riscos da ultradireita reconquistar o poder em alguns paísesmembros.

Veja os exemplos atuais na Áustria, Alemanha e França.

d) 1°/1/93 - Início de implantação do Tratado de Maastrich.

- Livre trânsito de pessoas, mercadorias, capital e tecnologia entre os países-membros.

- Resumindo: abertura interna e aumento do protecionismo - fechamento externo. É a globalização com

regionalização sendo colocada na prática.

- Como são medidas que alteram as estruturas de funcionamento das sociedades envolvidas, é necessário

esperar um pouco para ver os seus resultados e se possível corrigir as possíveis distorções que venham a surgir.

- O melhor exemplo desta situação foi o elevado processo de migração das regiões periféricas em direção aos

países centrais, gerando uma super oferta de mão-de-obra, menos qualificada, ao mesmo tempo que os países

centrais estavam entrando para a fase pós-urbano/industrial, onde as novas formas de produção, com novas

máquinas substituindo os trabalhadores, a transferência da 2ª RTC para as periferias estava percorrendo caminho

inverso, este foi um dos principais fatores que acabaram gerando o recrudescimento dos grupos radicais na Europa,

a violência, com assassinatos, sequestros, sem esquecer que as máfias da Europa Oriental aproveitaram para

avançar em direção ao mundo capitalista da Europa Ocidental. Isto acabou forçando alguns países como a

Alemanha, Bélgica, França, etc. para que tomassem o caminho contrário ao proposto pelo Tratado de Maastrich,

fechando suas fronteiras para o livre trânsito dos indivíduos da União Européia.

- 1996 - Tratado de Amsterdã os países da União Européia concordam em preparar as condições para a entrada

dos países remanescentes do ex-bloco socialista, de acordo com a superação da fase de transição; eles serão

absorvidos pela EU, até 2010.

- 1998 - A República Checa, a Polônia, a Finlândia e a Eslovênia, solicitam suas entradas para a União Européia.

O pedido é aceito, mas elas precisam, até serem consideradas membros efetivos, tomar medidas internas,

principalmente na retirada do Estado em suas economias, lembranças do período socialista.

e) 1°/1/99 - Implantação parcial do Euro - moeda única.

- 11 países adotam o Euro, portanto, ainda é uma moeda provisória.

- Reino Unido, Dinamarca, Grécia e Suécia vão adotar o Euro até 2002. Na prática isto não vem ocorrendo. No

último, na realidade no terceiro, plebiscito ocorrido na Dinamarca, a maioria de sua população votou contra a

adoção do Euro pelo país.

f) dez/2000 - Os 15 países da União Européia discutem a inclusão de mais 15 países na organização, são a

maioria dos países remanescentes do ex-bloco socialista do Leste Europeu. Esta inclusão deverá ocorrer de

acordo com as mudanças implantadas pelos países do leste, quanto mais rápido eliminarem o alto poder do

Estado em suas economias, mais rapidamente eles serão incluídos na UE. A União Européia pretende concluir

este processo até o ano de 2010.

g) 1º/1/2002 - Adoção total do Euro.

- Conclusão do Tratado de Maastrich, com pleno funcionamento do megabloco europeu na globalização.

- O Euro passa a circular como dinheiro na forma de notas e moedas para todos os países-membros e para os

países-satélites como Andorra, Vaticano, San Marino e Mônaco.

- Se de fato isto ocorrer, teremos uma união econômica e monetária, que é óbvio resultará, também, numa

unificação política e econômica para a União Européia.

2º) Megabloco do Pacífico ou do Iene

- Este megabloco é considerado informal, pois sua formação resulta da expansão econômica das "ilhas mães" do

arquipélago japonês, que nas últimas décadas foi transferindo capital, tecnologia e indústrias para os países

periféricos ao seu território. Portanto, não existe uma organização formal, são os poderes econômico e tecnológico

do Japão que determinam o seu comportamento.

Apresenta a seguinte formação:

a) Japão - desenvolvido; único país central e portanto do norte.

b) Tigres Asiáticos tradicionais - Coréia do Sul, Formosa, Hong-Kong e Singapura, a partir da década de 70.

c) Novos Tigres Asiáticos (déc. 80) - Indonésia, Filipinas, Tailândia, Malásia, etc.

d) Litoral da China (déc. 80/90) - Implantação das ZEEs - Zonas Econômicas Especiais, no litoral da China

Socialista.

e) Austrália e Nova Zelândia na Oceania.

Para melhor compreensão na evolução deste megabloco e necessário interagir os resultados das

mudanças na sociedade japonesa e a realidade mundial do pós-Segunda Guerra.

Pré-requisitos históricos:

- Até a primeira metade do século XIX, o Japão apresentava uma elevada descentralização de poder, onde a lei

das espadas ou dos samurais é que definiam o espaço de comando de cada família tradicional, os famosos

shogunatos. Na realidade a sociedade japonesa já percebia, devido aos ataques e saques em seu litoral, que ou

mudava seu sistema de governo ou continuaria sofrendo as ameaças dos Impérios Ocidentais, expansionistas e

militarizados da época, inclusive da frota naval norte-americana.

- Na Segunda metade do século XIX, a formação da era ou Dinastia Meiji, muda completamente o quadro

geopolítico da sociedade japonesa, formando um império absolutista, também expansionista e militarizado, a

exemplo dos dominadores ocidentais, entendendo seus domínios econômicos e militares por vasta área do

Continente Asiático até a Segunda Guerra Mundial.

- Com a derrota na Segunda Guerra, o Japão é obrigado a se ocidentalizar, provocando significativas mudanças

na forma de organização de sua sociedade.

1. Fica sob o controle militar norte-americano entre 1945 e 1950.

2. Passa a funcionar como Monarquia Parlamentarista.

3. Não pode ter forças armadas e só pode gastar 1% de seu PIB na organização de uma força de segurança

interna.

4. Fica sob a proteção do guarda-chuva nuclear dos EUA.

5. Os Zaibatsus - monopólios econômicos controlados pelas famílias tradicionais japonesas são colocados na

ilegalidade.

- Os riscos derivados da tendência expansionista Sino-Soviética na região e a guerra na península da Coréia

acabam forçando os EUA e o Mundo Ocidental a ajudar na recuperação da economia do país; surge o Plano

Colombo, com as mesmas características que o Plano Marshall para o continente europeu, mas não com a mesma

grandeza de recursos.

Década de 60 - o Milagre Japonês

Medidas que foram tomadas:

1. Adoção do Neomalthusianismo.

2. Subvalorização do Iene.

3. Poupança interna no estilo "formiguinhas".

4. Utilização de mão-de-obra abundante, barata e com capacitação técnica.

5. Intensa espionagem industrial, desenvolvendo a política do copiar para aperfeiçoar e, se possível, miniaturizar

os produtos industriais ocidentais.

6. Retorno do Zaibatsus com os monopólios de famílias tradicionais ou conglomerados econômicos.

Ao tomar essas medidas, o Japão recupera toda a forma Fordista de produção e, como seus produtos

ficam altamente competitivos no mercado internacional, passa a acumular um superávit na balança comercial,

enquanto a maioria dos demais países desenvolvidos estão aumentando seus déficits. Para desenvolvermos

melhor estas idéias, considere esse momento como o período de reconstrução da Segunda Revolução Técnico-

Científica (2ª RTC).

Década de 70 - fase da expansão econômica para sua periferia

As crises do petróleo, 1973/1979, afetaram de forma significativa a capacidade produtiva do Japão, pois

mais de 95% de seu consumo de petróleo era importado de países-membros da OPEP, principalmente do Golfo

Pérsico, reduzindo sua competitividade no mercado externo e, consequentemente, seu superávit comercial.

Com isso o Japão é o primeiro país a iniciar a implantação da Terceira Revolução Técnico-Científica (3a

RTC) em seu território, ao mesmo tempo que transferia a Segunda Revolução para a sua periferia. Substituindo

muito dos investimentos ocidentais na Ásia, portanto, alguns países que faziam parte do "cordão sanitário" são

transformados nos Tigres Asiáticos ou pequenos dragões, como a Coréia do Sul, Singapura, Taiwan ou Formosa e

o protetorado britânico da ilha de Hong Kong.

É interessante observar que o Japão não muda somente as técnicas de produção, com o uso da robótica,

da informática e da automação, ao iniciar a Terceira Revolução Tecnológica, mas muda também o sistema de

produção, passando do Fordismo para o Toyotismo, isto é, conceitos básicos como flexibilidade, informação e

qualidade rompem com a estrutura fordista de produção capitalista, a rigidez do sistema de produção capitalista

ocidental não suporta as renovações high teck. Acabou a fase de produção com elevado estoque de matériasprimas,

energia, quantidade e especialização do trabalhador; tudo deve funcionar de acordo com as necessidades

do mercado, produção, qualidade, administração e qualificação da mão-de-obra são requisitos integrados e

fundamentais para manter a competitividade no comércio mundial.

Esses territórios se transformam em verdadeiras plataformas ou corredores de exportações, controlados

pelo capital e pelas empresas japonesas. São os famosos NICs

- novos cinturões industriais ou NIPs - novos países industriais. Observe que na língua portuguesa são denominados

de tradicionais, enquanto que na língua inglesa são chamados de novos.

Está sendo criada a estrutura inicial do megabloco que irá surgir no continente asiático.

Década de 80 - os avanços do megabloco

Os Tigres Asiáticos transferem parte da 2ª RTC para a sua periferia e recebem nova remessa de

indústrias com transferência tecnológica do país central (Japão).

Estão sendo criados os Novos Tigres Asiáticos, como a Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas, Vietnã,

etc. também são denominados de NIPs ou NICs; na língua inglesa são chamados de países de recente (newly)

industrialização.

Nessa mesma década, a República Popular da China começa a colocar em prática as suas propostas já

defendidas na década anterior, de "socialismo de mercado" ou "um país com dois sistemas", isto é, uma abertura

econômica localizada onde o Estado permanece com poder centralizado, mas alia-se ao capital internacional para

explorar os recursos naturais e principalmente a mão-de-obra semiescrava e em excesso, que recebe centavos de

dólares por hora trabalhada, além do total cerceamento a liberdades trabalhistas e sociais.

O interior do país permanece sob controle total do Estado.

No litoral são criadas as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), onde leis especiais favorecem a atracão

dos investimentos externos e o "bum" no crescimento econômico.

Principais conseqüências da abertura econômica chinesa

1. Supera o Brasil como o país mais industrializado do Sul (subdesenvolvidos).

2. Aproximadamente 50% dos recursos anuais investidos no Terceiro Mundo vão para as ZEEs, no litoral da

China.

3. Passa a receber investimentos de bilhões de dólares proveniente dos gigantes econômicos, isto é, dos chineses

que vivem em diáspora.

4. Abertura das bolsas de valor em Pequin e em Xangai.

5. Seu superávit comercial, principalmente com os EUA, é de bilhões de dólares ao ano, tornando-se a terceira

população em poder de compra, só superada pela população dos EUA e do Japão. Isto não quer dizer que tenha

melhorado muito a qualidade de vida de seus 1,3 de bilhão de pessoas.

6. Milhares de suas empresas pertencem ao Estado, provocando concorrência desleal, com elevado índice de

pirataria industrial e tecnológica, com prejuízos de bilhões de dólares para as transnacionais.

7. É considerado o país que mais desrespeita os direito humanos, quanto as mulheres, crianças e idosos.

8. É uma potência militar que ainda faz testes nucleares.

9. Mais de 95% das execuções/ano no mundo, dois terço de seu código civil, prevê a pena de morte, inclusive para

a emissão de cheque sem fundo.

Em 1997, a China Popular inicia negociações com os EUA para entrar na Organização Mundial do

Comércio (OMC); no início de 2001 foi aceito o seu pedido, mas sua entrada como membro está condicionada a

exigências quanto a questões econômicas como a espionagem industrial e a pirataria, onde mais de 90% dos CDs

com músicas, jogos eletrônicos e a maior parte dos software são produtos copiados das empresas multinacionais,

gerando bilhões de dólares de prejuízo para estas empresas, além das questões dos direitos humanos, como

execuções das penas de morte, os tratamentos dados às minorias étnicas, às mulheres, crianças e velhos,

combinados com as questões militares como os testes nucleares ainda praticados pelo governo do país.

Atualmente, a grande discussão entre os países e autoridades da OMC, é quanto ao seguinte aspecto: se

a República Popular da China for aceita como membro da OMC, essa entidade pode rasgar os seus estatutos.

Outros defendem que, ruim com ela na OMC, pior sem ela, pois a pirataria industrial e comercial continuaria dando

altos prejuízos para as empresas transnacionais no sistema globalizado.

Década de 90 - as crises econômicas com queda na produção

O Japão entra em recessão econômica, pois os grandes mercados consumidores estão criando suas

próprias estruturas na Terceira Revolução Tecnológica; os mercados europeu e norte-americano estão

fortalecendo suas barreiras protecionistas quanto às importações, reduzindo rapidamente o superávit comercial

japonês.

Com isso, o país é obrigado a aumentar a capacidade de consumo interno, melhorando os salários e

consequentemente o poder aquisitivo de sua sociedade, ao mesmo tempo que avança mais ainda na renovação

tecnológica do sistema de produção, entrando na fase típica atual dos países mais desenvolvidos, que é de

contração das tecnologias de ponta e descontração das atividades mais antigas para a sua periferia. Portanto o

Japão está entrando na fase pós-urbano-industrial.

Em 1996/97, os países asiáticos entram em profunda crise econômica devido a fuga dos investimentos

especulativos, o chamado "efeito saquê" está terminando a bolha especulativa, que tanto favoreceu ao

crescimento asiático nas décadas de 80 para 90.

A Austrália e a Nova Zelândia são incluídas no Megabloco Asiático.

Por ser informal, o Megabloco da Ásia não impede que países em seu interior se organizem em blocos

supranacionais de acordo com suas identidades ou necessidades.

• ASEAN - Associação das Nações do Sudeste Asiático.

Criada em 1967, Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia, com previsão de implantar uma

área de livre comércio até 2003. São países de organização social bastante rígida, considerados cópias não

perfeitas do modelo japonês, pois sofreram processo de industrialização sem tecnologia, com alta dependência

externa; suas economias são controladas pelos gigantes econômicos, isto é, os Chineses étnicos; já a política e o

poder de estado são controlados por elites tradicionais.

• O CER - Acordo Comercial de Relações Econômicas mais Estreitas, substituiu o NAFTA criado na década de 60,

funcionando como área de livre comércio entre a Austrália e a Nova Zelândia.

• A SAARC - Associação do Sul Asiático para a Cooperação Regional, criada em 1993, funciona como área de

livre comércio entre Butão, índia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka.

• A APEC – Ásia - Pacífico Cooperação Econômica - obedece a duas etapas, união dos países industrializados ate

2010 e dos países não industrializados até 2020. Essa organização tem como proposta básica estruturar as

relações econômicas e comerciais entre os países do Pacífico, para aumentar a competitividade com a área do

Atlântico Norte, área secular de maior intensidade comercial e econômica do planeta. De acordo com a proposta,

deve fazer parte da APEC todo o Megabloco Informal da Ásia, mais o NAFTA - Área de Livre Comércio da América

do Norte e mais o Chile.

3º) Megabloco Americano

Com as mudanças ocorridas na década de 80, o esfacelamento da Guerra Fria, os EUA precisam refazer

sua geoestratégia de dominação mundial, pois o poder bélico não se traduz mais no único fator de supremacia, e

os megablocos da Europa e da Ásia estão atuando a pleno vapor na defesa e implantação da nova ordem

mundial. É a etapa capitalista da globalização e da 3ª Revolução Industrial, a famosa Revolução Tecnológica.

O Presidente Reagan inicia o processo ao criar o superdólar, mudando a política econômica interna e

favorecendo a entrada de produtos externos, acelerando a capacidade de consumo da sociedade norteamericana;

é a fase do reaganomics .

No final da década de 80 e início de 90, o Presidente George Bush passa a defender "a iniciativa para as

Américas", com a proposta de uma área de livre comércio para todos os países da América, à exceção de Cuba,

que permaneceria sofrendo o boicote americano; é a proposta de criação do ALCA - Acordo de Livre Comércio

para as Américas.

Na década de 90, ocorre o declínio como importância na produção industrial do Cinturão das

Manufaturas, o grande símbolo da Segunda Revolução, de característica Fordista, às margens dos grandes lagos

e nordeste dos EUA; com suas megalópoles, cidades industriais, e a estrutura fordista de produção passa a ser

chamado de cinturão cinzento ou cinturão das neves. Como características de decadência, o declínio da produção

nesta área expulsa milhões de trabalhadores para novas regiões do território norte-americano. Há um declínio na

produção industrial, mas não podemos esquecer que é nessa área que encontramos a maior concentração de

escritórios centrais das grandes empresas norte-americanas, bem como a maior concentração de financeiras e a

maior bolsa de valores do Mundo.

Ao mesmo tempo que assistimos ao crescimento vertiginoso do símbolo da Terceira Revolução

Tecnológica, o denominado Cinturão do Sol, com o desenvolvimento do Vale do Silício na Califórnia, o Golfo do

Texas, na recuperação econômica de Houston e de Nova Orleans, o Noroeste com as cidades de Seatle e

Portland, além da explosão econômica na área de diversão, jogos, parques temáticos e turismo, principalmente na

Península da Flórida.

Enquanto nas atividades industriais mais antigas começa a substituição da forma de produção pelas

novas máquinas, gerando excedente de mão-de-obra, nas atividades da terceira revolução, há carência de

trabalhadores qualificados, forçando na necessidade de se recrutar mão-de-obra qualificada em todo o mundo,

para atender a carência na área de pesquisas e desenvolvimento de novas técnicas e produtos na área de

tecnologia de ponta, nos países desenvolvidos.

Não resta dúvidas. O país que mais reduziu a taxa de desemprego, diminuiu a violência de uma forma

geral e elevou a capacidade de consumo de sua sociedade a níveis nunca imaginados foram os EUA na década

de 90. Como exemplo, podemos afirmar que na segunda metade da última década, os EUA cresceram uma

economia brasileira a cada dois anos. É óbvio que entraria em queda de produção a partir do momento que

reduzisse os juros internos e isto já começou a acontecer com a posse do novo presidente, no início de 2001.

Na verdade, o governo americano está defendendo o retorno da "Doutrina Monroe" e o abandono das

doutrinas "Truman" e "Nixon", aumentando seu domínio sobre o continente e tentando bloquear a invasão dos

produtos europeus e asiáticos. Mas, em hipótese alguma, admite avançar além do livre comércio com os seus

parceiros americanos, pois não admite reduzir a suas barreiras alfandegárias e nem discute quanto ao poder de

interferência da lei Super 301, que protege as suas multinacionais no mundo.

Na impossibilidade de implantação rápida do ALCA, pois o congresso norte-americano não autoriza o

ajuste rápido (fast track), os países Latino-Americanos mais importantes, principalmente o Brasil, contestam o

conteúdo da proposta por não incluir questões sociais e somente econômicas; os EUA elaboram um projeto

alternativo, criando o NAFTA - Mercado Livre da América do Norte, unindo-se com o Canadá e o México, podendo

ser classificado como megabloco pela sua grandeza econômica, populacional e territorial, além de envolver dois

países do norte e um do sul.

a) 1992 - O Congresso norte-americano autoriza o fast track, isto é, o "ajuste rápido", permitindo a criação do

NAFTA.

b) 1°/1/94 - Início de implantação do NAFTA.

De imediato 50% dos produtos passam a ser negociados livremente, fazendo com que o México

acreditasse que estava abrindo as portas do primeiro mundo para logo depois sofrer a Revolta de Chiapas - com o

surgimento do Movimento Zapatista de Libertação Nacional, resultando em momento de convulsão interna e

automática fuga do capital volátil, tendo como conseqüência o famoso efeito tequila no ano de 1994/95, quando

o país entra em estado de liquidez, precisando de ajuda internacional de 51 bilhões de dólares.

O ALCA - Acordo de Livre Comércio das Américas.

- A proposta norte-americana é de iniciar a sua implantação a partir de 2003, lembrando que o Congresso norteamericano

reluta em autorizar o fast track e, caso o ALCA seja implantado a partir de 2003, irá prejudicar a

conclusão do Mercosul. Com isso, o Brasil procura aliados na tentativa de manter a implantação do ALCA a partir

de 2005, pois acredita que o Mercosul estaria mais fortalecido.

- A proposta do ALCA é de criar uma área de livre comércio para toda a América, exceto para Cuba, por isso é

bom não confundir com a idéia de mercado comum, pois zona de livre comércio não permite o livre trânsito de

pessoas, capital, tecnologia e mercadorias e nem propõe a unificação de tarifas e impostos entre os paísesmembros.

Em 1994, a primeira cúpula das Américas, reunida em Miami, EUA, definiu como meta o ano de 2005

para o aumento da integração, por meio da ALCA - Área de Livre Comércio das Américas.

Em março de 1998, na reunião de San José, Costa Rica, os países latino-americanos conseguem separar

o setor agrícola de atividades como o aço e a indústria de automotores; é uma vitória do Mercosul, contrariando os

interesses dos EUA e do Canadá. Formando um grupo específico de negociações para este setor, que ficou sob a

presidência da Argentina e de El Salvador, enquanto o grupo de estudos sobre subsídios, anti-dumping e direitos

compensatórios ficou presidido pelo Brasil.

Em 1999, ocorre a Segunda Cúpula das Américas, em Santiago do Chile, onde o único fato importante foi

a declaração do Presidente norte-americano quanto aos obstáculos para implantação da ALCA, pois o Congresso

dos EUA não havia autorizado o ajuste rápido.

Nos dias 20, 21 e 22 de abril de 2001, na Confederação do Canadá, na Província de Quebec, cidade de

Montreal acontece a Terceira Cúpula das Américas. A principal decisão foi a ratificação do ano de 2005 para início

de implantação da ALCA.

Mas ao mesmo tempo libera para que todos os países negociem a implantação de áreas de livre comércio

até 2005; cota isso, na prática, a Alca já está sendo implantada.

Deve ser observado que ocorreu a Reunião dos Povos Americanos, os antiglobalização, nos dias 18, 19 e

20 neste mesmo local. O mesmo processo que aconteceu em Gênova - Itália, em julho de 2001.

A Organização Mundial do Comércio (OMC)

Após a depressão de 1930, muitos países recorreram a diversos tipos de barreiras comerciais que

protegiam as atividades econômicas locais da concorrência estrangeira: tarifas elevadas, restrições quantitativas,

controle do câmbio, restrições sanitárias, etc.

A fim de evitar a continuidade dessas restrições ao comércio, que segundo a teoria econômica diminui o

nível de bem-estar das nações envolvidas, foi previsto, após a Segunda Guerra Mundial, criar-se uma organização

que teria corno finalidade a redução dos obstáculos ao intercâmbio comercial, a elaboração de um código de

normas comerciais, bem como atuar como um instrumento de ação internacional no campo do desenvolvimento do

comércio internacional.

Em 1948 foi criado uni Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (General Agreement on Tariffs and

Trade - GATT), que passou a constituir o único instrumento norteador das regras do comércio internacional.

Em dezembro de 1993 foi encerrada a Rodada Uruguai, que desde 1985, vinha sendo discutida. Esta

reunião abordou, principalmente, uma redução geral das tarifas de importação. Em 1º de janeiro de 1995, o

GATT foi sucedido pela Organização Mundial do Comércio - OMC. É importante observar que o regulamento

para normatizar o comércio internacional não foi aprovado pelos países-membros; portanto o comércio

internacional encontra-se desregulamentado.

Embora unidos seus objetivos seja a eliminação do tratamento discriminatório no comércio internacional,

ele não proíbe a formação de blocos econômicos ou aduaneiros que objetivem a remoção de barreiras ao

comércio entre países participantes desses blocos.

São esses os principais blocos econômicos mundiais:

União Européia

Em janeiro de 1948 foi criada a Organização Européia de Cooperação Econômica, em conseqüência

da reconstrução econômica dos países da Europa após a Segunda Guerra Mundial, com apoio do Plano Marshall.

Em 1952, foi constituída a Comunidade Européia do Carvão e do Aço, que eliminou, para o carvão, o aço e o

minério de ferro, todas as restrições comerciais entre Bélgica, Holanda e Luxemburgo (que formavam o Benelux),

Alemanha Ocidental, França e Itália.

Em 1955, foi estruturada a Comunidade Econômica Européia (CEE), também conhecida por Mercado

Comum Europeu, formalizada pelo Tratado de Roma, que entrou em vigor em 1958. Com o tempo foram

ingressando outros países da Europa. Em linhas gerais, são esses os objetivos visados pelo Tratado de Roma:

- eliminação de direitos alfandegários entre os países-membros;

- estabelecimento de tarifa e de política comercial comuns em relação aos países não-membros;

- eliminação de obstáculos à livre movimentação de pessoas, serviços e capitais;

- coordenação das políticas econômicas dos países-membros; etc.

Em 1992 foi firmado o Tratado da União Européia, também conhecido como Tratado de Maastricht, que

estabelece a integração total até 1999. São os seguintes os países-participantes: Áustria, Bélgica, Grã-Bretanha,

Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal, Espanha e

Suécia.

Associação Européia de Livre Comércio - AELC

Foi constituída em 1959 para uma maior cooperação entre os países da parte norte da Europa Ocidental

(países escandinavos), com o objetivo de fazer concorrência ao Mercado Comum Europeu. Tem como objetivo a

liberdade de comércio e a ampliação dos mercados por meio da abolição progressiva das tarifas de

importação.

Dela fazem parte a Áustria, Finlândia, Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suécia e Suíça.

Associação Latino-americana de Livre Comércio - ALALC

Em 1960 foi constituída a Associação Latino-Americana de Livre Comércio - ALALC, pelo Tratado de

Montevidéu, compreendendo a Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru,

Uruguai e Venezuela.

Os objetivos de eliminação de barreiras comerciais e formação de um amplo mercado comum foram

prejudicados pelos seguintes fatores: instabilidade política em diversos países, espírito de soberania nacional,

ausência de uma autoridade supranacional, ausência de economias complementares, alto grau de divergência de

custos. De novo a questão de economia monótona, pois são países subdesenvolvidos.

Esses problemas levaram à criação, em 1980, da Associação Latino-americana de Integração -

ALADI, com os mesmos países signatários da ALALC e com o mesmo objetivo de criação de um mercado

comum latino-americano.

Mercado Comum Centro-Americano - MCCA

Criado em 1960 e constituído por Guatemala, EI Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica. Portanto

com os principais países da América Central Continental.

Mercado Comum do Caribe - CARICOM

Criado em 1968, inicialmente como Associação de Livre Comércio do Caribe, é constituído hoje por

Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Jamaica, Montserrat, São Cristóvão

e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago.

Acordo de Livre Comércio da América do Norte - NAFTA

Em 1989 entrou em vigor o Acordo Comercial entre os Estados Unidos e o Canadá, objetivando criar uma

zona de livre comércio. Em 1992 houve o ingresso do México e a adoção do nome atual, com vigência a partir de

1994. Há previsão de eliminação das barreiras comerciais em 15 anos.

DEMOGRAFIA

O crescimento demográfico, a realidade econômica e política atuais

Em outubro de 1999, de acordo com a ONU, o crescimento demográfico alcançou o número de 6 bilhões

de habitantes no planeta.

Detalhando este assunto, chegamos ao seguinte resultado:

• 1,5 bilhão de pessoas estão nos países do Primeiro Mundo.

• 4,5 bilhões de pessoas estão nos países do Terceiro Mundo.

Nas últimas décadas permaneceu um elevado crescimento populacional nos países pobres, enquanto os

países ricos adotaram a política demográfica neomalthusiana. Com isso, há uma tendência de ficar cada vez mais

desequilibrada a relação numérica e qualitativa entre os dois blocos de países.

Como não é interessante para a economia mundial a quantidade, mas sim a qualidade dos consumidores,

para os novos produtos, as ameaças de revoltas e de invasões das populações do Terceiro Mundo nos territórios

dos países do Primeiro Mundo, os governantes mais importantes do planeta começam a elaborar um projeto para

reduzir a taxa de natalidade no Terceiro Mundo.

Em 1995 ocorreu a Conferência do Cairo (Egito) para a discussão sobre o processo de desenvolvimento e

crescimento das populações, é óbvio, do Terceiro Mundo.

Em resumo, nessa Conferência os países mais ricos, principalmente o Grupo dos 7 (G-7), donos de 65%

da economia do planeta, se ofereceram para financiar a implantação de um projeto para conter a taxa de

natalidade no mundo.

No fundo era o interesse desses países:

• reduzir a fecundidade e a fertilidade das mulheres;

• essa redução provocaria um aumento na qualidade de vida das famílias mais pobres;

• seria menor o excedente populacional no Terceiro Mundo, que automaticamente reduziria os custos dos países

ricos em doações humanitárias, nos empréstimos e financiamentos de riscos e nas imigrações;

• aumentaria a capacidade de consumo das populações da América Latina, África e Ásia Tropical, aumentando o

lucro das transnacionais e de suas filiais. Não é de graça que surgem os discursos condenando a pobreza.

Obs.: É a partir desta Conferência que despontam as idéias dos ecomalthusianos, uma dissidência dos

neomalthusianos .

Oficialmente, essa proposta não é aprovada na Conferência do Cairo, pois os fundamentalismos

religiosos (Vaticano, Islã), se juntam e derrotam a proposta do G-7.

Proposta derrotada, proposta implantada, pois os países ricos atrelam a ajuda econômica, financeira e

tecnológica para o Terceiro Mundo, às imposições de que estes últimos implantem medidas de proteção e

preservação ambiental, contenção do crescimento demográfico e facilitem a entrada do capital, das empresas e

dos bancos internacionais.

Obs.: Em 1999 aconteceu, no Uruguai, a Cairo 5, que também fracassou nessa proposta.

Na reunião do G-8, em Gênova, ficou decidida a ajuda de bilhões de dólares para socorrer os países mais

pobres quanto aos avanços das doenças endêmicas e pandêmicas, principalmente para a África e a Ásia tropical.

Não é o suficiente, mas pela primeira vez, os países mais ricos se reúnem e tornam decisões de cunho social.

Tópicos do História e da Geografia atuais

A década de 70 caracterizou-se pelo início de esgotamento da estrutura de domínio implantada no pós-

Segunda Guerra. A Guerra Fria não tinha mais como ser sustentada, pois os gastos com a corrida armamentista

escaparam da área ideológica que envolvia as duas superpotências, e começavam a afetar a economia,

principalmente o comércio mundial. Além de outras situações como as crises do petróleo em 1973/1979, a reação

da Polônia contra o poder de Moscou, criando o Solidariedade. Menos comentados sobre a época, mas de

fundamental importância para compreendermos estas mudanças e seus resultados nas décadas seguintes são os

fatos posteriores:

a) Os EUA percebem que apesar de toda a tecnologia, poder bélico e capacidade de sua força armada estão

sendo derrotados no Vietnã. Esta derrota militar resulta numa derrota quanto à opinião pública mundial, e principalmente

quanto à opinião pública da sociedade norte-americana, despencando no escândalo do Watergate, que

acaba forçando Nixon a renunciar à presidência dos EUA.

Percebendo esta derrota, e antes da renúncia do presidente, os EUA abandonam os princípios

econômicos da Doutrina Truman e adota a Doutrina Nixon, substituindo o câmbio, dólar - ouro/fixo, pelo câmbio,

dólar flutuante - os EUA não assumem mais a equivalência dólar-ouro, ao mesmo tempo que eleva os juros

internacionais, resultando num inchaço das dívidas externas do Terceiro Mundo e provocando um esgotamento

dos regimes autoritários, principalmente na América Latina, África e Ásia Tropical. Era o desgaste da "Operação

Condor".

b) A URSS começa a Guerra do Afeganistão. Rapidamente, podemos dizer que esta guerra significou o "Vietnã"

para a União Soviética, respeitando, é óbvio, as características próprias dos envolvidos. A derrota fragorosa dos

soviéticos acelerou o fim do socialismo real, ao mesmo tempo que utilizando como justificativa o fundamentalismo

islâmico. O Talibã conquista o poder no Afeganistão, e revela para o mundo em até que ponto o radicalismo ou

extremismo pode chegar.

Um pouco diferente do Vietnã, a posição geográfica do Afeganistão é mais do que importante para o

mundo globalizado, pois é uma das áreas fundamentais para a integração entre a Europa e a Ásia. E com o

término do socialismo real (URSS), o grande confronto atual é entre a tendência global do capitalismo e o mundo

islâmico que aumenta rapidamente.

Somando estes e outros fatores, a URSS chega na década de 80 (a década perdida), com um

agravamento da sua situação interna, sendo obrigada a implantar a Perestróika (reestruturação econômica) e a

Glasnost (trans parência política). Tentando sobreviver como superpotência entra por um processo inicialmente

lento e gradual, mas que acaba fugindo do controle do Estado, até que em 25 de dezembro de 1991, desaparece

como estado-nação organizado à figura da União Soviética. É o término da transição, pois acaba a Guerra Fria e

continua avançando a globalização.

Término oficial, pois com a perestróika e a glasnost, Gorbachev já declarava que a URSS não era mais

expansionista-militarizada, acabando com a Guerra do Afeganistão (1985) e não se opondo militarmente, e nem

deslocando suas forças militares para as futuras guerras (Golfo, Iugoslávia, etc.). Ao mesmo tempo que cancelava

a sua ajuda para que Cuba, Vietnã, Coréia do Norte, etc., continuassem pressionando o mundo capitalista.

Com isso, o grande capital e a tecnologia de ponta perdem o seu centro de aplicação, pois com a queda

da corrida armamentista, os estoques de armas ficam abarrotados, provocando uma queda no consumo mundial e

na produção bélica do mundo ocidental, devido ao sucateamento do Exército soviético. O contrabando de armas

do bloco extinto por um preço inferior ao do mercado e o “tráfico" de cérebros, pois uma significativa parcela dos

técnicos, cientistas e especialistas são atraídos do ex-bloco socialista para os países do Terceiro Mundo.

O grande capital não pode ficar parado e, junto com a tecnologia de ponta, deslocam para a nova

economia globalizada boa parte dos investimentos que estavam concentrados na corrida armamentista. É a

chegada da Terceira Revolução Tecnológica, onde a biotecnologia, a manotecnologia, a robótica, a informática e a

industrial, ao mesmo tempo que reduz a necessidade de mão-de-obra não-qualificada na automação provocam um

aumento significativo na capacidade de produção, produtividade, diversidade de produtos e competitividade,

atividade terciária, provocando um crescimento rápido no comércio mundial, substituem o poderio bélico como

sinônimo de país-potência do Norte.

As organizações, criadas no pós-Segunda Guerra, de planejamento, pesquisa, controle e financiamentos -

como o BIRD, o BID, o FMI e o GATT - à exceção do GATT, não desapareceram mas precisaram, no mínimo, ser

reestruturadas para a nova realidade mundial.

O grande capital se desnacionaliza, surgindo, em conseqüência do câmbio, dólar flutuante, uma

desregulamentação do comércio mundial, e a famosa figura do capital volátil (especulativo, rotativo, hot money,

etc.), que salta de uma economia para outra, de acordo com seus interesses do lucro pelo lucro. É o avanço da

ciranda financeira, sujeitando os países pobres aos seus caprichos e provocando o processo cascata ou

dominó que resulta no efeito tequila (México), vinho (Argentina, Chile), samba ou cachaça (Brasil), saquê (Tigres

Asiáticos) e vodka (Rússia).

Demonstrando que as organizações oficiais, e inclusive os bancos centrais dos países do Norte, não são

capazes de reter uma crise econômica, tornando-a localizada como era até a década de 70/80. No mundo

globalizado uma crise econômico-financeira acaba afetando todos os países, alguns pela fuga, outros pelo

excesso de moeda forte.

REVOLUÇÕES INDUSTRIAIS

Na verdade, a denominação "revoluções industriais" também pode ser interpretada como um processo

contínuo de transformações, ou seja, uma única revolução, onde em alguns momentos históricos acontece uma

maior velocidade no desenvolvimento tecnológico, criando assim uma certa instabilidade econômica que vai refletir

e provocar mudanças nas variáveis políticas, social e ambiental de uma sociedade, provocando mudanças na

Divisão Internacional do Trabalho (DIT), e na forma de relacionamento entre os países ricos e pobres.

1) Primeira revolução industrial:

Resultou na passagem de uma sociedade rural e artesanal para uma sociedade urbano-industrial.

Aconteceu na segunda metade do Século XVIII, na Inglaterra, expandindo-se a partir do Século XIX para outros

países europeus e finalmente atingiu os EUA, Japão e Rússia.

Pode ser chamada de industrialização clássica.

a) Causas da revolução:

• acumulação de capitais;

• transformações na área rural;

• reformas religiosas;

• controle econômico e político pela burguesia;

• as invenções mecânicas e o uso de fontes de energia modernas.

b) Conseqüências da revolução:

• crescimento demográfico;

• crescimento das cidades;

• excedente de produção industrial;

• imperialismo e neocolonialismo;

• liberalismo, livre concorrência, propriedade privada;

• contrária a intervenção do Estado na economia, mas fortalecendo o desenvolvimento do Estado nacional

moderno;

• predomínio de pequenas e médias empresas.

2) Segunda revolução industrial:

Os países da primeira revolução industrial alcançaram um patamar mais avançado com novas indústrias,

tecnologias e fontes de energia. Enquanto transferem gradativamente as indústrias mais antigas, que consomem

muita matéria-prima, energia e mão-de-obra, para os países mais pobres, resultando no processo de industrialização

tardia ou retardatária, com maior destaque no pós-Segunda Guerra Mundial.

Países como Brasil, Argentina, México e Chile na América Latina, África do Sul e Egito na África, Coréia

do Sul e índia na Ásia passam por uma fase de modernização industrial, tornando-se cada vez mais dependentes

e endividados.

a) Principais causas da segunda revolução industrial:

• o crescimento da concorrência entre os impérios;

• a constante revolução tecnológica, gerando novos produtos.

b) Principais conseqüências da segunda revolução:

• mudanças do centro de poder mundial;

• conflitos entre os sistemas socioeconômicos;

• mudanças na DIT - Divisão Internacional do Trabalho;

• maior dependência dos países periféricos - dívidas;

• criação de monopólios e oligopólios - multinacionais;

• forte poder de intervenção do Estado;

• explosão demográfica no Terceiro Mundo.

Terceira Revolução Técnico-Científica (3° RTC)

Há uma significativa divergência entre os principais autores quanto ao momento em que se iniciou a 3'

RTC. Alguns até consideram que não há mais de uma revolução industrial, outros indicam esta mudança a partir

da Primeira Guerra Mundial, outros a crise de 29, outros falam em 3º RTC com início no pós-Segunda Guerra e os

mais recentes alegam que esta revolução técnico-científica teve seu início na década de 80 e que avançou pela

década de 90. Com a extinção do período bipolar, da corrida armamentista que caracterizou o confronto

ideológico entre o capitalismo e o bloco soviético (Oeste x Leste).

Há o retorno do pensamento liberal, e fica mais calma a relação Norte-Sul.

O importante é observar que estão ocorrendo mudanças estruturais no funcionamento das atuais

sociedades devido aos avanços da biotecnologia, a nanotecnologia, robótica e informática, provocando uma nova

relação nas formas de dependência, produção, produtividade, tipo de capital (volátil), desregulamentação do

comércio mundial e na Divisão Internacional do Trabalho (DIT), entre outras variáveis.

1) Características da 3º RTC

- Tendência de Globalização com:

• Intenso processo de fusão entre megaempresas.

• Desemprego estrutural, com as novas tecnologias criando máquinas, instrumentos e técnicas, que substituem

boa parcela do trabalho humano no sistema de produção.

• Tendência de fortalecimento do xenofobismo - etnocentrismo, como forma de reação ao desemprego e à

internacionalização da economia.

• Crises econômicas como os efeitos tequila (México), samba (Brasil), saquê (Tigres Asiáticos) e vodka (Rússia),

provocando o efeito dominó ou cascata, devido ao capital volátil.

• Formação dos megablocos e blocos econômicos supranacionais, como nova característica de regionalização

(Nafta, União Européia, Pacífico e Mercosul). Intensificando as relações entre os países-membros e fortalecendo o

protecionismo externo.

• Os avanços nas comunicações internacionais e nos sistemas de transportes, resultantes das novas tecnologias

de ponta, reduziram os fatores determinantes para as necessidades de concentração industrial, pois as

megaorganizações econômicas buscam as matérias-primas, os recursos energéticos e a mão-de-obra onde eles

estiverem mais disponíveis, e o mercado consumidor é global. Procurando uma descontração das fábricas mais

antigas ao mesmo tempo que concentra áreas da tecnologia atual.

Exemplo: Brasil.

- Descontração: da Grande São Paulo para o interior do Estado paulista, mais MG, ES, PR, RS, BA, PE e CE

- Contração: Informática em Campinas (SP), Espacial em São José dos Campos (SP).

EUA: Vale do Silício na Califórnia, centro principal do Cinturão do Sol (Sun Belt) americano.

A 3ª RTC é caracterizada pelo domínio do pensamento neoliberal, cujo principal fator é a defesa do

Estado mínimo, isto é, um Estado reduzido, forçando a privatização das empresas estatais no Terceiro Mundo,

com reestruturação e criação de novas organizações no Estado, cujo papel é mais de regulador e fiscalizador da

economia, a exemplo das agências nacionais (ANATEL, ANA, ANP, ANS, ANEEL) no Brasil.

Observação: até o momento esta nova ordem mundial não trouxe vantagens para os países periféricos ou

modernizados como o nosso. É só observar que nos últimos seis anos, a nossa dívida interna saltou de 60 bilhões

para mais de 700 bilhões de dólares e a nova dívida externa duplicou de próximo de 170 bilhões para mais de 380

bilhões de dólares neste mesmo período. Não esquecendo que a dívida interna mais os encargos da dívida

externa afetam tanto as condições sociais como ambientais de um país.

INDUSTRIALIZAÇÃO

EVOLUÇÃO HISTÓRICA E PRINCIPAIS SETORES

Conceito

Indústria pode ser entendida como ato de transformar matérias-primas em bens de produção e de

consumo.

PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA

% por setores

1 . China 5. Japão

2. ex-URSS 6. Brasil

3. EUA 7. Hungria

4. Reino Unido 8. Argentina

Tipos de Indústria

De um modo geral, as indústrias podem ser divididas em:

mineral

extrativas

vegetal

bens de produção

transformação duráveis

bens de consumo

não duráveis

a) Indústrias extrativas: extraem produtos sem alterar suas características.

b) Indústrias de transformação: são as que convertem as matérias-primas obtidas da natureza em objeto útil

para o homem. Dividem-se em bens de produção e bens de consumo.

c) Indústrias de tecnologia de ponta e a bélica: envolve robótica, informática e armamentos.

d) De base ou pesada:

Quando se preocupa em obter bens de produção ou de capital. São exemplos deste tipo de indústrias as

máquinas, geradores, turbinas, etc.

e) Leve ou de bens de consumo:

Duráveis e não-duráveis.

Bens de Produção

São também chamados de bens de capital, bens de equipamento, indústrias pesadas e indústrias de

base. São indústrias que produzem "produtos" (matérias-primas e equipamentos) para outras indústrias. Exigem

grande investimento. Ex.: siderurgia, metalurgia, mecânica, naval, etc.

Bens de Consumo

São indústrias que produzem "produtos" voltados diretamente para o consumo da população. Essas

indústrias produzem bens de consumo duráveis (eletrodomésticos, automóveis, eletrônicos, móveis, etc.) e nãoduráveis

(remédios, bebidas, alimentos, vestuário, etc.).

FONTES DE ENERGIA

As fontes de energia são elementos que podem contribuir para a realização do trabalho. O homem utilizou

para isso o seu esforço muscular ou animais domesticados, posteriormente, a energia do vento (eólica) e a

hidráulica (aproveitando os rios). Foi com a Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII e no século

XIX, que surgiram as máquinas modernas movidas a energia elétrica obtida da queima do carvão, do petróleo

(usinas termelétricas), da força das águas (hidrelétricas) e, mais tarde, da fissão do átomo (usinas nucleares).

Finalmente, outras fontes alternativas foram surgindo, temendo-se o esgotamento das fontes não-renováveis.

Devemos destacar que as fontes de energia estão relacionadas ao tipo de economia, pois quanto mais

industrializada for, maior será o seu consumo energético. A expansão econômica e social verificada no País, no

decorrer das últimas décadas, vem exigindo importante desenvolvimento da nossa infra-estrutura, notadamente do

setor energético.

Petróleo

64% 13% 7% 4% 4% 4% 2%

Oriente

Médio

América

Latina

África Rússia América

Do Norte

Ásia e

Oceania

Europa

A pesquisa de jazidas petrolíferas é feita no Brasil desde meados do século passado, por iniciativa

privada. Só em 1907, com a criação do Serviço Geológico e Mineralógico, o governo começou a se preocupar com

este programa, passando, a partir de 1919, a fazer pesquisas infrutíferas, por serem realizadas com técnicas e

equipamentos deficientes. Na década de 30, alguns resultados começaram a surgir, principalmente com a

perfuração do poço Lobato, na Bahia, o primeiro aberto no País.

Em vista das condições políticas nacionais e da grande importância do petróleo, em 1938 foram

nacionalizadas as jazidas petrolíferas. Nesse mesmo ano, foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP),

principalmente na Bahia, iniciando-se a fase de comercialização.

Em 1953, foi criada pelo governo a organização Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras). É uma sociedade

mista, com participação estatal de 51%.

Passaram, dessa data em diante, a ser monopólio da Petrobras:

• pesquisa e exploração das jazidas;

• refinação (com exceção das refinarias particulares já instaladas);

• transporte de petróleo bruto e dos oleodutos;

• importação de petróleo bruto e derivados.

A partir de 1953, a Petrobras conseguiu desenvolver-se gradativamente em todos os setores petrolíferos:

pesquisa, exploração, refinação, transporte e distribuição. Em 1976, com a assinatura de contratos de risco com a

Shell, Elf, British Petroleum e Exxon, o setor de pesquisa e exploração foi aberto à participação de empresas

privadas.

Exploração

As bacias de possível exploração de petróleo no Brasil são:

• Bacia Amazônica;

• Bacia Litorânea;

• Bacia Paranaense;

• Bacia Recôncavo Baiano.

Principais áreas produtoras continentais:

• BA - Recôncavo Baiano: poços de Miranga, Água Grande, Buracica, D. João, Taquipe, Candeias;

• AL - Poços de Coqueiro Seco e Tabuleiro do Martins;

• SE - Poços de Carmópolis, Brejo Grande, Riachuelo e Treme;

• MA - Barreirinhas;

• AM - Vale Médio do rio Amazonas.

Produção no Brasil

Em 1996 a produção foi de, em média, 850 mil barris por dia. Isso representa aproximadamente 60% do

petróleo consumido diariamente; o restante é importado.

Atualmente, cerca de 70% do petróleo extraído no Brasil vem das plataformas marítimas, sendo a

principal área produtora, a Bacia de Campos. No continente, é a do Recôncavo Baiano.

Refinação

Atualmente, a Petrobras tem onze unidades de refino, com capacidade para processar 1,4 milhões de

barris/ dia.

Embora a Petrobras, com a Lei n.º 2.004, tenha recebido o monopólio do refino, o Governo manteve as

autorizações concedidas a grupos privados antes daquela lei. A atual quebra do monopólio permitirá que outras

empresas do ramo possam participar de todo o processo petrolífero. O objetivo principal da quebra do monopólio é

buscar a auto-suficiência do produto, objetivo traçado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Eis a razão da existência de duas refinarias particulares: Ipiranga (RS) e Manguinhos (RJ), ambas de

pequeno porte.

As principais refinarias da Petrobras são:

• Mataripe - Landulfo Alves (BA);

• Cubatão - Presidente Arthur Bernardes (SP);

• Duque de Caxias - Duque de Caxias (RJ);

• Betim - Gabriel Passos (MG);

• Canoas - Alberto Pasqualini (RS):

• Paulínea - Replan (SP);

• Manaus - Reman (AM), na qual a Companhia Estatal de Petróleo do Peru, a Petroperu, tem refinado parte de sua

produção;

• Araucária - Refar(PR) - Refinaria Getúlio Vargas;

• Henrique Lage - REVAP (S. José dos Campos - SP);

• União - Capuava (SP);

• ASFOR - Fábrica Nacional de Asfalto de Fortaleza (CE).

Observação:

A Petrobras exporta diversos derivados de petróleo, como: óleo combustível, gasolina, querosene para

avião, óleo diesel e outros, principalmente para Nigéria, EUA, Argentina, Holanda e outros países.

Transporte - Oleodutos

• Transporta o óleo bruto da jazida à refinaria. Exemplo: Aracaju - Bahia.

• Transporta o óleo dos terminais marítimos à refinaria. Exemplo: São Sebastião - Cubatão.

- Transporta os produtos já refinados, até os postos de armazenagem para distribuição. Exemplo: Cubatão -

Capuava (SP).

Neste último caso, por um único oleoduto são transportados dois ou três produtos, desde que apresentem

densidades diferentes.

Esse transporte é feito por bombeamento controlado por "casas de bombas" que se comunicam com a

refinaria e levam, assim, o produto ao local destinado. Essas casas estão distribuídas a cada quilômetro, de

acordo com a topografia do local, mas ou menos acidentada, em maior ou menor número de casas.

O custo operacional dos oleodutos é muito baixo, por isso outros estão sendo programados.

• FRONAPE: Frota Nacional de Petroleiros, contando atualmente com 69 navios.

• Esses navios atendem ao comércio interno, transportando petróleo dos países exportadores e fazem fretes para

terceiras bandeiras, se bem que sejam em pequeno número.

• Os portos que comercializam o petróleo são os terminais marítimos, que já possuem oleodutos para a condução

do produto até o local desejado dentro do País. No Brasil, seis são importantes:

• Bahia - Terminal Alves Câmara;

• São Paulo - Terminal Almirante Barroso (São Sebastião);

• Rio de Janeiro - Terminal Almirante Tamandaré;

• Sergipe - Terminal de Atalaia Velha;

• Rio Grande do Sul - Terminal Soares Dutra;

• Santa Catarina - Terminal de São Francisco do Sul.

Distribuição

O setor de distribuição dos derivados não é monopólio da Petrobras. Existem várias empresas nacionais e

estrangeiras operando neste setor.

A participação da Petrobras neste ramo é de aproximadamente 20%, com uma rede de postos de

distribuição muito grande e quatro companhias nacionais com um número de postos muito inferior.

As principais empresas estrangeiras são:

• Esso Brasileira de Petróleo S.A.;

• Shell do Brasil S.A.;

• Texaco do Brasil S.A. Produtora de Petróleo;

• Cia. Atlantic de Petróleo.

Observação:

Os postos estão distribuídos por todo o Brasil.

As principais empresas nacionais são:

• Petrobras Distribuidora S.A.;

• Distribuidora de Petróleo Ipiranga;

• Petrominas;

• Cia. São Paulo Distribuidora de Derivados de Petróleo.

Consumo

No início de 1992, o consumo diário era de 1.200.000 barris/dia; em 1999, o nosso consumo atingiu a cifra

de 1,4 milhão de barris/dia, enquanto a nossa produção se aproximou de 1,1 milhão de barris/dia.

Carvão mineral

Sabemos que o hemisfério sul é pobre em carvão mineral, se comparado ao hemisfério norte. Essa

desigualdade está ligada a fenômenos geológicos. Assim, o Brasil não faz exceção nesse aspecto. É também

pobre em jazidas carboníferas (pelo menos considerando-se as jazidas conhecidas até hoje).

As nossas principais jazidas estão localizadas no Sul do País, numa formação que data do

permocarbonífero, entre o cristalino da Serra do Mar e a Bacia Sedimentar Paranaense.

Brasil: Produção de Carvão Mineral

Santa Catarina ..........................................61%

Rio Grande do Sul .................................... 36%

Paraná ........................................................3%

Fonte: IBGE - 1994

Principais Depósitos

• Santa Catarina

1.205.000.000 toneladas, localizadas no vale do rio Tubarão e proximidades.

• Rio Grande do Sul

1.932.000.000 de toneladas, localizadas no vale do Jacuí e proximidades.

Foi localizada uma jazida de linhito no Alto Amazonas, mas ainda não foi avaliada.

A exploração do carvão mineral, no Brasil, efetivou-se a partir de 1942, em Santa Catarina, quando foi iniciada a

instalação da Cia. Siderúrgica Nacional (primeiro alto-forno a coque no Brasil), em Volta Redonda.

A partir dessa data, a nossa produção tem crescido de forma bastante lenta, devido a uma série de problemas já

citados.

Principais áreas Produtoras

• Santa Catarina

A produção catarinense provém das minas de Lauro Muller, Urussanga, Criciúma (Bacia do Tubarão) e Araranguá.

Parte dela é consumida no próprio Estado e parte é escoada até o porto de Laguna (Henrique Lages), pela

Estrada de Ferro Teresa Cristina.

Dos depósitos brasileiros, o único que possui carvão coqueificável é o de Santa Catarina, cuja composição é a

seguinte:

• Carvão metalúrgico - 45%

• Carvão vapor - 30%

• Rejeitos - 25%

A principal compradora deste carvão é a Cia. Siderúrgica Nacional.

• Rio Grande do Sul

Os depósitos desse Estado aparecem de 30 a 120 metros de profundidade. A exploração ocorre no Vale

do Jacuí (São Jerônimo e Butiá), Bagé e Leão. O carvão é de baixa qualidade, não sendo coqueificável, com a

utilização das técnicas atuais.

A produção é consumida no próprio Estado, para geração de termeletricidade e transportes (Viação

Férrea do Rio Grande do Sul).

• Paraná

É explorado no Vale do Rio Peixe e no Vale do Rio das Cinzas, sendo consumido para transporte.

Problemas de Exploração

Vários são os problemas que dificultam o aumento da exploração:

- depósitos relativamente pequenos;

- pequena espessura dos horizontes carboníferos, dificultando a exploração;

- baixa qualidade do carvão, reduzindo até 18% de cinzas;

- baixo nível técnico das minas e equipamentos deficientes, encarecendo o produto;

- distância dos depósitos em relação aos centros consumidores;

- alto custo dos transportes.

Em relação ao carvão metalúrgico, o importado sai mais barato que o nacional. Daí a tendência das

empresas para consumirem carvão importado, mais barato e de melhor qualidade (produz 4% a 5% de cinzas,

contra 16% a 18% do carvão nacional). Para defender a produção brasileira, principalmente de Santa Catarina, o

governo instituiu o uso obrigatório do carvão nacional na proporção de 40% do consumo nas siderúrgicas.

Eletricidade

A energia elétrica é um dos fatores básicos para o desenvolvimento de um país. Isto é tanto verdade que,

se observarmos os países desenvolvidos, notaremos que o consumo de energia elétrica por pessoa será bastante

alto em relação aos países menos desenvolvidos.

A energia elétrica pode provir de usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares. As usinas hidrelétricas

aproveitam energia potencial da água (queda de água). As usinas termelétricas aproveitam a energia resultante da

queima de óleos, carvão mineral, carvão vegetal, lenha, etc., e as nucleares utilizam urânio, tório, etc.

O Brasil, tendo constituição hidrográfica importante e em sua maioria rios de planalto, evidentemente

possui um alto potencial hidrelétrico, que é de 150.000.000 kw, colocando-se em 3° lugar nesse particular, após

Rússia e Canadá. A distribuição do potencial hidrelétrico por bacia hidrográfica apresenta-se na seguinte ordem:

BACIA POTENCIAL

CONFIRMADO

ESTIMADO

Amazônia

Prata

São Francisco

Tocantins

16.799,4

10.819,1

3.058,8

9.284,2

36.993,5

6.530,5

1.255,5

1.525,4

Embora esse potencial fosse alto, a capacidade de produção instalada era de 8.828.400kw (1970),

passando para 31.725.000kw, em 1980.

Quanto à termeletricidade, o Brasil possui capacidade instalada de 4.249.000kw (1980), aproveitando

como matéria-prima o petróleo, o carvão mineral e a lenha.

Essa predominância de usinas hidrelétricas é fácil de compreender, se atentarmos para os grandes

recursos hidrográficos do Brasil de um lado, e os pequenos recursos em petróleo e carvão mineral, de outro; se

bem que a opção para se instalar uma usina leva em consideração outros fatores, tais como: tipo de consumo de

eletricidade durante o ano, quantidade de consumo, custo de instalações, etc.

O elevado potencial hidrelétrico dos rios brasileiros explica por que a geração de eletricidade no País é

proveniente, principalmente, de usinas hidrelétricas (93%) em menor escala de origem termelétrica (6,3%).

Principais Empresas ligadas à Produção de Energia Elétrica

• Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S.A.)

Subsidiárias:

• Centrais Elétricas de Furnas

• CHESF (Cia. Hidrelétrica do São Francisco)

• Eletrosul (Centrais Elétricas do Sul)

• Eletronorte (Centrais Elétricas do Norte)

Empresas estaduais:

• CESP (SP), CEMIG (MG), COPEL (PR), CEEE (RS), CELG (GO), CELF (RJ), etc.

Principais Usinas Hidrelétricas

RIO USINA

Tocantins Tucuruí e Serra da Mesa

Xingu São Félix

Curuá-Una Curuá-Una

Araguari Coaracy Nunes ou Paredão

Parnaíba Castelo Branco (ex - Boa Esperança)

São Francisco Três Maria, Paulo Afonso e Sobradinho

Paranaíba Cachoeira Dourada, São Simão, Itumbiara

Grande Furnas, Estreito, Jaguara, Marimbondo, Água Vermelha

Paraná Jupiá, Ilha Solteira, Itaipu

Tietê Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Avanhadava

Paranapanema Jurumirim, Xavantes

lguaçu Foz da Areia, Salto Santiago

Paraíba do Sul Nilo Peçanha, Funil

Pardo Caconde, Euclides da Cunha

Pedras (Cubatão) Henry Borden I e II

Xisto Pirobetuminoso

O xisto pirobetuminoso é também encontrado em formações sedimentares, sendo composto de matéria

orgânica pressurizada por milhares de anos. Para transformá-lo em óleo, é necessário o aquecimento a altas

temperaturas, e a tecnologia não é das mais avançadas, encarecendo muito o produto. O Brasil conta com

grandes reservas desta matéria-prima, localizadas na região de São Mateus do Sul (PR) e no Vale do Paraíba

(SP). A Petrobras desenvolveu sistema próprio para obtenção do óleo de xisto (petrosix), mas que também é

inviável economicamente, sendo ainda utilizado basicamente como forma de pesquisa.

Gás natural

Este combustível tem sido apontado como a fonte de energia do futuro, pois, entre outras qualidades, não

é poluente. A cidade de São Paulo tem feito experiências bastante interessantes a respeito, e muitos ônibus e táxis

estão rodando com esse combustível pela cidade. O gás natural pode ser considerado como petróleo em estado

gasoso e, portanto, pode substituir qualquer combustível originado dessa matéria-prima com algumas vantagens,

pois, além de não poluir, encontra-se disponível em consideráveis reservas no Brasil, passando a ser uma das

prioridades da Petrobras. Até mesmo na retirada de petróleo das jazidas mais profundas, o gás natural pode ser

um auxiliar, injetando-o no poço para empurrar o petróleo para cima.

Álcool

A substituição da gasolina pelo álcool trouxe algumas vantagens e desvantagens. As principais vantagens

referem-se ao menor nível de poluição atmosférica e ao fato de tratar-se de um recurso renovável. No entanto, as

terras aráveis de melhor qualidade de algumas regiões do Sudeste são plantadas com cana, e não com os

tradicionais produtos alimentícios. Os custos do álcool, maiores que os da gasolina, exigem subsídios

governamentais. A previsão para o álcool é que se torne apenas uma fonte complementar, pois poucos países

teriam extensões de terras suficientes para os imensos canaviais necessários para suprir o consumo industrial em

larga escala.

Energia Solar

Esta é, sem dúvida, a mais limpa e mais barata forma de obtenção de energia. Mas, infelizmente, com a

tecnologia atualmente disponível é completamente inviável o grande consumo industrial, pois não se consegue

obter este tipo de energia em larga escala, ainda que, segundo alguns cálculos, a energia solar que atinge a Terra

em apenas sete dias seja equivalente a toda energia acumulada nas reservas minerais fósseis do planeta.

Estamos, por enquanto, restritos a calculadoras e pequenos instrumentos. Nos EUA, um pequeno avião para um

único tripulante, construído em fibras sintéticas e movido a energia solar, conseguiu percorrer uma longa distância

voando a poucos metros acima do solo. Atualmente, a Austrália promove uma corrida de automóveis solares que,

se não podem ser comparados ao rendimento dos modelos tradicionais, têm apresentado sensíveis progressos

nos últimos eventos.

Por que a participação do Brasil no setor nuclear?

Apesar de o Brasil dispor de um imenso potencial hidráulico e, no momento, utilizar apenas 10% a 15%

desse potencial, e a despeito, também, do excedente de energia elétrica que ocorre no momento, apontam-se as

seguintes justificativas para sua participação no setor nuclear:

• a partir deste ano, as fontes hidráulicas deverão estar prestes a se esgotarem, principalmente nas regiões

Sudeste e Sul, onde o consumo é mais elevado.

• em vista de nossa insuficiência de combustíveis fósseis e dos reflexos da crise do petróleo, haverá necessidade

de complementação da energia hidráulica com a energia nuclear.

O Governo Federal decidiu se engajar num programa nuclear para adquirir experiência na instalação e

operação de centrais nucleares e, ao mesmo tempo, propiciar à engenharia e à indústria nacional a oportunidade

de participar e desenvolver este tipo de tecnologia.

O II PND, criado para o período de 1975 a 1979, no Governo Geisel (já falecido), assinala a importância

do Programa Nuclear Brasileiro e a necessidade de preparar o País para os anos 80, quando a energia nuclear já

deveria representar parte significativa da energia elétrica gerada no País e no mundo. Além disso, visava ao

desenvolvimento de outras aplicações da ciência nuclear, como o uso dos isótopos na agricultura, medicina e

indústria.

O Acordo Nuclear Brasil - República federal da Alemanha

No dia 27/6/75, em Bonn, foram assinados dois documentos definindo e implementando um programa de

cooperação entre Brasil e a RFA: o acordo de cooperação sobre os usos pacíficos da energia nuclear e a

declaração dos governos do Brasil e da RFA relativa à implementação do mencionado acordo.

O objetivo geral do programa consiste na implantação, em nosso País, de uma capacidade industrial em

todas as áreas do uso pacífico da energia nuclear e na transferência de tecnologia, bem como o fornecimento de

urânio do Brasil para a RFA.

Atualmente o acordo nuclear Brasil - Alemanha está bastante esvaziado, pois a Alemanha já anunciou

para o mundo que pretende desativar todas as usinas nucleares em seu território até o ano de 2010, como

resultado das pressões de sua sociedade e da unificação territorial em 1990.

Hoje a Alemanha não se dispõe a fornecer aparelhos, máquinas, instrumentos e nem em transferir

tecnologia para o Brasil. O governo brasileiro levantou a possibilidade de cobrar indenizações ao governo da

Alemanha, por não cumprimento de contrato. Enfim, o projeto nuclear brasileiro encontra-se esvaziado, até

porque, das 8 usinas previstas, só foi concluída, e já obsoleta, a usina de Angra dos Reis I, a usina Pirilampo, pois

fica mais tempo desligada do que produzindo energia.

As Vantagens e Desvantagens do Uso de Energia Nuclear

Vantagens:

• permite grande concentração energética;

• independe dos fatores meteorológicos;

• flexibilidade na localização das usinas;

• reduzida poluição atmosférica.

Desvantagens:

• auto custo inicial na implantação;

• segurança - perigos de defeitos técnicos, sabotagens, etc.;

• resíduos radiativos (lixo nuclear);

• elevado preço da energia.

O GATT E A OMC

O GATT - Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, que entrou em vigor em 1°/1/48, apesar da oposição

dos EUA, e de não significar uma organização oficial, foi de elevada utilidade para coordenar o comércio do bloco

capitalista no período da bipolarização. Mas com as mudanças do câmbio, a chegada dos megablocos, as novas

tecnologias e a atual desregulamentação do comércio mundial, deixou a desejar na fase atual de multipolarização

e está sendo substituído pela OMC - Organização Mundial do Comércio, que já foi criada, mas não foi estruturada,

até porque, a desregulamentação da economia está favorecendo, e muito, os países do Norte, detentores das

tecnologias de ponta.

1985 - rodada do Uruguai:

- Os países decidem que o GATT não atende mais as necessidades devido aos avanços no comércio

internacional, e que o ideal seria a criação de uma nova organização que deveria vir acompanhada de uma nova

regulamentação do comércio internacional.

1º/1/95 - Como resultado da Conferência do Uruguai:

- É extinto o GATT e criada a OMC.

1º/12/99 - Reunião de Seatle (EUA).

Esta reunião aconteceu, mas não funcionou devido aos movimentos organizados, inclusive com o uso da

Internet, das ONGs - Organizações Não-Governamentais, contra o processo de globalização, demonstrando que a

nova fase mundial estava afetando também a qualidade de vida de boa parte das populações dos países ricos.

É a fase da globalização, do desemprego estrutural, pois a produção, a produtividade e a diversidade de

produtos para o consumo mundial estão aumentando rapidamente. As novas máquinas estão gerando

desemprego, desconcentração da produção para o Terceiro Mundo, provocando o retorno do nacionalismo

extremista com possibilidades da ultra-direita voltar ao poder na Europa. É o ressurgimento do xenofobismo, do

etnocentrismo, pondo em risco a segurança das minorias étnicas e dos "novos bárbaros" do Sul que estão

invadindo os países do Norte. É o esgotamento do welfare state - o estado do bem-estar social - que durante

décadas fez com que o Estado sustentasse a elevada qualidade de vida das populações nos países do Norte.

Em janeiro de 2001, autoridades, megainvestidores e megaempresários reuniram-se na cidade de Davos,

na Suíça, com exceção dos EUA, com o novo governo republicano. A maioria dos países enviaram seus

representantes para o famoso Fórum Econômico Mundial, onde os mandatários do Mundo Globalizado estão

reunidos para discutirem os resultados atuais da Nova Ordem Mundial, e o que pretendem que aconteça ou não

nas próximas etapas deste processo liberal.

Um bom exemplo do nível de discussões neste fórum foi o destaque dado pela imprensa internacional

quanto aos protestos dos representantes da China popular, ao alertarem o Mundo quanto à perda de identidade

das etnias menos favorecidas do planeta, pois a globalização, além de econômica, também gera urna antropofagia

cultural de globalização com exclusão, a América Latina corre o risco de sofrer uma pressão externa que poderá

criar a famosa Síndrome de Africanização, isto é, deteriorar a tão deteriorada qualidade de vida de sua população,

como vem ocorrendo no continente africano - o excluído do processo global atual. Inclusive com as tentativas de

provocar uma corrida armamentista na América do Sul, devido à pressão pela Internacionalização da Amazônia,

ou devido aos combates ao narcotráfico, a exemplo da atual Operação Colômbia, financiada pelos EUA, onde já

se comenta quanto à possibilidade do uso de armas químicas e biológicas.

A produção de alimentos e a fome no mundo

Não há dúvidas: a fome que se alastra pelo mundo é uma questão mais política, ideológica e econômica

do que as próprias condições naturais oferecidas para a prática agrícola. Senão, vejamos:

• de acordo com dados da FAO (ONU), o mundo, hoje, produz 10% a mais do que o mínimo necessário para

alimentar toda a população, que é em média de 2.400/2.600 calorias/dia, e que ainda existem imensos espaços

para serem ocupados;

• com o processo da "Revolução Verde", a produção de alimentos vai perdendo cada vez mais o cunho social, e os

interesses capitalistas avançam pelas atividades primárias. Portanto, o objetivo do lucro prioriza as monoculturas

exportadoras em detrimento da produção diversificada para alimentar a população local. Além de acelerar o

desmatamento, as queimadas, a erosão, com perda de solos férteis, o assoreamento dos rios e principalmente a

perda da biodiversidade da fauna e da flora devido às monoculturas e o uso absurdo dos agrotóxicos;

• nos últimos anos essa situação se agravou com os avanços biológicos, onde os processos de sementes

selecionadas e vegetais híbridos das últimas décadas começaram a ser substituídos pelos produtos transgênicos,

que aumentam o poder econômico e tecnológico das multinacionais, pois são donas desses novos produtos, com

direitos de patentes (know how) e exclusividades na sua criação e produção. Voltando à velha discussão: "até que

ponto o ser humano pode alterar a natureza?" com a transgenia e o processo de clonagem.

O contexto histórico não pode ser esquecido, pois é certo que antes da expansão marítima européia, não

há registro da existência da fome em escala significativa na América, África, Ásia e Oceania, pois nessa época a

produção era comunitária e de subsistência na maioria das sociedades existentes nesses continentes.

Os colonizadores introduziram a propriedade privada e a cobrança de impostos absurdos nas áreas dos

colonizados e ainda obrigaram a mudança no tipo de produtos, pois o que interessava aos dominadores eram

produtos como oleaginosas, fibras têxteis e frutos tropicais para atender às necessidades do consumo industrial e

da população européia. Quem nunca ouviu falar das mortes de escravos e índios - de fome - no meio dos grandes

canaviais, no litoral do Nordeste? O governo português não permitia a plantação de outros vegetais, só era

permitido o plantio de cana-de-açúcar, que dominava até 120 léguas para o interior.

Não há dúvida que os problemas da fome - subnutrição, desnutrição crônica - podem ser resolvidos.

Atualmente, o problema todo é que a produção de alimentos se transformou numa "arma poderosa", que é

utilizada pelos países do Norte no domínio mundial. O controle das multinacionais sobre a produção de alimentos

demonstra que o controle sobre onde, como, quanto, o quê, por quanto e para quem deverão ser produzidos os

alimentos não depende mais de quem dispõe das terras. Basta ver o exemplo brasileiro, onde mais de 40% de

nossa produção é exportada e menos de 15% é utilizada na alimentação interna. Outro exemplo interessante é ver

que pastagens artificiais, isto é, o espaço agrícola ocupado e cuidado pelo homem para alimentar os rebanhos no

Brasil, se somado com as perdas devido ao processo de colheita, transporte, armazenagem, comercialização e os

parceiros do homem (ratos, insetos, etc.), superam a produção para o consumo interno; não podendo esquecer

que a cada 7 calorias vegetais produzidas para alimentar os rebanhos e aves, só uma caloria retorna para a

alimentação humana.

As crises econômicas atuais

O capital volátil - O mesmo que capital especulativo, rotativo, hot money e over night.

Função - como o próprio nome indica, o capital volátil não é regulamentado, servindo somente ao

processo da ciranda ou especulação financeira. Se um país tenta regulamentar ou reduzir seus lucros nas bolsas

de valores ou entra em crise econômica ou política, rapidamente este tipo de capital desaparece de sua economia.

O capital volátil cresceu muito nas últimas décadas, devido à queda nos investimentos e nos lucros que

eram obtidos com a corrida armamentista. Muito do capital investido nesta área foi deslocado para atividades

normais da economia.

É óbvio que os paraísos fiscais facilitaram para que o capital das máfias do narcotráfico, da venda ilegal

de animais silvestres, da corrupção e do contrabando de riquezas naturais como o ouro, diamantes, etc., se

legalizassem e se transformassem em capital volátil.

Para um país manter este capital em sua economia e transformar em capital de produção, é obrigado a

manter seus juros internos elevados e lucrativos para os especuladores, só que acaba prejudicando as empresas

nacionais e sua população. Favorecendo o capital volátil, o país é obrigado a abrir sua economia de acordo com

os interesses dos países desenvolvidos.

Resultando em:

- O efeito dominó, ou porque as crises econômicas atuais não são mais localizadas, e sim, afetam a economia

mundial num processo de cascata.

- A maior internacionalização da economia com enfraquecimento dos Estados e das elites nacionais em

conseqüência da globalização.

- O capital volátil passou a dominar a economia dos países emergentes, como o Brasil, e a maior dependência

destes às imposições do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A melhor forma para desenvolver e explicar estes questionamentos é utilizar um modelo prático como

laboratório. Para nós, brasileiros, o melhor modelo é o Plano Real desenvolvendo suas etapas de implantação.

Estava claro que a sociedade não aceitava mais os planos econômicos ortodoxos, com mero

congelamento de preços e salários. Era preciso ser diferente, pelo menos na aparência, em relação aos Planos

Cruzado, Bresser e Collor. E o mundo exigia a abertura da economia brasileira, isto é, ou adota o neoliberalismo,

ou continuará isolado das relações econômicas e do comércio mundial.

Como o Mundo impõe a abertura econômica nos países do Terceiro Mundo?

1) Os Estados Unidos elaboram a famosa Lei Super 301, onde as autoridades norte-americanas são obrigadas a

defender suas empresas multinacionais, combatendo qualquer forma de obstáculos que elas venham sofrer em

qualquer local do planeta.

2) O BIRD - Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento passa a não exigir que os países pobres

que necessitam de seus empréstimos elaborem projetos de viabilidade econômica em relação aos valores

solicitados, desde que atendam às exigências prescritas no famoso Plano de Reformas Estruturais (1980), isto é,

desde que os países do Terceiro Mundo implantem as reformas - tributária, fiscal, jurídica, orçamentária, política,

previdenciária e trabalhista em conjunto com um projeto de privatização de suas empresas estatais.

Em 1983, o BIRD desenvolveu um novo plano, o também famoso Plano de Reformas Setoriais

Estruturais, obrigando os países do Terceiro Mundo a liberalizarem a agricultura, bem como a privatizarem setores

estratégicos, como o Sistema Energético, a área de comunicações, os bancos do Governo e os serviços urbanos,

como o serviço de limpeza, coleta de lixo, tratamento de água, esgoto, etc.

3) O FMI, que havia perdido muito de suas funções a partir de 1971, devido aos Estados Unidos terem mudado

seu sistema cambial, passa a exercer novas funções, muito atreladas, e até mesmo conflitantes, com o papel do

Banco Mundial. Isto não quer dizer que entram em choque, ou provoca perda de identidade. Na verdade, é

facilmente percebido que estas duas organizações trabalham em conjunto, na tentativa de implantarem as idéias

neoliberais nos países periféricos.

O FMI fiscaliza, coordena e exige que os países do Terceiro Mundo e, mais recentemente, os países

remanes centes do ex-bloco socialista, como os do Leste Europeu, implantem as medidas impostas pelos Planos

de Reformas Estruturais do BIRD. Caso o país aceite, o FMI ajuda e autoriza que o BIRD faça os empréstimos.

A desintegração do Bloco Socialista

Imaginar ou criar uma data para indicar o momento exato que identifique o término da URSS e o fim do

socialismo real no Leste Europeu e no Continente Asiático, serve como referencial didático, mas não é útil para

quem deseja entender todo o processo que culminou com o término da bipolarização. Dizer que a URSS foi

extinta, e que o capitalismo norte-americano saiu vitorioso, também não é totalmente verdade, pois se fosse

correto, estaríamos vivendo uma monopolarização, parecida com o período do império britânico, mas isto não

ocorreu, pois estamos vivendo a multipolarização.

A necessidade de manter um confronto ideológico com o mundo ocidental, acabou forçando a URSS a

direcionar a maior parte de seus recursos na preparação de várias gerações de técnicos e cientistas, espionagem,

contra-espionagem, manutenção de uma força armada altamente dispendiosa, direcionando-se para áreas

específicas da física nuclear, aeroespacial, mecânica, etc. Com isso, a produção de bens de consumo para a

população do bloco socialista não significou preocupação pelos governantes da época, principalmente nas

décadas de 30 a 70, quando predominou a "ditadura do proletariado" ou o período stalinista.

Na década de 80, a crise estava bem clara para o mundo, pois nem a URSS, nem os EUA, a nível de

poder, suportam mais os desgastes da Guerra Fria.

O processo acelerou com a chegada de Gorbachev ao poder, que tinha a função de superar as distorções

e fazer com que a URSS sobrevivesse, isto é, a proposta de mudar, mas sobre o controle e manutenção do

Estado soviético.

As propostas eram:

1) Reestruturação da economia - perestróika.

Medidas:

- fechamento das empresas ociosas;

- privatização das estatais;

- devolução e/ou venda das propriedades rurais;

- abertura da bolsa de valores;

- entrada das multinacionais;

- entrada do capital volátil;

- formação de bancos e sistema financeiro privado.

Conseqüências:

- desemprego em larga escala, principalmente do sexo feminino;

- fortalecimento das organizações ilegais, que compraram várias empresas formais; era a ascensão das máfias;

- queda do poder aquisitivo da população;

- aceleração do processo inflacionário.

2) Transparência política - Glasnost.

Medidas:

- maior liberdade de credo religioso;

- criação de organizações sociais e políticas sem o controle do Estado;

- as repúblicas conquistam o direito de elegerem seus parlamentares e presidentes, conquistando maior autonomia

político - administrativa;

- há uma política de aproximação com o mundo ocidental;

- provoca um esvaziamento da KGB, da espionagem internacional e da repressão interna.

Conseqüências:

- A URSS declara que não é mais expansionista e nem militarizada;

- Inicia um processo de desmonte unilateral dos mísseis com ogivas nucleares;

- Não sustenta mais os países satélites como Cuba, Vietnã, Coréia do Norte, facilitando também os movimentos

libertários no Leste Europeu.

Observação:

Na prática, estas medidas significam o término da corrida armamentista, pois fica claro que se

acontecesse outra guerra como a das Coréias, do Vietnã, de Angola, etc., a URSS não se candidataria a sustentar

grupos contrários aos interesses dos EUA.

A "neurose nuclear" estava diminuindo, principalmente na Europa, resultando nas rápidas mudanças do

Leste Europeu, rompendo com a Cortina de Ferro, unificando as Alemanhas, desmembrando a Iugoslávia,

acarretando a Revolução do "Veludo" na Tchecoslováquia, etc.

É a fase da migração em larga escala do leste para o oeste europeu, coincidindo com os avanços da

União Européia e a terceira revolução tecnológica, isto é, maior oferta de mão-de-obra com menor necessidade da

mesma. Surge o "desemprego estrutural", pois a produção e a produtividade aumentam graças às novas

tecnologias, mas o desemprego aumenta. Estavam criadas as condições para o retorno do xenofobismo e o

etnocentrismo.

O Declínio do Império Socialista

Dizer que em dezembro de 1991 , oficialmente, a URSS deixa de existir como Estado é correto, mas não

é certo acreditar que tudo aconteceu de repente, que antes existia a URSS e, logo depois ela se desmembrou em

15 repúblicas, e pronto.

A pergunta chave é: por que a URSS se desintegrou no final da década de 80 e início de 90? Por que isto

não aconteceu antes? Por que não continuou existindo?

A resposta para este questionamento resulta de uma análise no tempo e no espaço, de fatores internos e

externos, que vão se somando até resultar numa dinâmica de transformação que leva décadas para se completar.

A burocratização, o caldeirão étnico, o baixo avanço tecnológico em algumas áreas da economia, a

política do emprego pleno com resultados cada vez menores na produção/produtividade dos indivíduos, a política

centralizadora do Estado cedem espaço para uma fase de estagnação econômica, aumentando cada vez mais da

década de 70 para 80, após uma explosão econômica nas décadas de 30/40, principalmente na reconstrução do

pós-Segunda Guerra.

Somando estas questões com a derrota técnico-científica do bloco socialista em relação ao ocidente

capitalista, verificamos que a terceira revolução tecnológica se transformou no fato acelerador, responsável pela

desintegração do Bloco Soviético.

Portanto, a implantação da perestróika (reestruturação econômica) e da glasnost (transparência política),

por Gorbachev, quando é indicado para secretário-geral do PCUS, notamos que são propostas de mudanças

"lentas e graduais". Isto é uma última tentativa de manter a existência da URSS. Em nenhum momento Gorbachev

propôs a extinção do Estado soviético, até porque, extinguir a URSS seria extinguir o seu próprio cargo com a

perda imediata do poder.

Com a abertura política e econômica, a primeira situação crítica que desponta são as divergências

étnicoculturais, resultando em movimentos unificadores e/ou separatistas na parte leste da Cortina de Ferro, isto é,

na Europa Oriental ou socialista, e com as eleições nas exrepúblicas da URSS, que começam a romper com o

poder centralizador de Moscou.

A fase de mudanças rápidas (Década de 80)

Enquanto estava no poder, Gorbachev ficou sob fogo cruzado internamente, pois quando avançava nas

reformas, contrariava os interesses do PCUS (militares, burocratas, KGB, etc.), mas se não avançava nas

mudanças, comprava briga com os presidentes e parlamentares eleitos nas 15 Repúblicas, sob o comando de

Boris Iéltsin, presidente da Rússia, a principal República. Externamente, o mundo capitalista ocidental,

principalmente o Grupo dos 7 (G-7) mais poderosos do mundo, fazia suas jogadas para desintegrar a URSS,

bloqueando a ajuda econômica e tecnológica.

Era uma situação onde todo mundo percebia a dificuldade de durar muito tempo. Em agosto de 1991, os

oficiais militares invadem o Parlamento, prendem Gorbachev na península da Criméia e declaram um golpe de

Estado. Golpe fracassado, pois a população reage e Boris Iéltsin e seu grupo comandam este movimento,

derrotando os militares e retornando Gorbachev (de forma figurativa) ao comando da URSS.

Em 22 de dezembro, cercado pelos principais líderes da "nova era", Gorbachev assina documento

declarando que a partir de 25 de dezembro de 1991, a superpotência, o centro do socialismo real, estava

declarada extinta.

CONFLITOS EUROPEUS

Cabe observar que a heterogeneidade étnica em espaços definidos na Europa sempre existiu, só que no

período da guerra fria a maioria das insatisfações eram reprimidas. Com o advento da globalização eles encontram

espaço para suas reivindicações de autonomia.

Iugoslávia

- Estado criado em 1922, pós-Primeira Guerra, devido à extinção dos Impérios Austro-Húngaro, Bizantino e Turco-

Otomano no Leste Europeu.

- A partir de 1944, com o término da Segunda Guerra Mundial, era provável que o País viesse a se desmembrar,

pois era caracterizado por um "Caldeirão Étnico". Mas a criação de um herói nacional, apesar de Croata, atendia

aos interesses dos novos mandatários mundiais, pois era interessante, tanto para os EUA, como para a URSS,

que o território geoestratégico deste país funcionasse como um corredor, separando a URSS da Europa; estavam

montadas as condições para a implantação de uma "Gerontocracia", onde o marechal Jozip Tito governaria até a

sua morte.

Como foi montado o governo

a) Executivo colegiado.

b) Parlamento onde cada etnia teria um número de representantes proporcional ao seu número na população.

c) Sistema Socialista, mas não aliado à URSS.

d) Não participava oficialmente do Comecom (Tatue) e do Pacto de Varsóvia.

e) Recebeu ajuda do Plano Marshall (EUA).

Dinâmica de Mudanças

Na década de 80, ocorre um desencadeamento de mudanças que afetam a forma de funcionamento do

Estado iugoslavo. Os sérvios-cristãos - apoiados pelos russos-detêm o controle sobre as Forças Armadas. Em

1982, ocorre a morte de Tito e em 1985 a URSS inicia as mudanças políticas e econômicas - Glasnost e

Perestroika, respectivamente. Tudo isto vem favorecer os movimentos étnico-separatistas nas repúblicas

iugoslavas.

Em 1991, as Repúblicas da Eslovênia (parque industrial) e da Croácia (petróleo e balneário turístico)

declaram suas independências que não são reconhecidas pelas organizações mundiais, mas a Alemanha

reunificada imediatamente reconhece e passa a apoiar estas repúblicas. Era o retorno da potência centro-européia

alemã.

Alegando a perda da saída marítima os sérvios tentam impedir esta independência das Repúblicas,

gerando a Primeira Guerra Civil na Iugoslávia.

Em 1993, as Repúblicas da Bósnia-Herzegovina - a famosa "Iugoslávia em miniatura" devido à

heterogeneidade étnica, e da Macedônia também declaram suas independências.

Esta Segunda Guerra Civil tem um fator altamente explosivo, pois envolve povos islâmicos do antigo

Império Turco-Otomano e Cristãos. Estava caracterizado o fator "fundamentalismo", que acaba gerando um

retorno de comportamento semelhante ao da Segunda Guerra Mundial, devido aos genocídios.

Fato curioso a ser observado é que as entidades internacionais não pressionaram pelo término desta

guerra até 1995, pois os sérvios estavam vencendo os islâmicos.

Com a reviravolta em 95, os islâmicos passam a eliminar os sérvios, as entidades internacionais,

terminando com a guerra.

Os novos países

- Eslovênia - Croácia

- Bosnia-Herzegovina

- Macedônia

A nova Iugoslávia

- Sérvia

- Montenegro

- Voivodina

- Kosovo

Se antes os sérvios já eram maioria étnica, na nova Iugoslávia eles passam a ser mais hegemônicos.

Mesmo assim os problemas não estavam totalmente resolvidos, pois a única saída marítima era em

Montenegro e Kosovo, apesar de ser o ponto de origem do povo sérvio, desde o Período Otomano tinha maioria

de islâmicos, mais identificados com a população da Albânia, gerando novo conflito entre cristãos e islâmicos, até

nova intervenção das forças da OTAN e transformação de Kosovo em estado autônomo.

5/10/2000 - Após o primeiro turno das eleições, o presidente Slobodan Milosevic é deposto por um movimento

popular que leva 500.000 pessoas às praças em Belgrado, capital da Iugoslávia.

Por último, em junho de 2001, o governo da nova Iugoslávia entrega o ex-presidente para ser julgado em

um tribunal internacional, com a acusação de tentativa de etnocídios, durante as guerras civis na ex-Iugoslávia.

Ficou bem claro para o mundo, que ou o governo tomava esta atitude, ou não teria ajuda internacional para

reconstruir sua sociedade.

A UNIFICAÇÃO DAS ALEMANHAS

Com a derrubada do Muro de Berlim em 1989, não era difícil prever que o Tratado de Potsdam estava

com os seus dias contados. Em 1990 a RDA (Socialista-Oriental) declara extinto o seu Estado (Constituição, Força

Armada, Moeda, etc.), e seu território é transformado em 5 Estados Federados (Landers) e oficialmente

incorporado à RFA (Capitalista-Ocidental).

Conseqüências da reunificação alemã

- O povo é unificado num só Estado-Nação.

- Mas o território não é o mesmo, pois a região da Silésia e de Gdanski na Polônia e a Bielo Rússia, não voltam a

ser território da nova Alemanha.

- Antes da reunificação a RFA (Ocidental) já era a terceira potência econômica do mundo, após os EUA e o Japão,

mas passa a investir em larga escala na recuperação da parte leste e na ajuda aos vizinhos que estão surgindo.

- O marco alemão substitui o rubro da ex-URSS, nos investimentos para recuperar as novas áreas capitalistas que

estão surgindo.

- A Alemanha recupera a posição de potência Bifronte Centro-européia, pois é o ponto de contato entre o leste

pobre e o oeste rico. Na prática é o fim dos tratados do pós-Segunda Guerra. E o fim da Cortina de Ferro

Ideológica, permanecendo a cortina socioeconômica entre o leste e o oeste do continente.

REVOLUÇÃO DO VELUDO

Na Tchecoslováquia não houve revolução, e sim combinações políticas; pois após se livrarem da pressão

soviética, ocorrem eleições onde a maioria nacionalista domina o parlamento da Tchecoslováquia e decidem pela

separação geográfica das etnias dominantes, criando dois novos países: a República Tcheca, menos populosa e

mais desenvolvida a oeste, e a República da Eslováquia na parte leste, por isto é que a chamamos de Revolução

do Veludo, pois foi um processo pacífico, apesar dos problemas das minorias étnicas até hoje, principalmente dos

ciganos.

RÚSSIA - HERDEIRA DA URSS

Não foi de graça que Boris Iéltsin permitiu a manutenção de Gorbachev no poder até dezembro de 91,

após a fragorosa derrota do PCUS, no golpe de agosto/91. Neste intervalo de tempo Boris Iéltsin estava

negociando a melhor forma de extinguir a URSS e a manutenção da Rússia como potência regional aliada dos

EUA.

Nota: Não esqueça da Nova Alemanha.

Com o que a Rússia ficou

1) O Banco Central e o Banco do Comércio Exterior.

2) Com todas as embaixadas e o lugar no Conselho de Segurança da ONU.

3) A moeda, o rubro, volta a ser somente russo.

4) O controle do arsenal nuclear e das armas químicas e biológicas.

Obs.: Com as privatizações as máfias russas emergem e passam a dominar boa parte da economia legal do país,

entrando em choque com o capital externo.

A questão da Chechênia é interna, pois este território faz parte da República Russa, portanto a Rússia

não está assumindo posições espansionistas; é certo que na Chechênia a maioria da população é islâmica. mas

por trás disto há a questão do petróleo nesta área.

A QUESTÃO BASCA

Esta história é tão antiga que até os bascos, localizados no norte da Espanha c sul da França, têm

dificuldades para identificar sua origem; alguns acreditam que tenham vindo do Leste Europeu.

É certo que os bascos formam um povo distinto no território espanhol, portanto, sofrem uma diáspora.

Alguns lutam pela sua independência através do ETA - Pátria Livre Basca, uma organização separatista. Hoje a

facção mais atuante é o ETA - Militar, enquanto o ETA -Político/Militar procura fazer negociações de paz.

A IRLANDA CATÓLICA

O maior arquipélago europeu há séculos é dominado pelo Império Britânico, inclusive a Ilha da Irlanda

que foi colônia com aspectos de exploração dos ingleses do mesmo modo que a Escócia e o País de Gales.

As principais ilhas são a Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia), e a Ilha da Irlanda, hoje

dividida em Irlanda do Norte ou Ulster, com povos (protestantes) de outros lugares do Reino Unido, e uma minoria

de irlandeses católicos. Atualmente estes últimos apresentam um crescimento demográfico superior aos

protestantes, apesar do tratamento diferenciado feito pelo exército britânico, privilegiando os primeiros.

A República da Irlanda (Eire), hoje, é independente do Reino Unido e sua maioria populacional é formada

por católicos.

Obs.: Na visão do dominador (ingleses), os protes tantes são considerados "Unionistas", pois defendem a

permanência do Ulster integrado ao Reino Unido, e os católicos são denominados de "separatistas", pois

defendem a extinção do Ulster, com unificação total da ilha sob o comando dos irlandeses católicos.

Os irlandeses católicos sempre lutaram pela sua independência em relação ao Império Britânico e suas

conquistas acompanharam o enfraquecimento do expansionismo inglês. Na década de 20 (pós-Primeira Guerra),

conquistaram autonomia política do Eire, e na década de 60 (pós-Segunda Guerra), é que conquistaram a sua

independência.

Foi na década de 60 que a discriminação contra a minoria católica do Ulster se agravou, com a criação de

bairros separados (guetos). Torturas e massacres praticados pelo exército inglês fez surgir o IRA - Exército

Republicano Irlandês, responsável pelo armamento dos católicos e a prática de atos terroristas no Reino Unido. Na

Irlanda do Norte (Ulster) protestante, foi criado o Sinn Féin (Somente Nós), braço político do IRA que procurava

defender os católicos.

ORIENTE MÉDIO

Dizer que os conflitos existentes no Oriente Médio são exclusivamente religiosos e que só eclodiram nas

últimas décadas é, no mínimo, desconsiderar os milhares de anos de história das civilizações que aí se

desenvolveram ou que dominaram o Oriente Médio, na forma de grandes impérios.

As questões geoestratégicas, como ponto de ligação entre os continentes - Asiático, Europeu e Africano -,

facilitado pela integração por via marítima e terrestre, vieram a se somar nas últimas décadas à descoberta e

exploração da maior reserva, até agora conhecida, de petróleo, em seu subsolo (Golfo Pérsico).

À carência de espaço ecúmeno deve ser adicionado o elevado crescimento demográfico das populações,

demonstrando que não é de hoje que não há espaço disponível para todos nessa região.

AS RELIGIÕES IMPERIAIS - FUNDAMENTALISTAS E MONOTEÍSTAS

O Judaísmo

Fundamenta-se nos livros antigos, que serviram de base para a elaboração do Velho Testamento e não

tem o aspecto missionário, portanto a expansão do Judaísmo tem como fator principal a dispersão (diáspora) do

povo judeu. O número de seguidores não ultrapassa 20 milhões. Atualmente, estão vivendo no ano 5.762, de

acordo com o calendário judáico.

O Cristianismo

Nasceu entre os povos dominados pelo Império Romano, há cerca de 2 mil anos. Além de partilharem

com a tradição judáica, respeitando o Velho Testamento, o Cristianismo, ao contrário dos primeiros, acredita que

Cristo é o Filho de Deus, enviado à Terra para salvar a humanidade, somando aos livros antigos os ensinamentos

do Messias por meio do Novo Testamento, com aspecto social, por isto mais dinâmico e atualizado. Tem sua base

de sustentação no aspecto missionário e, por ter se ocidentalizado mediante o Império Romano, a religião cristã se

espalhou pela Europa e posteriormente foi um dos alicerces de sustentação na expansão colonial para os novos

continentes.

Com o passar dos tempos, o cristianismo foi se subdividindo e, hoje, além da religião católica apostólica

romana, o protestantismo é seguido por milhões de fiéis, como resultado direto do luteranismo alemão, o

calvinismo francês e o anglicanismo inglês. Hoje, o cristianismo é a fé que reúne maior número de fiéis no planeta,

mas está perdendo espaço para o Islamismo.

O Islamismo

Nasceu dos ensinamentos do profeta Maomé (570/ 632).

Maomé combatia a prática do politeísmo existente entre os povos árabes, pois esse era um fator

desagregador que facilitava o domínio da região por povos numericamente inferiores, mas superiores na

organização econômica, política, social e militar, graças à prática monoteísta. O grande profeta do Islã sofreu forte

oposição das tribos guardadoras da Caaba - a pedra negra - que praticavam o politeísmo na cidade de Meca,

sendo expulso para Iatreb (atual Mediria - Cidade do profeta).

O ano da Hégira marca o início do calendário Islâmico, portanto eles estão vivendo no ano de 1381.

Com a morte do profeta (632), o Islã se dividiu em duas correntes devido a briga pela sucessão da

liderança Islâmica. O Xiismo reconhece o direito de liderança apenas aos descendentes diretos do grande profeta,

como exemplo os Aiatolás. O Sunismo, um conflito de normas (direitos) islâmicas organizadas, segundo os

exemplos do profeta, reconhece o poder temporal, criando lideranças independentes dos laços familiares com

Maomé, como exemplo os Califas.

Com a implantação do Islã na forma de um Império Teocrático, rapidamente ele espalhou seu poder

imperial para o ocidente e o oriente, e hoje somente 20% de seus fiéis são árabes, demonstrando sua expansão

demográfica, que já ameaça o cristianismo como a religião de maior número de seguidores no planeta.

QUESTÃO ÃRABE-ISRAELENSE

A questão árabe-israelense está diretamente ligada à criação do Estado de Israel pela ONU, em 1947. O

movimento sionista acelerou a transferência de judeus dispersos pelo mundo de volta à região da Palestina. Já no

período da Primeira Guerra Mundial, o fluxo de judeus era significativo e os incidentes com os árabes-palestinos

começavam a se tornar freqüentes.

A Inglaterra, que com a queda do Império Turco-Otomano, administrava a Palestina desde a Primeira

Guerra, propõe novamente, ao final da Segunda Guerra Mundial, a criação de um "lar nacional" para os judeus no

território da Palestina.

Os países árabes da região se opunham à criação do Estado de Israel, fato que levou posteriormente à

formação da República Árabe Unida (RAU), da qual participavam Síria, Egito, Líbano, Jordânia e Iraque, com o

objetivo de destruir Israel e dar suporte aos palestinos para a instalação do Estado da Palestina.

CONFLITOS

Guerra de Independência de Israel.

Em 1948/49, o recém-criado Estado de Israel foi atacado pelo Egito, Síria, Líbano, Iraque e Jordânia

(RAU), porém os venceu. As milícias israelenses aumentaram em 50% o território do Estado de Israel, e os

maiores perdedores foram os "palestinos", pois ficaram basicamente sem território independente. O Egito ocupou a

Faixa de Gaza e a Jordânia ocupou a Cisjordânia.

Guerra pelo Canal de Suez (1956)

Ocorreu entre Israel e Egito, sendo que a França e a Inglaterra apoiavam Israel, pois tinham interesses

em internacionalizar o Canal de Suez visando encurtar a rota do petróleo para o Ocidente. O Egito era apoiado

pela ex-URSS, e o presidente Gamal Abdel Nasser anunciou a nacionalização do canal que foi construído

com capital anglo-francês. A ex-URSS exigiu a retirada das tropas israelenses, francesas e inglesas e o canal foi

nacionalizado.

Guerra dos Seis Dias (1967)

Foi o conflito mais importante ocorrido na região, cujos desdobramentos estão presentes até os dias

atuais. Serviu para mostrar a superioridade militar de Israel frente a seus vizinhos árabes. Ocorreu entre Israel e as

forças da RAU (Síria + Egito + Jordânia). O serviço secreto das Forças de Defesa Israelenses - o Mossad -

descobriu um novo plano da RAU para atacar Israel, por isso o governo israelense decidiu atacar primeiro numa

operação que durou seis dias e permitiu a conquista dos seguintes territórios:

- Colinas do Gólan, pertencentes à Síria, porém de grande valor estratégico, pois ficam em elevadas altitudes.

Não foram ainda devolvidas, porque a Síria não aceita os termos da devolução.

- Faixa de Gaza, que estava sob o controle do Egito desde a guerra de 1948.

- Cisjordânia, que estava sob o controle da Jordânia desde a guerra de 1948.

- Península do Sinai pertencente ao Egito.

- Lado Leste de Jerusalém, sob o controle da Jordânia. Talvez este seja o maior problema na questão de um

acordo de paz no "Oriente Médio".

Guerra do Yom Kipur -1973 - (Dia do Perdão)

Ocorreu entre a RAU e Israel quando o Egito e a Síria atacaram o território israelense de surpresa,

tentando revidar a Guerra dos Seis Dias, porém foram derrotados. O governo de Israel planejava invadir o Cairo e

Damasco, mas os EUA e a ex-URSS exigiram o recuo de Israel. O presidente egípcio Anuar Sadat havia

expulsado os conselheiros soviéticos e iniciou uma política de reaproximação com os EUA, favorecendo Israel. Em

1975, o Egito conseguiu a abertura do Canal de Suez. Sadat fez o Acordo de Camp David em 1979, pelo qual

Israel devolveu a Península do Sinai e o Egito se comprometia a não mais participar de ataques ao território

israelense. O presidente Sadat foi assassinado por fundamentalistas islâmicos em 1981, por ter feito o acordo com

Israel.

Com a Guerra do Yom Kipur ficou claro para o mundo ocidental que não era mais vantajoso o conflito

entre o Estado de Israel (judeu) e o mundo islâmico, tanto que não foi mera coincidência, pois no mesmo ano de

1973 ocorreu a primeira crise mundial do petróleo, quando a OPEP conseguiu reduzir em um terço a produção de

seus países-membros, gerando carência de petróleo com elevação muito rápida do preço do barril no mercado

mundial.

Terminados os conflitos oficiais entre Israel e o mundo islâmico (principalmente árabes), teve início uma

nova etapa dos conflitos no Oriente Médio, pois o mais importante é o petróleo e não a região da Palestina.

O local que interessa chama-se Golfo Pérsico e esse lugar é território ocupado pelos povos islâmicos.

CAPITALISMO MONOPOLISTA OU FINANCEIRO

DÉCADAS DE 40 A 70

Bipolarização

- Guerra Fria.

- Corrida armamentista.

- Corrida espacial, nuclear.

- Avanços na bioquímica.

- Formação dos trustes e cartéis, com as multinacionais dominando a economia mundial.

- Fortalecimento do Estado.

- Período da coexistência pacífica entre o Ocidente (capitalista) e o Oriente (socialista). USA x URSS. - Regimes

autoritários e endividamento no Terceiro Mundo.

- Guerras e conflitos localizados:

• Coréia.

• Cuba.

• Vietnã.

• Afeganistão.

• Angola, Moçambique.

• Revolução na China.

• Crise dos mísseis, etc.

DÉCADAS DE 70 A 90

Globalização

- Além do poderio bélico, sinônimo de potência e tecnologia de ponta, produção, produtividade e competitividade

no mercado mundial.

- Extinção do Segundo Mundo, 25/12/91 ex-URSS.

- Avanços na biotecnologia, nanotecnologia, microeletrônica, robótica, informática, automação, etc.

- Produtos transgênicos e a clonagem como símbolos de avanço científico.

- Projeto Genoma.

- O capital volátil substitui boa parte dos capitais provenientes dos órgãos tradicionais como BIRD, BID, Grupo de

Paris, Bancos Centrais, etc.

- O mundo exige nova Divisão Internacional do Trabalho (DIT).

- Formação dos megablocos e blocos econômicos na nova forma de regionalização.

- Internacionalização das economias, desemprego estrutural, planos econômicos.

- Crises com efeito dominó ou cascata.

- Processo de fusão (truste) nas multinacionais, com avanços na prática do dumping.

- Redemocratização e privatização das estatais nos países do Terceiro Mundo.

A NOVA ORDEM MULTIPOLAR

Globalização regionalizada - principais blocos econômicos mundiais

Os países podem constituir diversos tipos de integração econômica, como:

- Acordo Bilateral.

- Zona de Livre Comércio: os países associados eliminam as barreiras incidentes sobre os produtos

comercializados entre eles. Cada país possui, porém, ampla liberdade no que se refere à sua política interna e no

tocante à política comercial com os países-membros.

- União Aduaneira: além da eliminação das barreiras comerciais entre eles, os países-membros adotam política

comercial uniforme em relação aos países externos à União. Adota-se uma pauta aduaneira comum em relação a

esses outros países.

- Mercado Comum: além das características da união aduaneira, fica permitido o livre trânsito de pessoas e de

capitais entre os países. É adotada uma política comercial comum e a coordenação de políticas macroeconômicas

e setoriais. Pode requerer a harmonização das legislações nacionais.

- União Econômica e Monetária: adoção de políticas macroeconômicas setoriais e sociais comuns e adoção de

uma moeda comum.

- Integração econômica total: as políticas monetária, fiscal e social são uniformes, sendo instituída uma

autoridade supranacional para a administração dessa integração.

Posição do Brasil no Mercosul

A recessão generalizada e a conseqüente carência de capitais representavam entraves para os

investimentos infra-regionais. O surgimento do Mercosul foi resultado da modificação desse panorama. Brasil e

Argentina, através de acordos prévios de integração bilateral firmados entre os dois países, visavam ao

desenvolvimento tecnológico complementado por uma integração comercial, por meio de acordos nas áreas

nuclear, financeira, industrial, aeronáutica e biotecnológica.

O Tratado de Assunção, que definiu os contornos do Mercosul, enfatiza o projeto de integração comercial.

No entanto, temos uma realidade de grandes diversidades geográficas, demográficas e econômicas que impõe

políticas decorrentes das peculiaridades de cada país; portanto, não é aceitável uma estrutura rígida para o

Mercosul. Esta impediria não só suas políticas nacionais, como também o prosseguimento de sua afirmação como

países capazes de desenvolver-se tecnologicamente e alcançar condições que lhes permitam atingir a importância

internacional que suas dimensões justificam.

O Mercosul tem por objetivo a implantação do livre comércio entre os seus países. Para atingir esse

objetivo, as tarifas - (impostos ou taxas) aplicadas sobre os produtos importados de cada um dos países-membros

devem sofrer reduções gradativas, até a completa eliminação.

Existe uma crítica à formação de blocos econômicos regionais e sub-regionais na América. Acredita-se

que um projeto lançado em 1989, pelo ex-presidente dos Estados Unidos, George Bush, chamado de "Iniciativa

pelas Américas", que busca a formação de uma vasta zona econômica livre, que se estenderia do Alasca até a

Terra do Fogo, isto é, por toda a América, na tentativa de concorrer com a Europa, que já formou e colocou em

prática, desde 1° de janeiro de 1993, o Espaço Econômico Europeu, considerado o maior bloco comercial do

mundo.

Na Cúpula de Miami, em 1994, decidiu-se que o bloco continental ALCA (Área de Livre Comércio das

Américas) terá vigência somente a partir de 1°/1/2006. Desde 1997, tem aumentado a pressão dos EUA para a

consolidação da ALCA.

Na Terceira Cúpula das Américas, nos dias 20,21 e 22 de abril de 2001, na Confederação do Canadá,

província de Quebec, cidade de Montreal, ficou decidido por votação em plenário pelos 34 países membros que a

ALCA terá seu início de implantação oficial a partir de 1°/1/2006, continuando como não participante Cuba.

POPULAÇÃO

O crescimento demográfico, a realidade econômica e política atuais

Em outubro de 1999, de acordo com a ONU, o crescimento demográfico alcançou o número de 6 bilhões

de habitantes no planeta.

Detalhando este assunto, chegamos ao seguinte resultado:

• 1,5 bilhão de pessoas estão nos países do Primeiro Mundo;

• 4,5 bilhões de pessoas estão nos países do Terceiro Mundo.

Nas últimas décadas permaneceu um elevado crescimento populacional nos países pobres, enquanto os

países ricos adotaram a política demográfica neomalthusiana. Com isso, há uma tendência de ficar cada vez mais

desequilibrada a relação numérica e qualitativa entre os dois blocos de países.

Como não é interessante para a economia mundial a quantidade, mas sim a qualidade dos consumidores,

para os novos produtos, as ameaças de revoltas e de invasões das populações do Terceiro Mundo nos territórios

dos países do Primeiro Mundo, os governantes mais importantes do planeta começam a elaborar um projeto para

reduzir a taxa de natalidade no Terceiro Mundo.

Em 1995 ocorreu a Conferência do Cairo (Egito) para a discussão sobre o processo de desenvolvimento e

crescimento das populações, é óbvio, do Terceiro Mundo.

Em resumo, nessa Conferência os países mais ricos, principalmente o Grupo dos 7 (G-7), donos de 65%

da economia do planeta, se ofereceram para financiar a implantação de um projeto para conter a taxa de

natalidade no mundo.

No fundo era o interesse desses países:

• reduzira fecundidade e a fertilidade das mulheres;

• provocar um aumento na qualidade de vida das famílias mais pobres;

• que fosse diminuir o excedente populacional no Terceiro Mundo, que automaticamente reduziria os custos dos

países ricos em doações humanitárias, nos empréstimos e financiamentos de riscos e nas imigrações;

• aumentar a capacidade de consumo das populações da América Latina, África e Ásia Tropical, aumentando o

lucro das transnacionais e de suas filiais. Não é de graça que surgem os discursos condenando a pobreza.

Obs.: É a partir dessa Conferência que despontam as idéias dos ecomalthusianos, uma dissidência dos

neomalthusianos .

Oficialmente, essa proposta não é aprovada na Conferência do Cairo, pois os fundamentalismos

religiosos (Vaticano, Islã) se juntam e derrotam a proposta do G-7.

Proposta derrotada, proposta implantada, pois os países ricos atrelam a ajuda econômica, financeira e

tecnológica para o Terceiro Mundo, às imposições de que estes últimos implantem medidas de proteção e

preservação ambiental, contenção do crescimento demográfico e facilitem a entrada do capital, das empresas e

dos bancos internacionais.

Obs.: Em 1999 aconteceu, no Uruguai, a Cairo 5, que também fracassou nessa proposta.

Na reunião do G-8, em Gênova, ficou decidida a ajuda de bilhões de dólares para socorrer os países mais

pobres quanto aos avanços das doenças endêmicas e pandêmicas, principalmente para a África e a Ásia tropical.

Não é o suficiente, mas pela primeira vez, os países mais ricos se reúnem e tomam decisões de cunho social.

Características gerais

Dados IBGE – censo de 2000/2001

Tabela – população residente, em valores absolutos e relativos, total, em situação urbana na sede

municipal, área total e densidade demográfica, segundo as Unidades da federação e Municípios.

População residente

Valores absolutos Valores relativos

Urbana Urbana

Unidade da

Federação e

Municípios

Total

Total Na sede

municipal (1)

Total

Total Na sede

municipal (1)

Área total

km2 (2)

Densidade

demográfica

(hab/km2)

Brasil (3)(4)(5) 169.590.693 137.755.550 123.460.941 100 81.23 728 8.514.215,3 19.92

Fonte Censo Demográfico 2000.

(1) Exclusive a população residente nas áreas urbanas isoladas.

(2) Valores incluindo as águas interiores.

(3) Valores sujeitos a alteração em fase de atualizações de natureza cartográfica ou politico-administrstiva.

(4) Inclusive as áreas das Ilhas de Trindade e Martin Vaz.

(5) Inclusive 2977,4 km2 referentes á área a ser demarcada, em litígio, entre os Estados do Piauí e Ceará.

(6) Inclusive 10091,4 km2 e 2806,1Km2 referentes às Lagoas dos Patos e Mirim, incorporadas à área do Estado do Rio Grande do Sul segundo a

Constituição Estadual de 1988, não constituindo área municipal.

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1980, 1991 e 2000 e Contagem da População 1996.

Em 1872, o Brasil resolveu fazer o primeiro recenseamento dos dados da população brasileira e

descobriu-se que somávamos mais de 10 milhões de habitantes. Quase 120 anos depois, atingimos a marca de

167,8 milhões de habitantes (95). Tornamo-nos um dos países mais populosos do mundo, ocupando a quinta

posição mundial e a segunda no continente americano, após os EUA.

Distribuição da população

É importante lembrar que, apesar do Brasil ser um país populoso, possui baixa densidade demográfica

(19,3 hab/km 2), ou seja, um país pouco povoado. Apresenta uma irregular distribuição populacional pelo território.

Há forte concentração de pessoas na faixa litorânea (Região Sudeste). No Rio de Janeiro, a densidade passa de

300 hab/km2. No interior, a densidade torna-se gradualmente menor, principalmente nas Regiões Norte e Centro-

Oeste, onde encontramos 1,1 hab/km 2, como em Roraima e 1,4 hab/km2, no Amazonas. De forma geral, as

maiores concentrações populacionais estão próximas ao litoral, numa faixa de aproximadamente 300krn2, onde a

densidade ultrapassa 100 hab/km 2 em algumas áreas. Toda essa faixa possui densidade acima de 10 hab/km 2.

Além dessa faixa, para o interior a população torna-se paulatinamente mais escassa, passando por uma

densidade que seria mediana no Brasil. Esta faixa, com densidade de 1 a 10 hab/km 2, abrange desde o Maranhão

e o Pará até o Mato Grosso do Sul. Temos, ainda, áreas com densidades inferiores a 2 hab/km 2, que

correspondem ao Amazonas, Amapá e Roraima.

Áreas Densamente Povoadas

Zona da Mata Nordestina, Encosta da Borborema, Agreste (PE e PB), Recôncavo Baiano, Zona

Cacaueira (BA), Sul de Minas Gerais e Zona da Mata Mineira, Sul cio Espírito Santo, Grande parte do Rio de

Janeiro e São Paulo, Zonas Coloniais de Santa Catarina e Rio Grande cio Sul e o Distrito Federal.

Obs.: A Região Sudeste é a que apresenta a maior população absoluta, seguida da Região Nordeste. A Centro-

Oeste é a de menor participação no total.

Crescimento Populacional

Popclock - IBGE

Estimativas da População

no dia 25/2/2002 às 12 horas e 22 minutos

Somos agora no Brasil: 173.701.180 habs.

Somos agora no mundo: 6.207.856.214 habs.

O primeiro recenseamento oficial da população brasileira foi realizado somente em 1872. Antes desta

data só existiam estimativas, não muito precisas, a respeito da população.

A partir de 1872, foi possível ter-se um melhor controle e conhecimento a respeito da evolução do

crescimento populacional.

Observe, a seguir, a relação dos recenseamentos oficiais.

1980

160

140

120

80

60

40

20

0

Milhões

1991 1996 2000

População Total - 1980 - 2000

180

Dados Históricos dos Censos

População residente, por situação do domicílio e por sexo – 1940 - 1996

Total Urbana Rural

Anos

Homens Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres

1940 (1) 20.614.008 20.622.227 6.164.473 6.715.709 14.449.615 13.906.518

1950 (1) 25.885.001 26.059.396 8.971.163 9.811.728 16.913.838 16.247.668

1960 35.055.457 35.015.000 15.120.390 16.182.644 19.935.067 18.832.356

1970 46.331.343 46.807.694 25.227.825 26.857.159 21.103.518 19.950.535

1980 59.123.361 59.879.345 39.228.040 41.208.369 19.895.321 18.670.976

1991 72.485.122 74.340.353 53.854.256 57.136.734 18.630.866 17.203.619

1996 77.442.865 79.627.298 59.716.389 63.360.442 17.726.476 16.266.856

População Presente

Bibliografia:

Estatísticas Históricas do Brasil/volume 3, Rio de Janeiro: IBGE, 1987;

Armário Estatístico do Brasil/IBGE - Rio de Janeiro, volume 56, 1996;

Contagens da População 1996/Rio de Janeiro, IBGE, 1997,volume 1.

Atualmente (censo de 2000/2001), a taxa de natalidade está em 20 por mil habitantes/ano (20%aa) e a

taxa de mortalidade em 6,8 por mil hab./ano, como a migração líquida (emigração ± imigração) é mínima não

afetando o crescimento demográfico; portanto o crescimento líquido está em torno de 13,2 por mil hab./ano

(1,32%aa).

De acordo com a tabela apresentada, notamos que o crescimento da população brasileira foi muito

grande no período 1872/1990, passando de 10 milhões para 146 milhões de habitantes, o que significa um

acréscimo de 136 milhões de pessoas, em pouco mais de um século. Quais os fatores responsáveis por este

grande e rápido crescimento populacional ocorrido no Brasil? Os fatores são basicamente dois: o crescimento

vegetativo ou natural (fator principal) e a imigração (fator secundário) hoje, mas de importância histórica.

De acordo com o censo realizado em 1991 , houve uma diminuição na taxa de crescimento populacional

brasileiro, provocada principalmente, segundo o IBGE, pela queda acentuada da taxa de natalidade e pelo

aumento das migrações internas, resultantes das dificuldades provocadas pelo atual quadro socioeconômico do

País.

O crescimento vegetativo ou crescimento natural da população é a diferença entre as taxas de natalidade

e de mortalidade, ou seja:

CV = Nat - Mort

Observa-se uma redução da natalidade, a partir de 1972.

Essa redução, embora lenta, foi provocada por diversos fatores, como urbanização, elevação do padrão

socioeconômico da população, casamentos tardios e maior adoção de métodos anticoncepcionais.

Regionalmente, observam-se diferenças significativas no tocante à natalidade, sendo que as taxas mais

elevadas são encontradas nas Regiões Nordeste e Norte, enquanto as mais baixas estão nas Regiões Sudeste e

Sul.

A taxa de mortalidade, embora tenha sido bastante elevada até a década de 30, sofreu forte redução a

partir de 1940 (2ª Guerra Mundial). A redução acentuada da mortalidade, após 1940, (leve-se a fatores como o

progresso da Medicina e da Bioquímica (antibióticos, vacinas), melhoria da assistência médico-hospitalar, das

condições higiênico-sanitárias e urbanização da população. Quanto às variações das taxas de mortalidade,

verificamos que as mais elevadas são encontradas nas regiões Nordeste e Norte, e as menores, nas regiões

1940

160

140

120

80

60

40

20

0

Milhões

Evolução da População (1940 - 1998)

1950 1960 1970 1980 1991 1998

Sudeste e Sul; são mais elevadas nas zonas rurais que nas urbanas, e a mortalidade masculina é maior que a

feminina.

Portanto, a persistência de elevadas taxas de natalidade, aliada a uma redução acentuada da

mortalidade, explica o elevado crescimento da população brasileira até 1980, sendo, no caso, o crescimento

vegetativo o fator principal, e a imigração, o fator secundário. A partir de 1970, a queda da taxa de natalidade foi

mais acentuada que a queda na taxa de mortalidade. Portanto, a tendência atual é a de se reduzir o crescimento

vegetativo.

A mortalidade infantil continua declinando no Brasil, situando-se em torno de 37 por mil em 2000/2001.

ESTRUTURA ETARIA E FORMAÇÃO DA POPULAÇÃO

Estrutura etária da população

O Brasil sempre foi considerado um país jovem. No entanto, de acordo com o último censo, realizado em

1991 , o perfil etário da população tem apresentado mudanças. A taxa de natalidade está se reduzindo de maneira

significativa nos últimos anos e isto apresenta reflexo imediato na construção da pirâmide etária.

Pirâmide etária é a representação gráfica da composição de uma população segundo o sexo e a idade.

Na construção da pirâmide, representam-se: homens do lado esquerdo e mulheres do lado direito da linha vertical.

A escala vertical representa os grupos etários. Nas abscissas temos os totais absolutos ou relativos da população.

A base da pirâmide representa a população jovem, a parte intermediária, os adultos, e o ápice, os idosos.

O Brasil é considerado um país subdesenvolvido e, como tal, sempre apresentou a pirâmide com base

larga e ápice estreito. Mas, de acordo com o censo de 91, houve uma mudança deste quadro, pois a população

adulta passou a predominar em relação à jovem. Caracteriza, assim, uma transição demográfica.

Este fenômeno ocorreu porque o Brasil passou a ser um país urbano-industrial e nestas condições as taxas de

natalidade são naturalmente mais baixas.

Nota-se que as regiões de maior dinamismo econômico são justamente as que apresentam maiores proporções de

adultos, indicando fatores como menores taxas de natalidade ou mesmo forte migração interna.

Censo Demográfico 2000

População continua envelhecendo, mas a metade ainda tem até 24 anos

A idade mediana da população brasileira (idade que separa os 50% mais jovens dos 50% mais velhos)

aumentou dois anos e meio em nove anos, alcançando, em 2000, o patamar dos 24,2 anos, sendo de 23,5 anos

para os homens e 24,9 anos para as mulheres. A idade mediana em 1991 era 21,7 anos.

Esses dados, que acabam de ser divulgados, fazem parte das perguntas respondidas por toda a

população no Censo 2000.

O Estado do Rio de Janeiro tem a maior das idades medianas (28,1 anos) e o do Amapá, a menor delas

(18,3 anos). Em quase todas as unidades da federação houve um diferencial da idade mediana de homens e

mulheres, explicado pela maior expectativa de vida das mulheres.

Na composição por idade, no País como um todo, a contribuição do segmento de crianças de 0 a 14 anos no

total da população caiu de 34,73%, em 1991, para 29,60%, em 2000. O grupo de idosos de 65 anos ou mais, por

sua vez, seguiu, no mesmo período, trajetória ascendente: 4,83%, em 1991, contra 5,85%, em 2000.

A Região Nordeste se destaca pela maior redução do contingente de crianças (-16,32%) e pelo maior

aumento (10,15%) na proporção de pessoas entre 15 e 64 anos, consideradas potencialmente ativas na Região

Centro-Oeste se destaca pelo maior crescimento relativo (30,58%) na proporção de pessoas de anos ou mais.

Estrutura por sexos

O Brasil, bem como a maioria dos países ocidentais, apresenta um ligeiro predomínio de mulheres. Nos

estados nordestinos, onde a saída da população masculina é bem mais acentuada, encontramos predomínio

feminino, enquanto nos estados de migrações recentes das Regiões Centro-Oeste e Norte há o predomínio ele

homens.

Formação étnica do população brasileira

Três grupos deram origem à população brasileira: o indígena, de provável origem paleoasiática, por isso

também classificado como amarelo; o branco, principalmente o atlanto-mediterrâneo (portugueses, espanhóis e

italianos), além dos germanos (alemães, suíços, holandeses), eslavos (poloneses, russos e ucranianos) e asiáticos

(árabes e judeus) e negros, principalmente bantos e sudaneses. No século atual, mais um grupo veio integrar a

população brasileira: o amarelo, de origem asiática recente, principalmente os japoneses e, em menor quantidade,

os chineses e coreanos.

A miscigenação da população ocorreu de forma intensa, desde o início do processo colonial, no século

XVI, quando os colonos portugueses se relacionavam com escravas negras e indígenas, muitas vezes à força,

dando origem aos mestiços (mulatos e caboclos ou mamelucos), assim como o relacionamento entre negros e

indígenas deu origem ao cafuzo. As estimativas sobre o número de indígenas presentes no Brasil no início da

colonização e o número de escravos africanos ingressos durante a escravatura são muito elásticas e imprecisas,

variando entre 2 milhões a 10 milhões para os indígenas, e cerca de 6 milhões de escravos africanos. Por outro

lado, os portugueses ingressos ainda no período colonial alcançaram uma cifra de aproximadamente 500 mil, e

após a independência, cerca de 5 milhões, dos quais aproximadamente 2,5 milhões retornaram a Portugal. Já dos

imigrantes ingressos no País após 1850, cerca de 4,2 milhões permaneceram no Brasil. Assim, podemos deduzir

que, em termos étnicos, a maioria da população brasileira é mestiça. No entanto, as pesquisas levantadas pelos

últimos recenseamentos procuram enfatizar apenas a cor da pele da população, com base na informação

geralmente não muito precisa do entrevistado. A população indígena encontra-se reduzida a aproximadamente

0,6% da população brasileira, refletindo o etnocídio a que foi submetida, com a extinção de inúmeras nações

indígenas, quer seja pelo seu extermínio físico, quer seja pelo desaparecimento de sua cultura, em função da

"integração" com a sociedade global. Os negros foram reduzidos a cerca de 5% da população total, enquanto os

brancos representam cerca de 54,3%, e os mestiços, genericamente denominados de pardos nos atuais

recenseamentos, atingiram o índice de cerca de 40,1%. Obviamente que esses índices não representam

especificamente a formação étnica da população brasileira, porém, apenas uma classificação quanto à cor da pele.

Contudo, o que mais se evidencia nos dados coletados é o constante crescimento da miscigenação, representada

pelo crescimento da população mestiça e redução percentual dos 3 grupos básicos.

Dentre os aspectos relevantes que caracterizam a estrutura de uma população, ressaltam-se, pela sua

influência no desenvolvimento do País, as atividades principais exercidas pela população.

Segundo um critério hoje universalmente aceito, agrupamos as atividades humanas em três classes

principais, assim denominadas:

- Setor Primário: agricultura, pecuária, silvicultura e pesca;

- Setor Secundário: indústria de transformação;

- Setor Terciário: comércio, serviços e profissões liberais.

A população ativa no Brasil, em 1991, era de 43%, o que, conjugado ao baixo nível tecnológico dos

diversos setores de atividades, acarreta um baixo nível de produção econômica.

Apesar de sua diminuição progressiva, o setor predominante sempre foi o primário; porém, a partir de

1976, o terciário passou a ser o setor de maior absorção de ativos, enquanto o secundário sofre um grande

aumento de 1970 para 1991, passando de 17,8% para 22,7%.

Dentre as regiões brasileiras, a Norte e a Nordeste são as que apresentam maiores concentrações no

setor primário, enquanto a Sudeste e a Sul são as regiões de menores concentrações.

Na década de 70, o crescimento do setor secundário foi maior, uma vez que o país atravessou uma fase

de grande desenvolvimento industrial ("Milagre Brasileiro").

Evidentemente, a população ativa utilizada no setor secundário concentra-se fortemente no Sudeste, já

que a grande maioria da nossa indústria de transformação encontra-se nessa região.

O grande aumento do terciário ocorreu devido ao desenvolvimento do País, juntamente com a

urbanização da população, que passou a exigir mais intensamente as atividades de serviços.

Temos observado, nas últimas décadas, uma importante transferência da população economicamente

ativa do setor do primário para o setor terciário. Este fenômeno explica-se pela importante urbanização verificada

nas últimas décadas, principalmente no Sudeste, somada às transformações verificadas na zona rural.

A região de maior participação da população feminina na população economicamente ativa é a Sudeste.

A maior participação da população feminina ocorre em atividades sociais e de prestação de serviços.

Introdução

Entre outras explicações que se podem aventar para o fraco interesse que os homens públicos de nosso

país têm demonstrado para o problema da migração nos últimos anos, destaca-se a importância assumida pelas

correntes de migração interna. Correntes orientadas de uma região para outra no interior do País ou entre estados

de uma mesma região, ou dos campos para as cidades (êxodo rural), têm permitido, pela sua intensidade,

substituir a presença do elemento estrangeiro. Os principais movimentos migratórios ocorridos no Brasil foram:

a) Migração de nordestinos da Zona da Mata para o sertão, séculos XVI e XVII (gado);

b) Migrações de nordestinos e paulistas para Minas Gerais, século XVIII (ouro);

e) Migração de mineiros para São Paulo, século XIX (café);

d) Migração de nordestinos para a Amazônia, século XIX (borracha);

e) Migração de nordestinos para Goiás, década de 50 (construção de Brasília); e

f) Migrações de sulistas para Rondônia e Mato Grosso (década de 70).

As áreas de repulsão populacional são aquelas que perdem população por diversos fatores, como por

exemplo, a falta de mercado de trabalho, ou a dificuldade das atividades econômicas em absorver ou manter as

populações locais.

As áreas de atração populacional são aquelas que exercem atração sobre as populações de outras áreas,

pois oferecem melhores condições de vida.

Migração de campo-cidade ou êxodo rural

Consiste no deslocamento de grande parcela da população da zona rural para a zona urbana,

transferindo-se das atividades econômicas primárias para as secundárias ou terciárias. Esse é na atualidade o

mais importante movimento de população e ocorre praticamente no mundo todo.

Nos países subdesenvolvidos, ou em vias de desenvolvimento, a migração do campo para a cidade é tão

grande que constitui um verdadeiro êxodo rural. Ela intensificou-se a partir do surto industrial do Sudeste, iniciado

na década de 40.

Entre as causas do êxodo rural, destaca-se, de um lado, o baixo nível de vida do homem do campo,

ocasionado pelos baixos salários recebidos pelo trabalhador rural, pela falta de escolas, de assistência médica; de

outro, a atração exercida pela cidade, onde parece haver oportunidade de alcançar melhor padrão de vida.

Na prática, não aconteceu por dois motivos:

a) o mercado de trabalho não cresce no mesmo ritmo da oferta de mão-de-obra;

b) o baixo grau de qualificação dessa mão-de-obra, sem nenhum preparo para atender às necessidades dos

setores secundário e terciário.

As pessoas vindas do campo acabam por engrossar as fileiras do subemprego ou mesmo do

desemprego, sofrendo sérios problemas socioeconômicos. Um dos reflexos desse fato é a ampliação desordenada

e incontrolável das favelas, que cobrem grandes áreas, principalmente nas regiões menos valorizadas das

cidades.

Na zona rural, a maior conseqüência da migração para as cidades é o despovoamento, que, sem ser

compensado pela mecanização e aliado a outros problemas, ocasiona queda da produção e elevação do custo de

vida.

O Estatuto do Trabalhador Rural, em 1964, foi criado com a intenção de beneficiar o homem do campo,

obrigando os proprietários de terras a encargos trabalhistas, como salário mínimo, décimo terceiro salário, férias,

etc. No entanto, não podendo ou não querendo assumir tais encargos, muitos proprietários preferiram dispensar

boa parte de seus empregados, o que acabou por intensificar o êxodo rural. Nas cidades do interior, os

trabalhadores dispensados transformam-se em bóias-frias, os diaristas, que trabalham apenas em curtos períodos,

sem nenhuma garantia.

Em síntese, as principais causas e conseqüências do êxodo rural são:

Causas repulsivas:

a) excedentes populacionais que acarretam um desequilíbrio entre mão-de-obra disponível e a oferta de emprego;

b) mecanização de agricultura;

c) secas, inundações, geadas;

d) erosão e esgotamento do solo;

e) falta de assistência médica e de escolas;

f) baixa remuneração no trabalho;

g) concentração das terras, em mãos de poucos;

h) Estatuto do Trabalhador Rural.

Causas atrativas:

Melhores condições e oportunidades de vida que as cidades oferecem:

a) empregos;

b) escolas;

c) moradia;

d) profissionalização;

e) assistência médica.

Conseqüência do êxodo rural

a) zonais rurais: perda da população ativa e queda geral da produção ou estagnação econômica das áreas rurais,

quando a saída de trabalhadores não é compensada pela mecanização.

b) zonas urbanas: rápido aumento da população; maior oferta de mão-de-obra nas cidades, com salários baixos,

falta de infra-estrutura das cidades; desemprego; formação de favelas; delinqüência; mendicância.

Hoje: a atração dos centros regionais

Na década de 90, devido à crise econômica, ocorreram duas situações:

1) A migração de retorno, em que milhares de nordestinos, expulsos do mercado de trabalho em contração,

retornam às suas cidades de origem.

2) O crescimento nas áreas industriais e agroindustriais das capitais regionais, cidades com forte atração dos

migrantes brasileiros.

A década de 90 registra o fim das grandes correntes migratórias, como a dos nordestinos ou a dos

paranaenses. Hoje, os movimentos migratórios são pequenos e bem localizados, em geral, em direção a capitais

regionais. Agora, em vez de mudar para São Paulo, os nordestinos preferem buscar empregos e oportunidades

nas próprias capitais nordestinas ou em cidades médias da região, transferindo para o NE problemas que antes

eram típicos das grandes metrópoles do Centro-Sul.

O próprio governo assume que o êxodo rural é um movimento que está sendo esvaziado no País, pois já

somos 83% urbanos, e a maior migração atual é urbano x urbano, com crescimento das cidades médias.

1970-1990: a nova Fronteira agrícola do Brasil

A partir da década de 70, a Região Sul passou a ter importância como área de saída populacional em

direção à nova fronteira agrícola brasileira (MT/RO). O desenvolvimento na Região Sul, o aumento das culturas

mecanizadas, a geada negra que atingiu a cafeicultura e o crescimento do tamanho médio das propriedades foram

fatores que colaboraram para a expulsão dos trabalhadores rurais e dos pequenos proprietários.

O PR registrou a maior saída de migrantes no Sul. A população do Centro-Oeste cresceu 73% na década

de 70 enquanto a da Região Norte obteve maior crescimento na década de 80. Nessas duas regiões o

crescimento deu-se devido ao forte fluxo migratório, favorecido pelo projeto de colonização e pela abertura de

novas rodovias. Atualmente não existe política de fronteira agrícola oficial.

Rondônia registrou grande crescimento migratório, pois sua população aumentou 342% na década de 70.

Migrações Internas Recentes

Áreas de forte atração populacional:

• Brasília e periferia;

• áreas metropolitanas de caráter nacional e regional;

• áreas de ocupação recente do oeste paranaense e catarinense;

• RO, AP e PA;

• áreas pioneiras ao longo da rodovia Belém-Brasília, como Capitão Poço e Paragominas, no Pará;

• áreas madeireiras e mineradoras da Amazônia;

• áreas de colonização baseada em médias e pequenas propriedades no Pará; e

• áreas de expansão da pecuária de corte em manchas de cerrados no Centro-Oeste.

Áreas de Evasão Populacional:

• áreas onde a cultura do café vem sendo substituída pela pecuária de corte: Colatina e Alto São Mateus, no ES;

Mantena e Manhuaçu, em MG;

• áreas onde a cafeicultura vem sendo substituída por outras culturas comerciais ou pela pecuária, como a região

da Borborema, na Paraíba;

• áreas de economia estagnada pela pecuária extensiva: Baixo Balsas no MA e Alto Parnaíba no PI.

Migrações diárias

Podemos citar outros fluxos migratórios internos pela sua temporariedade, apresentando ritmos, dimensões e

objetivos variados e que são chamados migrações pendulares.

Os principais são:

• Deslocamentos dos Bóias-Frias

Morando na cidade, dirigem-se diariamente às fazendas para trabalhos agrícolas, conforme as necessidades dos

fazendeiros. Trata-se de um movimento urbano-rural.

• Deslocamentos dos Habitantes de Cidades-Dormitórios

Movimentos pendulares diários inconstantes dos núcleos residenciais periféricos em direção aos centros

industriais. Relacionado às imigrações de trabalho próprias das áreas metropolitanas, tais como: SP, RJ e Belo

Horizonte. Nas grandes metrópoles, a especulação imobiliária, aliada aos baixos salários, empurra o trabalhador

para longe do seu trabalho, obrigando-o a se utilizar de transporte coletivo, na maior parte precário ou insuficiente

para atender ao enorme fluxo populacional.

URBANIZAÇÃO

Definição

É um processo e ocorre quando o crescimento da população nas cidades é superior ao crescimento

demográfico do País.

Em situações normais é acompanhada do processo de industrialização.

Provoca o êxodo rural.

Não há dúvidas de que resulta em mudanças significativas na forma de organização de uma sociedade,

inclusive em seus valores políticos, sociais, culturais e econômicos, além da localização espacial. Portanto, altera

as características do espaço geográfico.

Hábitat

Refere-se à natureza do local em que os grupos humanos vivem. Em decorrência dessa ocupação e do

reflexo do seu gênero de vida, a paisagem natural sofre diversas alterações.

De acordo com a situação geográfica, o hábitat pode ser rural ou urbano.

Hábitat Rural

Relativo ao modo de ocupação do solo no espaço rural, e a sua exploração às relações entre os

habitantes.

Hábitat Urbano

Relativo às cidades e sua ocupação: nelas, as atividades predominantes originam-se do setor econômico

secundário e do terciário (serviços).

A sociedade rural apresenta contrastes com a urbana, tais como:

• a dimensão dos núcleos de povoamento;

• o grau homogêneo de cultura e etnia;

• a estabilidade social e ocupacional;

• o modo de viver de ambos os grupos é diferente.

Atualmente, no entanto, nenhuma sociedade é inteiramente rural ou completamente urbana, cidade e

campo; hoje, não estão inteiramente em oposição como local de residência, ocupação ou modo de vida, pois cada

vez mais se relacionam, sendo difícil separar o rural do urbano, uma vez que a sociedade vem se tornando menos

rural e mais urbana à medida que passa de fazendas isoladas para estágios representados pelas aldeias, vilas

(hábitat urbano), cidades comerciais, grandes cidades e, finalmente, metrópoles.

Assim, as definições de rural e urbano variam muito entre os países, tornando difíceis as comparações

internacionais.

O tamanho do povoado é o tipo de distinção mais respeitado entre o urbano e o rural e é o critério entre

as Nações Unidas em suas publicações. Isto, no entanto, não resolve o problema da linha divisória, uma vez que a

contagem da população urbana é subestimada e a rural exagerada, pois os citadinos que vivem fora dos limites da

cidade vêm se tornando muito numerosos.

Cidade é um "organismo material fechado que se define no espaço pelo alto grau de relações entre seus

habitantes, pelas suas relações com um espaço maior e pela independência de suas atividades em relação ao

solo onde está localizada".

As definições de cidade são diferentes, mas a maioria delas concorda num ponto: trata-se de um

aglomerado humano, variando em número e na sua relação com o espaço (sua área).

No Brasil, a partir de uma lei em 1938, utiliza-se o critério político-administrativo para se definir a cidade,

sendo assim considerada toda sede de Município, não importando sua população nem expressão econômica.

Município é uma sociedade capaz de autogoverno e auto-administração dos serviços que lhe são

peculiares. Ao Município, em colaboração com o Estado, compete zelar pela saúde, higiene e segurança da

população.

Classificação dos Cidades quanto à Origem

Cidades espontâneas ou naturais

Aquelas que surgiram naturalmente, a partir da expansão de antigos hábitats rurais aglomerados nas

diversas fases do desenvolvimento da economia brasileira:

a) Feitorias (escalas de expedições marítimas para defender e explorar as terras coloniais) - Cabo Frio (RJ),

Santa Cruz de Cabrália (BA);

b) Defesa (fortificações) - Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN);

c) Missões religiosas - São Paulo, Guarapari (ES);

d) Mineração - Ouro Preto (MG), Cuiabá (MT);

e) Entroncamento Ferroviário - Bauru, Mairinque (SP);

f) Núcleo de Colonização - Londrina, Maringá (PR), Blumenau, Joinville (SC), Caxias do Sul, Bento Gonçalves

(RS);

g) Arraiais do Bandeirismo Minerador - (as chamadas corrutelas das áreas diamantíferas) - Poxoréo (MT),

Aragarças (GO).

Cidades planejadas ou artificiais

Criadas a partir de um plano previamente estabelecido. No Brasil, temos:

Teresina (PI) 1851

Aracaju (SE) 1858

Belo Horizonte (MG) 1898

Goiânia(GO) 1937

Brasília (DF) 1960

Quanto à evolução urbana, convém observar que possuímos cidades-mortas, felizmente sendo raros os

exemplos de morte absoluta, de desaparecimento total, porque estamos livres de erupções vulcânicas ou terremotos

e nunca sofremos os flagelos das guerras de extermínio ou de invasões arrasadoras; apenas a construção

de barragens e o represamento de águas fluviais para produção de energia hidrelétrica têm sido responsáveis por

tais mortes, como aconteceu com mineração do ouro e das pedras preciosas.

Classificação das Cidades Quanto ao Sítio Urbano

O sítio urbano é a área em que o aglomerado está assentado. É o "assoalho" da cidade. Assim, temos:

a) Acrópole ou Colina (geralmente com objetivos defensivos) - Salvador (BA), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro

(RJ);

b) Planície - Manaus (AM), Belém (PA) e Santarém (PA);

c) Planalto - Brasília (DF) e Cuiabá (MT);

d) Montanhas - Ouro Preto (MG), Campos do Jordão (SP) e Belo Horizonte (MG);

e) Insular - São Luís (MA), Vitória (ES), Florianópolis (SC) e Guarujá (SP).

Observação

As cidades de São Luís, Vitória, Santos e São Francisco não podem ser consideradas cidades insulares

típicas, já que apresentam íntimo contato com o continente e mal se percebe a passagem deste para a ilha. Já no

caso de Florianópolis, por exemplo, a insularidade é marcante.

Classificação das Cidades Quanto à Posição Geográfica

A situação da cidade em relação aos elementos do meio físico que lhe são próximos explica a sua

evolução e permite a seguinte classificação:

Fluvial:

• Juazeiro (BA)

• Manaus (AM)

Grande é o número de cidades brasileiras localizadas junto a rios ou em suas proximidades. Destacam-se

da Amazônia (nos "tesos" ou "baixos" - platôs), do médio e baixo São Francisco, do alto-médio Paraguai.

Dessas cidades, umas poucas são localizadas em estuários, sendo raras as que se assentam junto a

deltas (como é o caso de Parnaíba, no Piauí). Por vezes, prolongam-se para outra margem, fazendo nascer

bairros autônomos, que no Meio-Norte denominavam-se "trezideIas". Noutros casos, deixam os rios a certa

distância, fixando-se no vale fluvial, em terrenos livres das inundações, sobre "terraços", como se verifica no Vale

do Paraíba do Sul, no âmbito da planície terciária.

Marítima

• Rio de Janeiro (RJ)

• Natal (RN)

Litorânea (não banhada pelo mar)

• Cubatão (SP)

• Itabuna (BA)

Interiorana

• Campinas (SP)

• Bauru (SP)

Classificação das Cidades Quanto à função Urbano

A atividade básica em função da qual vive a cidade e da qual se origina o seu Produto Interno Bruto

permite a seguinte classificação:

Comercial

• São Paulo (SP)

• Campina Grande (PB)

Industrial

• Volta Redonda (RJ)

• Santo André (SP)

Religiosa

• Aparecida do Norte (SP)

• Bom Jesus da Lapa (BA)

Estação de saúde

• Campos do Jordão (SP)

• Araxá (MG)

Turística (balneária)

• Guarujá (SP)

• Camboriú (SC)

Militar estratégica

• Resende (RJ)

• Vila dos Remédios (FN)

Turística (histórica)

• Ouro Preto (MG)

• Parati (RJ)

Portuária

• Santos (SP)

• Paranaguá (PR)

Administrativa

• Brasília (DF)

• Florianópolis (SC)

Classificação dos Cidades quanto à Hierarquia Urbano

É expressa pela rede urbana que a cidade apresenta e sua posição de polarização sobre as demais.

Metrópole nacional

Aquela cuja área de influência abrange todo o território nacional. Ex.: São Paulo (SP) e Rio de Janeiro

(RJ).

Metrópole regional

Aquela cuja área de influência abrange uma região do País, polarizando esta área através de infraestrutura

e equipamentos urbanos.

Capital regional

O espaço regional polarizado é menor e representa uma posição hierárquica intermediária entre o centro

regional e a metrópole regional. Ex.: Campinas (SP), Sorocaba (SP), Goiânia (GO), Santos (SP) c São José dos

Campos (SP).

Centro regional

Diretamente influenciado pela capital regional e que polariza um subespaço dentro da área de influência

da capital regional. Ex.: Americana (SP), Itapetinga (SP), Anápolis (GO), Cubatão (SP) e Jacareí (SP).

Urbanização

É um processo de criação ou de desenvolvimento de organismos urbanos. Certos períodos foram

especialmente favoráveis ao desenvolvimento da vida urbana. No Brasil, o desenvolvimento da urbanização teve

um incremento a partir de 1930, quando o desenvolvimento industrial se intensificou, acarretando o crescimento

rápido das cidades, principalmente do Sudeste, por receberem a população do campo atraída pela indústria.

Recentemente, o processo abrange quase todas as partes do país, não só pela indústria, mas por outras

atividades econômicas ou expansão de serviços.

Em 1970, o Brasil atingiu um total de 3.951 cidades. Dentre estas, nove transformaram-se em grandes

aglomerados urbanos, denominados metrópoles, constituídos pela cidade principal e por núcleos urbanos de maior

importância, situados à sua volta em sua função.

Causas e conseqüências da urbanização:

• processo de industrialização a partir de 1930;

• êxodo rural: precárias condições no campo e atração das cidades;

• concentração rápida no Sudeste:

• crescimento rápido e caótico das cidades.

Megalópoles

Correspondem à conurbação de várias metrópoles, com fusão de sítios urbanos, gerando gigantescos

aglomerados que ocupam extensas áreas. Exemplo: a região que se estende de Boston até Washington, tendo

como centro Nova Iorque.

Alguns autores consideram que há um processo de formação de uma megalópole, unindo São Paulo ao

Rio de Janeiro pelo Vale do Paraíba.

A Grande São Paulo

A região da Grande São Paulo é definida e regulamentada pelos Decretos n° 48.163, de 3 de julho de

1967 e n° 50.096, de 30 de julho de 1968, do Governo do Estado de São Paulo. Essa definição está vinculada ao

processo de institucionalização de áreas e entidades metropolitanas rio Brasil.

A região possui 15.992.170 habitantes (1993), numa superfície de 7.951 km 2, com 39 municípios. Tal

população é equivalente à da Venezuela (912.050 km 2 ), Arábia Saudita (2.240.000 km 2), Holanda (33.936 km2)

ou, ainda, de Moçambique (799.380 km2) . A ela correspondia, em 1980, 68% do valor da produção industrial do

Estado de São Paulo e 39% do Brasil. Em 1967, foi criado o GEGRAM - Grupo Executivo da Grande São Paulo -

órgão técnico da Secretaria de Economia e Planejamento desse estado, para enfrentar os grandes problemas

ainda existentes.

Esta região assume importância nacional, não apenas por sua grande população (15,9 milhões de

habitantes - 1993), mas por se constituir em um pólo de desenvolvimento para o crescimento do Brasil. Contudo,

essa área apresenta grandes problemas a serem resolvidos, como os de habitação, transportes, assistência

médico-hospitalar, educação, abastecimento de água, rede de esgotos, etc.

Conceitos Importantes

Região Polarizada

Constituição da região planejada em torno de metrópoles. O regionalismo leva à formação de diversas

grandes cidades que podem atingir vários milhões de habitantes e onde cada uma delas pode alcançar caráter

metropolitano internacional e, como pólos, organizar regiões em torno de si, onde a população gradativamente

adquire consciência regional. O estudo das regiões polarizadas nos leva à divisão de estados em regiões

administrativas e, estas, em sub-regiões.

Malha Urbana

Diz-se da forte concentração de cidades em uma determinada área do país, como, por exemplo, a região

Sudeste, em determinadas partes. Na região Sul, a malha urbana caracteriza-se por maiores concentrações em

alguns pontos, por exemplo, as áreas próximas a Porto Alegre, Curitiba e leste catarinense.

Rede Urbana

Sistema de cidades distribuídas numa região, encaradas como um complexo sistema circulatório entre

núcleos e funções diferentes, mantendo relações entre si e dependentes de um centro principal que comande a

vida regional. Existem redes urbanas mais e menos organizadas, estando em permanente processo de

transformação.

Áreas metropolitanas

Conjunto de municípios contíguos e integrados com serviços públicos de infra-estrutura comuns. Grandes

espaços urbanizados que se apresentam integrados, seja quanto aos aspectos físicos ou funcionais de uma

metrópole que exerce o papel dirigente. É unia conurbação.

Conurbação

Reunião de duas ou mais cidades de crescimento contínuo formando um único aglomerado urbano. Ex.:

Região do SP + ABCDOM, mantendo a autonomia político-administrativa.

Regiões funcionais urbanas

Divisão regional tendo por base a influência das cidades sobre o espaço ou sua polarização.

Macrocefalismo

Quando a população cresce em nível superior a infra-estrutura, acaba provocando um inchaço urbano

com hipertrofia na atividade terciária tendo como conseqüências:

- elevação do desemprego e subemprego;

- elevação da economia informal e ilegal;

- criação de um exército de reserva e o achatamento salarial;

- ocupações irregulares com degradações ambientais.

Crescimento acentuado e desordenado das cidades. Aumento da população além da infra-estrutura

socioeconômica.

Subemprego

Atividade gerada pelo inchaço do setor terciário, com atividades tais como cuidador de carros, vendedores

de semáforos, biscateiros; surgem para desafogar a falta de trabalho, gerando hipertrofia no setor terciário.

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisa. Departamento de Contas Nacionais, Sistema de Contas Nacionais – 1998/2000.

Nota: os dados do PIB per capita foram revisados para incorporar as novas projeções da população do Brasil

compatíveis com os resultados do Censo Demográfico 2000.

De acordo com o apresentado pela tabela, o PIB brasileiro ultrapassou o valor de um trilhão de reais.

Infelizmente a desvalorização de nossa moeda, devido à adoção do câmbio flutuante a partir de janeiro de 1999,

comparando com a moeda norte-americana e, respeitando a oscilação diária entre as duas moedas, nosso PIB,

hoje, é inferior a 500 bilhões de dólares.

Nossa renda per capita aproxima-se de R$ 6500,00, permitindo a mesma forma de análise feita para o

PIB geral. Comparando com a moeda internacional, nossa capacidade de consumo despencou nos últimos dois

anos.

Observe que, aproximadamente 60%n da PEA - População Economicamente Ativa, concentra-se na faixa

de rendimento entre meio a, no máximo, três salários mínimos, enquanto que menos de 2% da PEA possuem

rendimentos iguais ou superiores a 20 salários mínimos, comprovando que o Brasil é uni dos países de maior concentração

de riquezas no mundo, podendo até, se voltarmos às tabelas anteriores - PIB, PIB per capita - que são

meramente estatísticas, comprovar tanto a concentração de riquezas, como a forma mascarada como dados e/ou

tabelas meramente estatísticas conseguem esconder muito de nossa realidade econômica e, por tabela, as

condições precárias de significativa parcela de nossa população.

Não esquecendo que o próprio Estado assume que: próximo de um terço da população possui renda

mensal inferior a 80 reais/mês/pessoa. E que esta renda é inferior às necessidades básicas desta população.

Portanto, elevado número de pessoas está localizada abaixo da linha de pobreza, de acordo com o Indicador de

Desenvolvimento Humano (IDH), elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 1980, 1991 e 2000 e Contagem da População 1996.

Pela previsão anterior do IBGE, chegaríamos aos 200 milhões de habitantes no ano 2000, mas houve

uma queda no crescimento demográfico da população brasileira; portanto chegamos ao ano 2000, com 30

milhões, a menos, em relação ao previsto inicialmente. Que o crescimento demográfico está caindo é certo,

reduzindo, assim, a disparidade refletida nas décadas anteriores, onde o crescimento econômico ficava muito

distante do aumento populacional. Mas isto não quer dizer que estamos caminhando para o equilíbrio no

crescimento socioeconômico, basta notar que a porcentagem de crescimento atual é menor, mas em relação a um

número maior de habitantes. Concluindo: o crescimento demográfico diminuiu, mas a quantidade de brasileiros

que são acrescentados, por década, em nossa população, continua superior a 20 milhões, enquanto o crescimento

econômico vem ocorrendo de forma muito mais lenta, combinando esta realidade com o baixo rendimento da

maioria da PEA e a alta concentração de riquezas percebe-se a desigualdade socioeconômica que ainda

caracteriza nossa sociedade.

O início de estreitamento apresentado na base da pirâmide indica a queda ocorrida na taxa de natalidade.

Note que nos últimos 20 anos, a taxa de natalidade vem diminuindo e isto indica muitas mudanças quanto às

características gerais de nossa população, entre estes fatores, os principais são: queda na taxa de fecundidade,

isto é, a cada geração está diminuindo o número de filhos por mulheres, tendo como causas principais: casamento

tardio, maior instabilidade nas relações familiares, maior independência do sexo feminino, uso da mão-de-obra

feminina, devido ao processo de terciarização da economia, maior consciência e nível de informações da

população, bem como maior uso de métodos anticonceptivos e abortivos.

Ao dividirmos a população por faixa de idade verificamos que não é mais verdade que o país é formado

por jovens, pois a maioria é formada por adultos, de forma mascarada, pois a maioria encontra-se com idade

abaixo dos 30 anos. Enfim, há uma tendência muito forte da população acelerar seu processo de envelhecimento

nas próximas décadas, aumentando o número de velhos e reduzindo o número de jovens no total da população.

A pirâmide etária da população demonstra que estamos iniciando um processo de transição, típica, antes

ocorrida nos países desenvolvidos, desde que não seja confundido, que os meios utilizados pelos países ricos

foram bem distintos dos que hoje estão sendo usados nos países subdesenvolvidos, pois nos primeiros, a queda

na taxa de natalidade e o conseqüente envelhecimento da população foram resultado de planejamento familiar,

resultando no Estado do Bem-Estar Social (Welfare State), onde houve uma melhoria significativa na qualidade de

vida da população. Agora, no Terceiro Mundo a situação se modifica quanto aos meios, inclusive com a questão

de esterilização em grande escala, tanto feminina como masculina.

No Brasil, já virou lugar comum as pessoas dizerem que há várias mulheres para cada homem no total da população;

na verdade, a própria história comprova que isto não é verdadeiro, pois não tivemos nenhuma perda

significativa de um dos sexos que viesse a refletir no total da população. Qual foi a última, por sinal, a única guerra,

onde tivemos perdas significativas do sexo masculino? Foi na guerra do Paraguai, acontecimento superior a mais

de um século, portanto não interferindo mais na nossa realidade populacional quanto à porcentagem por sexo.

É verdade que o aumento na expectativa de vida provoca um aumento da população feminina, pois a taxa

de mortalidade masculina em idade mais baixa é mais elevada. Mas, comparando com os países desenvolvidos,

nossa expectativa de vida ainda é muito baixa, portanto a diferença a mais de sexo feminino no total da população

é minto pequena para que seja exaltada a supremacia numérica das mulheres em relação aos homens. É certo

que em nível regional e até local, existem lugares no país onde a maioria ele mulheres fica bem mais perceptível,

mas isto é um resultado da realidade socioeconômica, com áreas de expulsão e áreas de repulsão da mão-deobra.

Na verdade, não passa de 2% o percentual a mais de sexo feminino, em relação ao sexo masculino.

No prazo de 15 anos, nossa expectativa de vida elevou-se de forma significativa, se compararmos com o

aumento em outros países do Terceiro Mundo, mas ainda está muito distante dos 85 anos, em média, que

caracterizam a esperança de vida nos países desenvolvidos.

Outro fator relevante que a tabela não demonstra, mas que deve ser muito bem considerado, é a

diferença de esperança de vida entre a parte da população de baixa renda, quando comparada com a parte,

menor em quantidade, é claro, da população de elevada renda. Novamente, fica o alerta para que ao estudar,

analisando tabelas, gráficos ou modelos sistematizados, devemos sempre ter em mente que se tratam de

demonstrações gerais, que na maioria não demonstram ou até escondem a realidade socioeconômica de uma

certa população. Basta lembrar que os 10% mais ricos do país concentram quase que a metade da riqueza e

possuem urna esperança de vida superior aos 73 anos, enquanto os 10% mais pobres, concentram menos de

0,8% das riquezas do país e possuem uma esperança de vida próxima dos 57 anos, isto, sem considerar as

diferenças de esperança de vida, estatura, peso, índice de nutrição, taxa de mortalidade geral, infantil e etc, muito

diferenciada entre a população do Norte, Nordeste em relação ao famoso Centro-Sul, mais desenvolvido.

Como a taxa de mortalidade vem declinando desde o final da 2ª Guerra Mundial, hoje ela está próxima

dos 6,8 em relação a mil habitantes, demonstrando que há um aumento na esperança de vida, e conseqüente

envelhecimento da população.

A manutenção da elevada taxa de natalidade, pois seu declínio foi mais lento do que a queda da taxa de

mortalidade, nas décadas de 30/70, provocou um desequilíbrio, que favoreceu a um tipo de boom ou aumento

demográfico.

Da década de 80 em diante, a taxa de natalidade começa a declinar mais rápido, enquanto a mortalidade

começa a estacionar entre os índices de 7 a 8 por mil habitantes, permitindo uma reaproximação entre as duas

taxas, e o conseqüente declínio no crescimento demográfico. A taxa de natalidade atual é próxima dos 20 por mil

habitantes e, como a migração líquida (diferença entre a emigração e a imigração) atualmente pouco interfere no

resultado final do crescimento populacional, podemos concluir que o crescimento atual da população brasileira

está situado abaixo de 15 por mil ao ano, ou seja, menos de 1,5% ao ano.

Obs: Novamente, precisamos lembrar que estes dados são estatísticos e gerais, não refletindo nossa realidade,

principalmente nossas disparidades regionais e socioeconômicas. Basta lembrar do quanto de crianças que não

eram registradas pelas famílias mais pobres enquanto não completavam cinco anos, os "anjinhos" só eram

registrados se sobrevivessem a esta primeira fase de suas vidas. É ruim lembrar que a principal causa do não

registro destas crianças era o custo para registro em cartórios, era caro e difícil para a população mais pobre tirar

uma certidão de nascimento de seus filhos. Portanto os pais esperavam os primeiros anos de vida da criança. Se

sobrevivesse até os cinco anos de idade é que elas eram registradas.

Fonte: IBGE, Projeção Preliminar da população do Brasil - Revisão 2000.

A taxa de fecundidade representa o número de filhos por cada mulher numa geração. Sua queda

acompanhou o processo de mudanças na estrutura de organização e da localização espacial da sociedade, isto é,

o processo de urbanização e industrialização provoca mudanças de comportamento na sociedade, principalmente

nas mulheres, onde as dificuldades em conjunto com uma maior conscientização quanto aos custos econômicos e

afetivos resultam na necessidade de reduzir o número de filhos por casal. Hoje temos quase que um casal para

dois filhos, de novo demonstrando uma tendência, no futuro próximo de ser atingido um equilíbrio maior entre o

crescimento populacional e a condição socioeconômica.

Numa demonstração clara quanto às dificuldades econômicas e as mudanças nas características do meio

familiar, os casamentos oficiais estão declinando de forma muito rápida, isto não quer dizer que as pessoas não

estão se unindo e formando famílias, o que se percebe é que os valores da sociedade estão mudando de forma

muito rápida. O próprio Estado passa a reconhecer outras formas de união familiar, numa demonstração clara que

a sociedade o está forçando a mudar de comportamento. Já o número de separações ficou estabilizado na faixa

de 90 por mil ao ano, após a explosão que tivemos na década de 80, depois da legalização do divórcio pelo

Congresso Nacional.

O próprio Governo assumiu recentemente que o êxodo rural estava sendo esvaziado. Se isto é

verdadeiro, é correto dizer que a época das megacidades também está esgotada; basta lembrar do alto custo de

vida, do índice de desemprego, das ocupações irregulares, da falta de infra-estrutura sociocultural, das questões

ambientais e principalmente da incapacidade do Estado de gerar segurança para a população, principalmente nos

grandes centros urbanos. Enfim a urbanização superou o índice de 83%; este índice é superior ao de muitos

países desenvolvidos, tendo como conseqüência o processo de Macrocefalisino ou inchaço urbano, aonde o

aumento populacional não veio acompanhado do crescimento de infra-estrutura socioeconômica, faltando leitos

hospitalares, habitação, salas de aula, empregos, transporte público, áreas de lazer, etc., que atendessem às

necessidades da população concentrada nas metrópoles. Não é de todo errado dizer que há uni tipo de "guerra

civil" nos grandes centros urbanos, e que, o Estado encontra-se em posição desfavorável em relação aos grupos

paramilitares que sustentam o narcotráfico, os grupos de extermínio, sequestros, assaltos e etc.

Fonte: IBGE, Censos Demográficos de 1980, 1991 e 2000 - Contagem da População 1996.

O mais importante de ser analisado nesta tabela é a queda gradual do número de jovens, o crescimento

de adultos e que, é óbvio, uma hora estes adultos vão envelhecer. De acordo corri previsões do Governo,

podemos chegar em poucas décadas a índices superiores a 30% de habitantes com mais de 60 anos.

Como o Governo não tem mais política de fronteira. agrícola, o gráfico demonstra que atualmente há uma

pressão para que ocorra uma ocupação mais racional do espaço agrícola já existente. O caráter típico de

produção extensiva, cora terra barata, está sendo substituído por atividade mais capitalista, com interesse na

exportação, aumentando a produtividade, graças ao uso de insumos - sementes selecionadas, agrotóxicos,

mecanização e etc. Basta notar o aumento na produção sem aumentar a área ocupada pela atividade agrícola,

como o próprio gráfico demonstra. Estamos chegando ao patamar de 100 milhões de toneladas/grãos, sendo que

a Região Sul, a menos extensa, permanece como o grande celeiro agrícola do país, apesar do alto crescimento da

Região Centro-Oeste.

A QUESTÃO AMBIENTAL

GEOPOLITICA E QUESTÃO AMBIENTAL

Introdução

A economia mundial continua sendo uma das forças motrizes da degradação ambiental, tanto quando se

trata da perda da floresta tropical, como pelo aquecimento da Terra por milhões de toneladas de gases que são

despejados na atmosfera por veículos e fábricas. Os pobres são os mais prejudicados, simplesmente porque têm

menos recursos para sobreviver. Essa disparidade manifesta-se de modo mais evidente na expectativa de vida: 73

anos nos países desenvolvidos e 60 anos nos países pobres.

Em geral, o crescimento econômico nos anos 80 foi mais lento que nos anos 70. Para muitos países

pobres os anos 80 foram uma década perdida, em vários sentidos. A dívida externa disparou, os preços das suas

matérias-primas baixaram, as políticas de ajuste não funcionaram e 1/3 de sua população - 1 bilhão e 200 milhões

de habitantes - vive abaixo do limite da pobreza, estimado em 370 dólares anuais per capita. As reformas

econômicas impostas pelos governos não trouxeram benefícios para essa população pobre e, em muitos casos,

pioraram a situação.

Muitos governos de países pobres se preocuparam unicamente com a crise econômica e política a curto

prazo. A administração e conservação dos recursos ambientais ocuparam um lugar de pouco destaque nas listas

de prioridades.

A oposição Norte-Sul

Segundo o Banco Mundial, dos 49 países que tiveram redução no seu Produto Interno Bruto (PIB) nos

anos 80, quase todos têm economias predominantemente agrárias, baixa renda, rápido crescimento populacional

e pas sam por uni processo acelerado de degradação ambiental. O desnível de renda entre o Norte e o Sul se

traduz no acesso desigual aos produtos do progresso material. Atualmente, os países desenvolvidos, que

concentram menos de uni quinto da população mundial, consomem 80%, dos recursos naturais (alimentos e

matérias-primas) produzidos no planeta. Os 20% restantes são disputados por mais de 4 bilhões de pessoas, das

quais mais de um bilhão situam-se abaixo dos níveis de miséria absoluta. A maioria, cerca de 60%, vive no

chamado cinturão tropical, justamente onde se localizam 58% das terras cultiváveis do planeta.

A diferença entre o Norte e o Sul tende a aumentar devido ao tipo de trocas internacionais. Os produtos

oferecidos pelos países pobres no mercado mundial - matérias-primas e produtos semi-elaborados - vêm

perdendo valor frente à produção dos países ricos, centrada na inovação tecnológica. Para compensar essa

tendência, os países pobres tentam aumentar a produção dirigida para a exportação. Para isso, passam a

incorporar novas áreas já ocupadas e vêm substituindo a produção voltada para o mercado interno por artigos de

grande demanda internacional. Isso resulta em aumento do preço dos alimentos em seus mercados internos e

aumento da fome, além ele uma ocupação desordenada das áreas de florestas e uma superexploração dos solos,

o que demonstra a intensa deteriorização do meio ambiente.

ECO-92

A Conferência do Rio

A Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais comumente

chamada de "Fórum Global", realizou-se no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992. O seu desafio principal,

segundo o secretário geral Maurice Strong, era o de "estabelecer a fundação de uma associação global entre os

países em vias de desenvolvimento e os países mais industrializados, tendo como base as suas necessidades

mútuas e os seus interesses comuns, com o intuito de assegurar o futuro do planeta". A questão subjacente foi a

de se encontrar um "equilíbrio justo e viável entre o meio ambiente e o desenvolvimento". Delegações de 178

Estados participaram desse encontro, quase sempre representados pelos seus chefes de Estado. Diversas

manifestações se realizaram à margem da reunião política, congregando representantes de organizações nãogovernamentais

(ONGs), cientistas e industriais. Os primeiros, estimados em 2.000, elaboraram 33 tratados

"alternativos".

Os principais assuntos tratados foram:

• A promoção de um desenvolvimento que não destrua a natureza.

• Criação de um fundo de ajuda para os países pobres para defender o meio ambiente.

• Solução para a relação consumo/demanda que força os países pobres a esgotarem seus recursos naturais.

• Preservação da biodiversidade.

PROTOCOLO DE KYOTO

Na reunião de Kyoto, no Japão (1997), os países chegaram a triste conclusão que os principais poluidores

mundiais não estavam obedecendo às propostas e projetos ela ECO-92; pelo contrário, os índices de degradação

ambiental haviam e continuavam aumentando.

Com isto elaboraram o protocolo de Kyoto, que exigia uma redução de 5% na poluição atmosférica, tendo

como base a poluição provocada em 1991. Com elevadas multas para quem não cumprisse as exigências do

protocolo de Kyoto.

É claro que os países-potências não concordaram com Kyoto.

Em agosto de 2001, na terceira reunião sobre clima, na Alemanha, o protocolo de Kyoto foi reformulado

reduzindo para 2% a poluição provocada em 1991 e os valores das multas. Com isto os principais países

aceitaram assinar o protocolo, exceto os EUA, com a alegação de que o protocolo de Kyoto prejudicava seu

crescimento econômico.

Em fevereiro de 2002, o presidente dos EUA apresenta urna proposta alternativa do protocolo de Kyoto,

proposta essa, imediatamente combatida por outras nações ricas, como o Japão e a Grã-Bretanha, pois a

proposta dos EUA não exige muito; pelo contrário, deixa a critério dos agentes poluidores se querem ou não

reduzir a poluição do planeta.

Em 4/3/2002, a União Européia assina o protocolo de Kyoto, com a proposta de reduzir a poluição em

5,8%, tendo como base o ano de 1990. Mas é necessário que cada país europeu assine o protocolo

individualmente.

DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS

São entendidos como a combinação ou síntese dos diversos elementos da natureza, caracterizando ou

individualizando unia determinada porção do território. A paisagem natural é constituída por vários elementosestrutura

geológica, clima, relevo, solos, vegetação e hidrografia - que se influenciam mutuamente, cada um deles

interligado aos demais e definindo um conjunto.

Dentre esses elementos, destacam-se, principalmente, o clima e o relevo como fundamentais pela

influência que exercem sobre o meio ambiente.

Desde a sua formação (± 4,5 bilhões de anos), a Terra sofreu várias modificações em seu clima, com

períodos de aquecimento e resfriamento, elevação ou diminuição de chuvas, sendo algumas em escala global e

outras de dimensão local. As alterações ocorridas nos últimos 2 milhões de anos são as que deixaram vestígios

mais evidentes: nos períodos frios, ocorreu o aumento das geleiras polares e das áreas montanhosas, que

diminuíram seus limites quando a temperatura média da Terra voltou a elevar-se. As médias e altas latitudes foram

as mais afetadas por esses fenômenos.

Já nas baixas latitudes ocorreram, paralelamente, fases chuvosas e secas, durante as quais os domínios

naturais se modificaram, com avanços e recuos de florestas tropicais, savanas e desertos.

Assim, o clima atuou como modificador do meio ambiente e ainda hoje, devido às alterações mais

recentes provocadas sobretudo pela ocupação humana, continua a provocar transformações ambientais.

Quanto ao relevo, as forças endógenas comandam sua formação através do condicionamento estrutural;

epirogêneses, vulcanismos e terremotos provocam o surgimento de diferentes tipos de rochas que têm desigual

resistência aos processos de desgaste provocados pelas forças exógenas, que modelam as formas do relevo

(intemperismo, águas correntes, gelo, etc.). Dependendo da forma de relevo, encontramos solos e vegetações

diferenciados em cada domínio espacial.

As grandes modificações que o homem vem produzindo com as atividades econômicas diversas e,

sobretudo, com a construção de cidades, também têm contribuído grandemente para as transformações das

formas de relevo e, consequentemente, do meio ambiente.

Os grandes domínios morfoclimáticos são delimitados, portanto, por essas caracterizações gerais a partir

do clima, tipo de relevo e paisagem vegetal - climas polares, climas temperados e climas tropicais, cada qual com

um processo de modificação dinâmica das rochas que formam o relevo e que são o substrato para ocupação de

biomas vegetais.

Não é sempre que um mesmo elemento natural é o determinante da paisagem, da mesma forma que não

há delimitação precisa ou rigorosa entre um domínio e outro, pois é muito difícil determinar com precisão tais

limites. Daí existir entre um domínio e outro as chamadas áreas ou faixas de transição. Como exemplo, podemos

citar a sub-região do meio-norte (MA/PI), onde predomina a mata dos cocais ou babaçuais, sendo esta uma área

de transição entre os domínios amazônicos a oeste e da caatinga do lado leste.

Principais domínios do Brasil

Devido a sua grande extensão territorial (8,5 milhões de km2) e marcado por uma grande diversidade de

aspectos naturais, o Brasil apresenta seis principais domínios morfoclimáticos e diversas áreas nãoindividualizadas,

denominadas como de transição.

a) Amazônico

Este domínio é também chamado de terras baixas florestadas equatoriais. Domínio marcado pelo

predomínio de terras baixas sedimentares (planícies) com clima equatorial quente e úmido o ano todo. Apresenta

imensa floresta úmida e heterogênea e a mais vasta bacia fluvial do mundo. O peso da natureza é marcante. A

floresta amazônica abriga uma grande variedade de espécies. É latifoliada, pois apresenta uma folhagem

diversificada na qual predominam as folhas largas que permanecem verdes durante todas as estações do ano. A

riqueza e a exuberância dos ecossistemas florestais contrastam com a pobreza de grande parte dos solos da

região: mais de 70% do domínio amazônico é constituído por solos ácidos e intemperizados, de baixa fertilidade.

Apenas algumas planícies aluviais inundadas pelo Rio Amazonas apresentam solos ricos em nutrientes. Esse

contraste revela a fragilidade do ecossistema amazônico. A reciclagem dos nutrientes orgânicos e minerais

necessários à manutenção dos ecossistemas regionais não é feita pelos solos, mas pela própria floresta. Os solos

são responsáveis pela presença de pequenas manchas de vegetação extraflorestal dentro da hiléia. As toneladas

de folhas, frutos e flores que caem anualmente sobre o solo, se transformam em material orgânico e mineral

consumido pela vegetação. Isto é, a vegetação se nutre dela mesma.

b) Cerrado

Domínio marcado por extensos planaltos com chapadões sedimentares, clima tropical típico com duas

estações bem definidas (verão chuvoso e inverno seco), vegetação arbustiva e herbácea (cerrado), na maior parte,

e matas de galerias ou ciliares junto aos rios. Apresenta solos pobres e ácidos. É o domínio que caracteriza o

Centro-Oeste.

As características climáticas são, em parte, responsáveis pela baixa fertilidade dos solos desse domínio.

No verão, as chuvas abundantes "lavam" o solo, retirando seus nutrientes; no inverno, a seca prolongada tem

como conseqüência altas taxas de evaporação, o que provoca acúmulo do ferro e do alumínio, responsáveis pela

toxidez e acidez dos solos.

O cerrado, vegetação dominante, é composto principalmente por dois estratos: o arbóreo-arbustivo, de

caráter lenhoso, e o herbáceo-subarbustivo, formado pelas gramíneas e outras ervas.

c) Caatinga

Domínio que caracteriza o sertão nordestino, marcado por um relevo planáltico, onde aparecem áreas

deprimidas (depressões), delimitadas por planaltos e chapadas. O clima é semi-árido (quente e seco); a vegetação

a ele adaptada é pobre e arbustiva, com presença de cactáceas ou xerófitas. Os solos são rasos e pobres em

matéria orgânica, mas ricos em sais minerais.

A caatinga, vegetação dominante, é uma formação vegetal adaptada ao calor e à aridez. Suas espécies

dominantes possuem folhas pequenas e hastes espinhentas. Nas áreas de maior altitude, que recebem chuvas de

relevo, encontram-se alguns trechos de matas úmidas, conhecidas regionalmente como brejos.

O domínio macroecológico da caatinga se caracteriza pela irregularidade das precipitações e,

principalmente, pela incapacidade de retenção da umidade.

d) Mares de morros

Domínio que corresponde à área do planalto atlântico, principalmente no sudeste, onde o clima tropical

úmido modelou uni relevo bem característico, com morros arredondados do tipo meia-laranja, conhecido como

"mares de morros". As florestas originais que cobriam esta região foram quase totalmente devastadas pelo

homem.

A ação dos agentes do modelado sobre a estrutura geológica, predominantemente cristalina, produziu um

relevo típico de morros arredondados. Além dos "mares de morros", compõem a morfologia da região as escarpas

planálticas que separam o planalto cristalino da planície costeira.

Originalmente, a floresta tropical úmida, conhecida como Mata Atlântica, recobria cerca de 95% desse

domínio; trata-Se de uma formação florestal densa e heterogênea, extremamente rica em espécies vegetais. Hoje

restam menos de 4% da cobertura vegetal primária, verdadeiras ilhas florestais em alguns trechos montanhosos

das escarpas planálticas.

e) Araucária

Este domínio ocupa os planaltos sedimentares-basálticos da porção oriental da bacia do Rio Paraná, nos

quais a altitude média varia entre 850 metros e 1.300 metros. Originalmente, esse domínio era revestido por uma

floresta subtropical conhecida corno mata das araucárias e por manchas de vegetação herbácea e arbustiva.

A devastação da mata das araucárias teve início com a colonização alemã e italiana. Nas primeiras

décadas do século, os colonos utilizavam a madeira para a construção de casas, móveis e artefatos domésticos.

Também desatavam pequenos trechos para a prática da policultura de alimentos.

Este domínio aparenta relevo de cuesta, solo fértil (terra roxa) e elevado potencial hidráulico da bacia do

Paraná. O clima é do tipo subtropical com inverno e verão rigorosos.

f) Pradarias ou campos (pampas)

Este domínio abrange a região conhecida como Campanha Gaúcha. Nele destaca-se a presença de um

relevo suavemente ondulado na forma de colinas, conhecidas como "coxilhas". As colinas são recobertas por

vegetação campestre. Este domínio é, na verdade, um prolongamento do pampa argentino e uruguaio no sul do

Brasil.

Trata-se de uma extensa área com predomínio de terras baixas, onde se sobressai a vegetação

herbácea. A pecuária extensiva com suas estâncias (fazendas de gado) e a rizicultura são as principais atividades

econômicas nesse domínio.

DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS

É importante lembrar que existem duas maneiras de alterações nos ecossistemas, sendo:

a) degradações naturais - na relação endógena do planeta como vulcanismo, terremotos, tsunãmis, secas,

enchentes, incêndios, maré vermelha, entrofïzação, chuva ácida, etc., ou na relação exógena, isto é, planeta em

relações com o espaço sideral, corno as colisões com outros astros;

b) degradações antrópicas - são as alterações provocadas pela humanidade, criando a segunda natureza como as

ilhas de calor, lixo tóxico e radioativo, maré negra com o petróleo;

c) fenômenos naturais - alguns fenômenos são confundidos pela imprensa, deturpando seu sentido para as

sociedades. Alguns fenômenos são essenciais para a existência da vida no planeta como o efeito estufa, a

camada de ozônio e a inversão térmica.

O problema é que nos últimos séculos o ser humano vem agravando algumas degradações naturais e, inclusive

fenômenos como o efeito estufa, ação do el ninõ, la ninã, rompendo a camada de ozônio, aumentando a

entrofïzação nas águas paradas continentais (meio lêntico) e elevando a acidez das precipitações atmosféricas

além da sua atuação com alterações químicas, biológicas e nucleares.

Poluição atmosférica

A poluição associa-se à idéia de modificação, tanto na estrutura quanto na composição dos ecossistemas,

causando prejuízo aos seres vivos. Neste contexto está a atmosfera, que mais e mais sofre alterações devido à

emissão de resíduos sólidos e gasosos em quantidade superior à sua capacidade ele absorção. Essa poluição

deriva de várias fontes:

• dos meios de transporte, que nas cidades são responsáveis pela maior parte da poluição atmosférica, pois

emitem gases como o monóxido e o dióxido de carbono, óxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, derivados de

hidrocarbonetos e chumbo;

• das indústrias que, além do gás carbônico, também emitem enxofre, chumbo e outros metais pesados e diversos

resíduos sólidos;

• das queimadas das matas e capoeiras, que também geram altos índices de gás carbônico;

• da incineração de resíduos sólidos;

• da poluição natural provocada pelas erupções vulcânicas.

A alta concentração desses poluentes eleva na atmosfera a quantidade de microorganismos que

provocam doenças como: distúrbios respiratórios, alergias, lesões degenerativas no sistema nervoso, câncer e

outras.

A poluição atmosférica tende, portanto, a modificar profundamente as funções da atmosfera gerando

conseqüências inesperadas, tais como destruição da camada de ozônio, o efeito estufa, as chuvas ácidas, os

desequilíbrios climáticos, etc.

Destruição da camada de ozônio

O ozônio é um gás encontrado na estratosfera, entre 20 e 35 km de altitude, formando uma camada de 15

km aproximadamente. Essa camada funciona como um filtro que protege a Terra da radiação ultravioleta emitida

pelo Sol. Esse tipo de radiação é nocivo à saúde e provoca principalmente câncer de pele e doenças oculares.

Em decorrência da ação de poluentes no planeta, cientistas vêm alertando sobre a redução da camada de

ozônio, decorrente, sobretudo, do uso do CFC, ou seja, compostos gasosos de carbono contendo cloro e flúor,

também chamados de clorofluorcarbonetos. Esses gases são utilizados principalmente como substâncias

refrigerantes em geladeiras, condicionadores de ar e como propelente em frascos de aerosois.

Efeito estufa

Consiste no aquecimento da Terra em virtude da presença, em excesso, de certos gases, tais como: gás

carbônico, metano, entre outros.

Esses gases funcionam como vidro das estufas agrícolas. Deixam penetrar a luz e não deixam sair o

calor, provocando o aquecimento da atmosfera.

Estudos revelam uma elevação progressiva na temperatura do nosso planeta. Nos últimos 100 anos, a

Terra sofreu uma elevação de 0,5°C. Se a emissão de gases-estufa continuar em ritmos crescentes, as

conseqüências poderão comprometer seriamente a vida na Terra. Nesse caso, as principais conseqüências seriam

as mudanças climáticas capazes de:

• modificar a distribuição da flora e da fauna na superfície terrestre;

• alterar o perfil dos continentes por elevação do nível dos oceanos;

• destruir, por alagamento, centros urbanos localizados à beira-mar, etc.

A chuva ácida

A presença de componentes estranhos na atmosfera (principalmente óxido de nitrogênio e de enxofre)

tem sido responsável pela ocorrência das chuvas ácidas. Na atmosfera, essas substâncias reagem quimicamente

e produzem os ácidos sulfúrico e nítrico.

Esses gases, ao atingirem a Terra sob a forma de precipitações, alteram também a composição química

do solo e das águas prejudicando as formações florestais e as lavouras. Além disso, a ação corrosiva dos ácidos

sulfúrico e nítrico atingem fortemente as estruturas metálicas, as edificações, além de provocar sérios problemas à

saúde da população.

Poluição hídrica

O volume total de água na Terra está estimado em 1 trilhão e 386 bilhões de quilômetros cúbicos, sendo a

maior parte - 97,2% desse total - formada pela água salgada dos mares e oceanos. Os lagos, rios, oceanos e

mares se tornaram verdadeiras latas de lixo do mundo, onde a atitude reinante ainda é "longe da vista, longe do

coração". Vejamos as principais fontes da poluição hídrica:

Esgotos

Após a Revolução Industrial, o acelerado crescimento da população terrestre e a conseqüente

urbanização provocaram o surgimento de grandes concentrações urbanas, na maioria das vezes, mal planejadas.

Consequentemente, a produção de água contaminada e seu despejo, sem adequados tratamentos, nos corpos

hídricos aumentou muito. Os esgotos contêm, além de fezes humanas, restos de alimentos, sabões e detergentes,

sendo considerados o principal fator poluente das águas em regiões densamente povoadas.

A contaminação das águas pelos esgotos urbanos resulta de dois graves processos:

• a contaminação por bactérias patogênicas, como os coliformes fecais, que podem causar doenças como a

amebíase, a cólera, a esquistossomose, a febre tifóide, a hepatite virótica, a leptospirose e a poliomielite;

• a contaminação por substâncias orgânicas degradáveis, principalmente por nitrogênio e fósforo dos detergentes,

que provocarão a eutrofização das águas.

Agricultura

A intensidade das práticas agrícolas tem provocado um alto nível de poluição das águas, tanto superficiais

como subterrâneas. Esta poluição ocorre, basicamente, de duas formas:

• despejo de substâncias eutrofizantes, através de fertilizantes químicos à base de nitrogênio e fósforo, e também

de detritos animais, nas águas superficiais e subterrâneas, devido à ação das chuvas;

• despejo de substâncias tóxicas, utilizadas no controle das lavouras e no aumento da produtividade, como os

inseticidas, herbicidas, fungicidas e praguicidas. A utilização exagerada e sem critério dessas substâncias tem

comprometido seriamente o meio ambiente, pois grandes quantidades são levadas pelas chuvas até os rios e

destes até o mar.

Águas industriais

A negligência no tratamento dos resíduos industriais tem representado significativa fonte de poluição

hídrica. A poluição de origem industrial pode ser dividida em dois Grupos:

• os compostos orgânicos - representados, principalmente, pelo petróleo e seus derivados; quando lançados nas

águas, formam uma película de óleo, provocando uma sensível diminuição no teor de oxigênio, o que impede a

respiração e a fotossíntese das plantas flutuantes, prejudicando também os peixes e as aves aquáticas. As águas

subterrâneas também podem ser contaminadas pelo petróleo, no caso da ruptura de oleodutos e durante a

perfuração de poços petrolíferos. Nesse caso há, também, um enorme prejuízo, pois um litro de petróleo inutiliza

cerca de 1 milhão de litros de águas subterrâneas;

• os compostos inorgânicos - representados pelos metais pesados, são despejados nas águas pelas indústrias

químicas, farmacêuticas, elétricas, madeireiras, de papel ou de cosméticos, além das atividades mineradoras. Os

metais pesados mais prejudiciais são:

- mercúrio® acumula-se no sistema nervoso, principalmente no cérebro, na medula e nos rins. Provoca perda da

coordenação dos movimentos, dificuldades ao falar, comer e ouvir, além de atrofia e lesões renais;

- cádmio® semelhante ao mercúrio, afeta o sistema nervoso e rins. Provoca perda do olfato, formação de um anel

amarelo no colo dos dentes, redução da produção de glóbulos vermelhos e remoção de cálcio dos ossos;

- chumbo® apesar de menos agressivo na água que no ar, deposita-se nos ossos, musculatura, nervos e rins,

provocando estados de agitação, epilepsia, tremores, perda da capacidade intelectual e anemias.

(Fonte: Magossi e Bonacella, Poluição atas Águas).

Contaminação térmica

As indústrias e principalmente as usinas termoelétricas necessitam de grandes quantidades de água para

o seu resfriamento. Quando esta água quente, utilizada no resfriamento, é despejada em um rio, o que eleva sua

temperatura, agravando a poluição, uma vez que as necessidades fisiológicas dos organismos aumentam. Assim a

necessidade de oxigênio de certas espécies de peixes pode duplicar e até triplicar. A falta desse oxigênio, em

condições ideais, leva à morte das espécies aeróbias. A poluição térmica pode provocar o crescimento exagerado

de certas plantas, prejudicando a navegação, e ainda provocar o aumento da atividade de poluentes químicos,

agravando a poluição hídrica.

Poluição radioativa

O grande risco da poluição radioativa encontra-se nos acidentes provocados pelo uso inadequado, como

o ocorrido em Goiânia, em setembro de 1987, e nos acidentes em usinas nucleares, como o de Chernobyl em

1986. Veja os dois casos:

O acidente de Goiânia

Em setembro de 1987, em Goiânia, capital de Goiás, desapareceu do Instituto Goiano de Radioterapia um

aparelho de radioterapia pesando trais de 800 quilos e contendo uma cápsula com cerca de 100 gramas de césio

137 (o Instituto se mudara, abandonando no local alguns equipamentos), que acabou vendido a um ferro-velho

como sucata. Ao tentar abrir a cápsula, o dono do ferro velho liberou o pó radioativo, que atingiu sua família e

pessoas que freqüentavam o local; pouco tempo depois, essas pessoas começaram a apresentar os Sintomas

básicos de contaminação: queimaduras por todo o corpo, vômitos e diarréias. Resultado do acidente: dezesseis

pessoas internadas imediatamente, em estado agrave (quatro faleceram), de um total de 110 vítimas

contaminadas.

O acidente de Chernobyl

Em abril de 1986, na Central Nuclear de Chernobyl, cidade de Pripyat, próxima à Kiev, na União

Soviética, um erro de operação ou acidente (como a entrada, anormal de oxigênio) provocou o aumento da

temperatura da câmara do reator atômico de 2.204 graus centígrados para 3.000 graus centígrados, danificando a

cobertura de grafite que envolve o urânio atômico c que, em contato com o oxigênio, começou a queimar. Em

conseqüência, o próprio núcleo de urânio do reator começou a derreter. Essa fusão do urânio 235 liberou altas

doses de radioatividade, que escapou, junto com gases e poeira, para a atmosfera. Ninguém sabe ao certo

quantas pessoas morreram, mas os números mais aceitos são 80, no momento da explosão, e outras 2.000, ao

serem levadas para os hospitais de Kiev. Além disso, supõe-se que o acidente poderá provocar câncer em cerca

de 10.000 pessoas, no prazo de 5 anos, e mutações genéticas em seus descendentes nos próximos 150 anos.

Além do problema dos acidentes. outro grande risco é o destino dos resíduos nucleares, ou seja, o lixo

atômico. Atualmente o lixo atômico vem sendo acondicionado em tambores ou blocos de cimento ou vidro, que

são deixados em minas de sal abandonadas ou em profundidades marinhas superiores a 2.000 metros.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

A partir do momento em que o ser Humano foi forçado, pela carência de recursos naturais, a se fixar num

determinado espaço físico, teve início o desenvolvimento das primeiras atividades econômicas, como a agricultura,

a pecuária e a criação de animais domésticos. Sua relação com a natureza se tornou predatória, afetando a

biodiversidade e degradando cada vez mais as três camadas globais, levando a uma possível destruição total do

planeta. A física nuclear, a bioquímica, a ciência espacial, a petroquímica, etc. estabelecem o "equilíbrio do terror",

racionalizando a teoria da “destruição mútua assegurada". E a fase das guerras localizadas rio Terceiro Mundo,

como as guerras das Coréias, Vietnã, Cuba, Nicarágua, etc. Essa situação perdurou até a década ele 70, onde os

castos com a corrida armamentista atingem um nível insuportável, inclusive e principalmente para os países do 3°

Mundo.

Em 1972, ocorre a Primeira Conferência Internacional Sobre Meio Ambiente em Estocolmo que, em

resumo, procura alertar o mundo, principalmente as superpotências da época, quanto à forma de desenvolvimento

econômico e tecnológico que estava sendo implantado nas últimas décadas e seus resultados devastadores em

relação às condições naturais do planeta. A fase da "neurose nuclear" e das armas químicas e biológicas começa

a despertar uma consciência ambiental. Pela primeira vez, de forma mais organizada, o ser humano torna

conhecimento sobre assuntos e palavras como ecologia, biodiversidade, consciência ecológica ou ambiental e

surgem as primeiras Organizações Não-Governamentais (ONGs).

Os próximos anos seriam de um avanço nos estudos sobre as degradações ambientais inimagináveis nas

décadas anteriores; o efeito estufa, a ruptura na camada de ozônio, as chuvas ácidas, o envenenamento dos solos

e das águas, a maré vermelha, a maré negra, as ilhas de calor, a inversão térmica alcançam destaque na

imprensa mundial e passam a ser assuntos obrigatórios nos currículos escolares.

Na conferência da Suécia ficou bem claro o antagonismo de idéias entre aqueles que defendiam o

"desenvolvimento zero" e aqueles que defendiam o “desenvolvimento a qualquer custo". O tempo veio mostrar que

os extremismos não correspondiam à realidade mundial.

As principais resoluções de Estocolmo foram:

• o direito a um ambiente sadio e equilibrado e à justiça social;

• planejamento ambiental;

• alerta aos riscos da urbanização descontrolada;

• a busca de fontes alternativas de energia;

• a ciência deve estar aliada à preservação do meio ambiente; e

• a importância da educação ambiental.

Em 1980, como resultado da 1ª Conferência Mundial Sobre Meio Ambiente, surge a "estratégia mundial

para a conservação", onde se destacam os seguintes tópicos:

• Desenvolvimento Sustentável – significa continuar produzindo, porém com o uso racional e controlado dos

recursos naturais, isto é, um sistema de exploração mais racional dos recursos naturais, que preserve o equilíbrio

ecológico, reduzindo os danos ao meio ambiente.

Esta posição é muito combatida pelos ambientalistas, que acreditam que os adeptos ao Capitalismo utilizam esta

expressão para continuar degradando a natureza. enganando e fugindo das pressões exercidas pela sociedade.

• Nosso Futuro Comum - pela primeira vez, há um estudo que demonstra as desigualdades na distribuição da

renda e a pobreza em relação à destruição do meio ambiente.

E através desta idéia que surgem os "ecomalthusianos" como dissidência dos "neomalthusianos" do

período da Guerra Fria.

Os ecomalthusianos alegam que o crescimento demográfico das populações nos países pobres poderá

tornar irreversível a recuperação do meio ambiente degradado.

- Os países pobres passam a ser pressionados pelo grande capital e pelos países-potências. numa forma de

transferência de responsabilidade, esquecendo que esses países ricos foram os que mais degradaram o meio

ambiente para se desenvolverem, se tornaram os maiores devastadores da natureza, sendo responsáveis pela

maior parte dos desequilíbrios ambientais até agora existentes.

Vinte anos após Estocolmo, acontece na cidade do Rio de Janeiro a segunda conferência mundial para o

meio ambiente, a Rio ou Eco 92. Marcada pelas divergências entre os interesses do "norte" em relação aos países

do "sul", esta conferência teve como base o "relatório Brundtland”, que defendia alterações no modelo consumista

atual propondo a sua troca por um modelo mais sustentável ecologicamente, resultando em cinco propostas:

• A Carta da Terra - os países ricos são os principais responsáveis pela degradação ambiental, portanto, devem

investir mais em sua preservação.

• Agenda 21 - exige o cumprimento da Carta da Terra até a virada do século.

• Convenção para a Biodiversidade - o compromisso dos países em manter a diversidade biológica presente nos

ecossistemas naturais.

• Convenção do Clima - redução dos elementos que poluem a atmosfera e alteram a dinâmica climática do

planeta.

• Convenção das Florestas - todo país é soberano sobre o uso de suas florestas, ao mesmo tempo que elimina as

barreiras comerciais para a madeira e a borracha natural, desde que a exploração seja feita de forma racional.

Infelizmente, os EUA não assinaram os principais compromissos resultantes da ECO 92.

Como resultado da pressão exercida pelas sociedades mais desenvolvidas, principalmente dos

consumidores do "norte" e das Organizações Não-Governamentais (ONGs), ao menos como propostas, os

governos, principalmente os do "sul", são obrigados a tomarem algumas medidas concretas sobre o meio

ambiente e a preservação dos seus recursos naturais, como por exemplo:

• ISO 9.000 - são produtos cujas empresas apresentam preocupações e/ou inovações no uso mais racional dos

recursos naturais e na qualidade do ambiente para seus trabalhadores;

• ISO 14.000 - além da qualidade ambiental, estas empresas expõem uma estrutura de funcionamento, onde seu

projeto apresenta proposta de gestão ambiental;

• todo projeto de produção econômica ou de ocupação de novos espaços naturais deve apresentar estudos sobre

o meio ambiente, que deve passar pela análise e aprovação dos órgãos ambientais;

• EIA - Estudo de Impacto Ambiental - é um relatório técnico sobre as características naturais da área a ser

ocupada;

• RIMA - Relatório de Impacto sobre o Meio Ambiente - é um estudo que procura descrever o nível de alterações

ambientais que a área irá sofrer, as medidas técnicas que devem ser tomadas para reduzir estas alterações e as

formas de como recuperar o máximo possível a área que será modificada, pois desenvolvimento sustentável

significa mudar o comportamento consumista das sociedades e as formas de produção, isto é, mudar o sistema

socioeconômico, enfim, a forma como está funcionando o capitalismo.

É fácil de perceber que medidas ambientais estão sendo exigidas cada vez mais pelas sociedades e que,

ao menos nos discursos, os empresários e as autoridades governamentais concordam com estas cobranças. Não

podemos esquecer que esta consciência ecológica varia de cultura para cultura e que mudar um modelo

econômico, Político e social demanda elevados gastos, renovações tecnológicas e um certo espaço de tempo.

Com isto, na prática, percebemos que as preocupações ambientais aumentaram, mas mudanças práticas no

comportamento humano pouco aconteceram, e a qualidade ambiental do planeta continua cada vez pior, como

demonstrou a conferência sobre clima, em 1995, na cidade de Berlim. Por isso, autores mais recentes estão

substituindo a frase "desenvolvimento sustentável" por "sociedades sustentáveis".

"Desenvolvimento sustentável" é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a

possibilidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades. (Comissão Mundial sobre o Meio

Ambiente e o Desenvolvimento).

Considera-se que:

• as necessidades dos pobres são prioritárias;

• por desenvolvimento entende-se o progresso humano, em todas as suas facetas - cultural, econômica, social e

política - , que deve ser possível a todos os países, sejam eles desenvolvidos ou em desenvolvimento;

• essa sustentabilidade não é rígida; antes, deve admitir a possibilidade de mudanças, às quais se reage com

adaptações;

• está implícita uma preocupação com a igualdade social entre as pessoas de uma mesma geração e entre

pessoas de uma geração e de Outra; uma geração não deve destruir os recursos, impedindo outra de usá-los.

(Fonte: CMMAD, 1991, P. 46).

O acordo firmado em julho de 2001, na Conferência de Berlim, exceto pelos EUA, sobre o tratado de

Kyoto (1997), apesar das modificações sofridas, representou turra grande avanço para o meio ambiente, com o

compromisso dos países em reduzir em 2% a poluição atmosférica praticada no ano de 1991.

No momento a discussão é mais séria, mas não exclusiva quanto ao meio ambiente e quanto aos limites

permitidos ao ser humano na área da transgenia e da clonagem.

INTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZÔNIA

Há séculos que os poderosos alegam que “é uma injustiça a Amazônia pertencer somente aos

brasileiros". Mas, nas últimas décadas, esta forma de discurso vem adquirindo uma dinâmica cada vez maior,

inclusive passando do discurso para atitudes práticas, com o objetivo de forçar o Brasil, quanto às necessidades

de tomar medidas concretas na área preservacionalista/protecionista, ao mesmo tempo em que deve facilitar

ocupações com objetivos científicos e estratégicos por representantes dos países desenvolvidos nesta região.

Desde o século XVIII os ingleses faziam este tipo de discurso. No século XIX, os norte-americanos já

pensavam na necessidade de provocar divisões, criando vários países no lugar do Brasil. Recentemente algumas

notícias e discursos de autoridades internacionais, como os da última campanha presidencial nos EUA, onde, tanto

o candidato republicano, como democrata, defenderam, em campanha, o perdão de parte da dívida externa dos

países pobres, em troca de áreas de florestas tropicais, a transformação do pantanal e parte do cerrado em

estação biosfera patrimônio da humanidade pela UNESCO, os mapas nas escolas dos EUA, onde a Amazônia

legal é apresentada corno território internacional, etc.

Por trás desta realidade aparece a pergunta: O que existe de tão importante na Amazônia? E uma

pergunta que envolve questões ambientais, econômicas e estratégicas tão complexas, que fica impossível um

trabalho curto, sem pesquisas e dados bibliográficos, ser abrangente. Mas é possível fazer um levantamento

histórico, complementado por dados atuais da imprensa nacional e mundial, e desenvolver os principais tópicos

que justifiquem o interesse mundial pela região.

1) O que a Amazônia tem?

a) Meio Ambiente

- é um grande reservatório de água potável;

- apresenta 65% da biodiversidade tropical do planeta;

- é um grande regulador térmico;

- é a maior concentração de biomassa.

b) Recursos minerais - áreas conhecidas

- Serra do Navio (manganês);

- Serra dos Carajás - ferro, manganês, cobre, bauxita, minerais radioativos, metais raros, pedras preciosas, etc.;

- oriximiná – Trombetas - grande reserva de manganês ;

- ouro em aluvião;

- cassiterita em Rondônia;

- tório em Surucucus, em Roraima.

c) Recursos energéticos

- os afluentes do rio Amazonas apresentam o maior potencial hidráulico não aproveitado no país.

d) A floresta Amazônica

- dos 5.400.000 km2 , 10% já foi retirado, portanto, a Amazônia é um dos últimos reservatórios de madeira no

Inundo.

2) Quais são os principais problemas da Amazônia:

a) a prática da "grilagem" de terras;

b) a elevada degradação ambiental:

- dos projetos de mineração;

- do mercúrio nos garimpos;

- dos desmatamentos e queimadas.

c) o contrabando de animais silvestres, madeira e minerais, gera bilhões de dólares de prejuízo por ano;

d) o narcotráfico utiliza a área como rota internacional, produção e refino, principalmente da cocaína;

e) a biopirataria, onde as empresas dos países ricos copiam o conhecimento milenar dos índios, transformando em

produtos sintetizados, com bilhões de dólares de lucro;

f) a influência de "estrangeiros" nas populações nativas, provocando aculturação, degradando e até extinguindo

povos e culturas milenares;

g) os grupos paramilitares, como as FARCs, utilizam a área como proteção e para se abastecerem, rompendo com

as fronteiras nacionais.

QUANDO DESCOBRIMOS A AMAZÔNIA

Durante séculos, o tratamento de "inferno verde" para a Amazônia foi muito útil para os interesses

internacionais, pois o Brasil não se preocupou em ocupara região.

Nas décadas de 60 para 70, o governo brasileiro criou o Projeto Radam - Projeto Radar da Amazônia, que

utilizando Radares Passivos de Visão Lateral (RVLs) doados pelos EUA, conseguiu fazer um levantamento

minucioso sobre as características naturais da região, com dados hidrológicos, geológicos, geomorfológicos,

pedológicos, edafológicos, climatológicos e fitográficos , que espantou a sociedade, não pela grandeza das

riquezas e do potencial existentes, mas pelo desconhecimento e, principalmente, pelas informações erradas que

tínhamos quanto às características da região. Este trabalho resulta em relatórios técnicos, mapas, gráficos, tabelas

e livros, que finalmente revelam o elevado potencial existente na área.

"Finalmente, o Brasil descobre a Amazônia, mas, infelizmente, o mundo descobre que descobrimos a

Amazônia."

* A estratégia mundial muda, é preciso internacionalizar a Amazônia, antes que o Brasil a ocupe.

Comportamento brasileiro com a descoberta da Amazônia

Era necessário ocupar, mas infelizmente a política quanto às formas de ocupação e os instrumentos a

serem utilizados para isto ficaram nas mãos de burocratas e políticos com interesses pessoais, provocando

medidas que, ao invés de auxiliarem no processo de ocupação, geraram degradações ambientais, degradação

humana e oportunismos, que facilitaram para que os países ricos e a imprensa mundial os utilizassem como

críticas negativas e protestos contra o governo brasileiro.

1) Déc. 70 - Projeto do rodoviarismo, principalmente com a Transamazônica e a Perimetral Norte.

- Atividade de garimpo.

- Criação da Suframa - Zona Franca de Manaus.

2) Déc. 80 - Grandes projetos de mineração, como carajás, Oriximiná-Trombetas, resultando na construção de

ferrovia, na hidrelétrica de Tucuruí e na instalação de metalúrgicas em Belém e São Luís.

- Fronteira agrícola - com elevado investimento do Estado, atração das empresas do Centro-Sul, provocando

intenso desmatamento e queimadas, com desconhecimento sobre a realidade natural da região.

- A área militar elabora o projeto caIha norte, com visão estratégica, quanto à ocupação do extremo norte da

região.

3) Déc. 90 - Intensa pressão mundial.

- Criação de reservas indígenas, extrativistas, ecológicas, corredores ecológicos, etc. Hoje, 40%n do território da

Amazônia sofre algum tipo de proteção ambiental.

Obs.: - O incêndio em Roraima.

- Déc. 70 - Projeto JARI.

A pressão externa

- 1997 = A questão do Suriname como rota do narcotráfico.

- 1998 = A guerra entre o Equador e o Peru, provocando, em Brasília, o Acordo da Cordilheira do Condor.

- 1999 = A Guerra Civil na Colômbia.

- As FARCs.

- Operação Colômbia (EUA).

- Operação Cobra (Brasil).

Obs.: A ameaça norte-americana quanto ao uso de armas químicas e biológicas.

Hoje no Congresso Nacional:

- Lei de Biodiversidade, de autoria da Senadora Marina Silva e ONGs.

- Mudanças no Código Florestal Brasileiro, vitória dos utilitaristas.

- Projeto federal quanto ao uso internacional da Base de Alcântara, discussões quanto à perda de soberania.

O SER HUMANO E OS RECURSOS NATURAIS

Ê possível viver sem explorar os recursos oferecidos pelo planeta?

Desde o momento que o ser humano começa a desenvolver a sua capacidade de raciocínio, que inicia

certos questionamentos, e é cada vez maior as preocupações quanto ao meio ambiente em que vivemos, é justo e

muito sadio quando as crianças criticam a forma de se comportar dos adultos, pois estes degradam e contaminam,

destruindo a natureza.

Vamos estudar um pouco esta relação tão séria que existe entre as pessoas e a natureza, partindo do

princípio que para criticar é necessário conhecer. Podemos começar com a seguinte pergunta: QUEM DEPENDE

DE QUEM?

E o ser humano que depende da natureza ou é a natureza que depende de nós?

A resposta certa é:

Nem o ser humano depende da natureza nem a natureza depende do ser humano, pois não se deve

separar um do outro; na realidade nós vivemos no mesmo espaço que a natureza. E é óbvio que ao destruí-la

estaremos destruindo as nossas próprias condições de sobrevivência no planeta.

Em sala de aula, é comum ouvir alguns alunos fazerem críticas, ou até perguntarem a si mesmos - como

as pessoas podem ser tão cruéis com a natureza? Precisamos proteger urgentemente o meio ambiente. As

pessoas não podem continuar explorando e acabando com a natureza da forma como estão fazendo.

Esquecendo que foram os recursos retirados da natureza que permitiram a construção de sua casa, da

escola, do hospital, do asfalto, de seu caderno, sua caneta, a roupa que está vestindo e tudo mais. Ao ser alertado

sobre esta situação, normalmente o aluno fica em dúvidas quanto às criticas feitas, e perguntam: se não

podemos viver sem os recursos da natureza, como vamos poder preservá-la?

Bom, se os alunos estão preocupados com esta situação, já temos um longo caminho percorrido para o

bom andamento de nossas aulas. Mas é claro que falta muito para ser aprendido, pois como foi colocado antes - é

preciso conhecer para poder e saber criticar.

Muita gente faz críticas, mas por não dominar o assunto, normalmente suas críticas são respondidas de

forma mais competente, e quem criticou não tem mais como continuar o debate, caindo no vazio.

E isto é ruim para o ser humano.

Sabendo que o ser humano e a natureza fazem parte de um todo, que não se excluem e sim se

completam, vamos estudar um pouco desta natureza, pois na próxima oportunidade de debates eu quero saber

mais para falar mais, defendendo melhor as minhas idéias.

Na verdade a natureza é formada por quatro camadas globais: a ATMOSFERA, a HIDROSFERA, a

LITOSFERA e a BIOSFERA. As três primeiras camadas se relacionam, e partes de cada uma se somam e vão

formar a quarta e a mais importante camada que é a BIOSFERA. Vamos estudar um pouco de cada uma delas.

AS QUATRO CAMADAS GLOBAIS DO PLANETA

1ª - ATMOSFERA

É a camada de ar que está em volta do planeta. Devido a força de atração da Terra quanto finais próximo

da superfície maior é a concentração de gases. principalmente o nitrogênio e o oxigênio e quanto mais elevada a

altitude os gases vão diminuindo e a temperatura também.

É nesta camada que ocorrem os fenômenos atmosféricos como a formação de nuvens, as precipitações,

os relâmpagos, os trovões, os furacões e os tornados.

2ª - HIDROSFERA

É a camada de água nos estados líquido, sólido e gasoso que formam os lagos, oceanos, mares, rios,

geleiras, lençol subterrâneo, inclusive fazendo parte da atmosfera, na forma gasosa, como umidade do ar.

Corresponde a da superfície do planeta, e como a atmosfera, a Hidrosfera é fundamental para a existência de vida

no planeta.

3ª - LITOSFERA

É a carrada de rochas ou a crosta (casca). Parte sólida que forma a superfície da Terra; é formada por

solo e subsolo. E na litosfera e na hidrosfera que se concentram a maior parte da vida no planeta.

4ª - BIOSFERA

E a soma de partes das três camadas globais anteriores: a Atmosfera, a Hidrosfera e a Litosfera,

formando a camada onde temos os seres vivos do planeta.

Vejamos:

De onde vêm o ar que respiramos?

A água que bebemos?

E os alimentos que consumimos?

O ar vem da Atmosfera, a água vem da Hidrosfera e a maioria dos alimentos são produzidos na superfície

da Litosfera, e que ao alterar uma destas camadas, não tenha dúvidas que estarei alterando todas as demais

camadas direta ou indiretamente.

Conclusão: Nós estudamos de forma separada os assuntos, mas não podemos esquecer que eles se

completam, formando um todo, que é o planeta onde vivemos e em que vivem todas as outras espécies. Todos

precisam dos recursos naturais para que a vida não seja extinta.

Permanece a pergunta: como vou fazer para não prejudicar a natureza, se não é possível viver sem

explorá-la.

A resposta é muito simples: basta explorar racionalmente, de acordo com as nossas necessidades,

retirando da natureza somente o que for preciso para a nossa sobrevivência, não retirar mais do que isto, não

produzir excessos para ter lucros acima do necessário, para uma vida tranqüila, se importar com o que vai

acontecer com as futuras gerações, só assim meus descendentes, terão como viver no futuro.

Esta proposta de mudança no comportamento de uma sociedade tem um nome: desenvolvimento.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Definição: é o uso racional dos recursos oferecidos pela natureza; não explorar além daquilo que é

necessário para a sobrevivência normal do ser humano, não se preocupando em acumular. Ter mais do que o que

necessitamos é querer lucrar ou comercializar o excesso.

É óbvio que não conseguimos viver sem explorar os recursos da natureza, mas explorar com

preocupações ambientais é bem diferente do que é feito atualmente pelo ser humano.

Vejamos alguns exemplos de desenvolvimento não sustentado no Brasil e no mundo. Observe que

estamos falando ela forma como o ser humano explora atualmente os recursos da natureza, isto é, com

descontrole ou pouca preocupação quanto a preservação dos recursos naturais.

Exemplo 1 - A matança de jacarés do Pantanal.

Na década de 70, o Governo brasileiro não estava preparado para enfrentar o surto de exploração do

couro de jacaré no Pantanal Mato-Grossense.

Os coureiros mataram milhares de jacarés para exportarem somente o couro de sua cauda, pois virou

moda no mundo fazer artefatos de uso pessoal, como bolsas, sapatos e cintos, com esta parte do couro deste

animal.

Acontece que o jacaré é um dos principais predadores da piranha, peixe carnívoro dos rios tropicais, e a

intensa matança de jacarés provocou um desequilíbrio no ecossistema desta região, permitindo que a piranha

aumentasse em número, ameaçando os rebanhos de gado nas fazenda, os demais animais e até o ser humano.

Elas só atacam em bando, e como aumentaram muito rápido, pois não tinha mais jacaré o suficiente para

as consumir, começou a faltar alimento para estes peixes, provocando quebra na cadeia alimentar.

Só foi o governo passar a controlar a matança do jacaré e, principalmente, a exportação de seu couro,

que em poucos anos o bioma voltou a ser equilibrado entre as espécies do Pantanal.

Atualmente o governo do Estado do Mato Grosso do Sul está colocando em discussão para a sociedade a

necessidade de liberar de novo a caça aos jacarés no Pantanal, pois a espécie passou a ser tão protegida que

aumentou muito rápido provocando uma redução na quantidade de peixes da região, gerando novo desequilíbrio

para o ecossistema.

Exemplo 2 - A prática rudimentar de mineração.

O Garimpo no Brasil.

Legalmente, o Brasil é um dos poucos países no Mundo que permite a prática do garimpo, pois todo

mundo sabe o quanto esta atividade é destrutiva para a natureza.

Ela desmata eliminando a vegetação, provoca erosão acabando com o solo fértil, atinge o lençol freático

contaminando as águas subterrâneas, assoreia os rios e represas e ainda lança produtos químicos no solo, nas

águas e na atmosfera; enfim, a atividade de garimpo é uma das atividades econômicas que mais altera o meio

ambiente.

O mercúrio, utilizado para separar o ouro dos demais minerais, pode provocar o famoso "efeito Minamata"

descoberto numa baía com este nome no Japão, isto é, descobriram que o excesso de mercúrio nos organismos

elos seres vivos pode afetar o sistema nervoso, podendo provocar a loucura e até a morte das espécies, inclusive

do ser humano.

Acontece que o mercúrio, a exemplo de outros minerais como o cobre, ao serem absorvidos por um

vegetal ou animal, não são eliminados em nenhum dos níveis da cadela alimentar; portanto ao chegar nos últimos

consumidores desta cadeia, ele são encontrados em quantidades superiores ao permitido para a maioria destes

organismos.

Atualmente no Brasil, principalmente no Norte e Centro-Oeste do país, são despejados milhares de

toneladas/ ano de mercúrio nos rios, nas lagoas, na vegetação e na atmosfera. A cada ano assistimos uma parte

do país sendo destruída ou contaminada devido a ganância de algumas pessoas e de grandes empresas.

Esta situação já atingiu um nível tão sério de alteração do meio ambiente, que o Brasil que nunca teve

reservas de mercúrio em seu subsolo, já está produzindo este mineral num processo de reciclagem das bacias de

deposição, nas áreas de garimpo do ouro.

Exemplo 3 - Poluição provocada por petróleo.

O navio petroleiro Comandante Valdez teve problemas no litoral do Alasca e foi obrigado a despejar mais

de 250.000 litros de petróleo na costa oeste deste Estado norte-americano; rapidamente este petróleo se espalhou

pelas águas desta região matando as espécies e destruindo boa parte da belíssima natureza da área.

As autoridades ambientais internacionais calculam que levará décadas para que esta área seja totalmente

recuperada. Se for recuperada.

Exemplo 4 - O acidente nuclear de Chernobyl.

No ano de 1985, tivemos o pior acidente nuclear da história da humanidade. O 4° reator nuclear da usina

de Chernobyl, localizado na Ucrânia, território da antiga URSS, apresentou vazamento muito acima do aceitável

para a permanência das pessoas naquela região; a nuvem radioativa provocada por esse acidente atingiu

extensas áreas da Europa, o norte e nordeste da África e boa parte da Ásia.

Até hoje as pessoas, os animais e os vegetais desta região sofrem as conseqüências deste desastre,

principalmente com o elevado índice de câncer.

Com estes exemplos, fica fácil perceber que o termo desenvolvimento sustentado não significa um mero

modismo de época, e sim uma proposta de mudanças no comportamento do ser humano, onde haveria uma maior

harmonia entre os avanços científicos e a natureza.

HIDROPOLÍTICA

É cada vez maior a conscientização mundial quanto a um dos maiores se não for o maior dos problemas

para às futuras gerações, a falta de água para o consumo humano. Inclusive já existem lugares no planeta em que

esta situação não é mais futurista e sim uma realidade. O incrível é que a água não está faltando e sim mudando

de lugar ou de estado ou está sendo poluída pelo ser humano.

ÁGUA NO MUNDO

A água total existente no planeta apresenta a seguinte distribuição:

97,5% - água salgada.

2,5% - água doce.

Por sua vez, a água doce encontra-se nos seguintes percentuais:

69% em geleiras e neves eternas.

30% de água subterrânea.

0,7% em outras situações, tais como umidade do solo, pantanais e solos congelados.

0,5% em rios e lagoas.

A água cobre cerca de 70% da superfície da Terra, mas somente 1% está a disposição da vida terrestre,

aproximadamente 113 trilhões de metros cúbicos, a maior parte d'água que existe está localizada nos oceanos e

mares que possuem uma elevada concentração de elementos, principalmente os sais, impedindo o uso direto pelo

ser humano, outra parte significativa da água encontra se nas calotas polares e nas geleira eternas nos picos das

montanhas ou no estado gasoso na atmosfera.

A ÁGUA NO ESTADO LIQUIDO

• Água parada ou meio Iêntico:

- salgada = oceanos e mares - 97,5%.

- doce = lagos e lagoas.

• Água corrente ou meio lótico.

- bacias hidrográficas (rios).

- subterrânea ou lençol freático.

Calotas polares e geleiras.

Juntando os lagos, lagoas, rios e a água subterrânea, temos a água doce, que corresponde a 2,5% da

água no estado líquido.

De acordo com a organização mundial de saúde, o mínimo recomendável para o consumo humano é de

2.000 litros de água/pessoa/ano, para uso pessoal.

No Oriente Médio este consumo já é de 500 litros d'água por ano/indivíduo, demonstrando que a falta de

água nesta região é uma questão de sobrevivência tanto para os Islâmicos como para os judeus do Estado de

Israel.

Um bom exemplo desta situação no Oriente Médio é a situação crítica do famoso mar Morto, que está

evaporando 10% a mais ao ano do que o recebimento de novas águas do rio Jordão e das chuvas. Isto está

acontecendo porque os países estão captando as águas antes que elas cheguem ao mar Morto.

O Brasil é o país das águas, pois do total de água doce existente no mundo, cerca de 15%, ou seja, 17

trilhões de metros cúbicos banham principalmente as seis bacias hidrográficas mais importantes do País.

Infelizmente, os rios são "a lata do lixo" da sociedade brasileira. Vejamos os exemplos de despejos nos

rios brasileiros:

• 63% do esgoto in natura;

• chumbo e mercúrio - pelas indústrias petroquímicas;

• agrotóxicos - pelas indústrias químicas e mineradoras;

• arsênico - pelas indústrias de vidro e tintas;

• cromo - siderúrgicas, curtumes e explosivos.

A agricultura é responsável, por meio da erosão dos solos, pelo lançamento cie 1 bilhão de toneladas/ano

de solo fértil nos rios, provocando assoreamento, enchentes, secas, etc.

Em contrapartida ao grande manancial hídrico no Brasil, por questão cultural, ideológica e até mesmo

pela abundância, que muitos acreditam ser infinita, nosso País é um dos que mais polui as águas. No Brasil, de

cada 100 pessoas internadas em hospitais públicos, 70 destes estão doentes por causa da água poluída.

DISTRIBUIÇÃ0 DAS AGUAS NO PLANETA

Hidrografia

É a parte da geografia que estuda a distribuição das águas sobre a superfície da Terra. Está dividida em:

- Oceanografia - estuda a distribuição e as característica dos oceanos e mares;

- Potamografia - estuda a distribuição e as características dos rios;

- Linografia - estuda a distribuição espacial das águas continentais doces.

Oceanografia - Oceanos e Mares

Em cerca de 70% da superfície do planeta, praticamente três quintos são representados pelos oceanos e

mares; esta proporção aumenta se acrescentarmos toda a cobertura líquida que se concentra na litosfera e na

atmosfera. Se a crosta terrestre se achatasse, seria coberta por uma camada de água com mais de 400 metros de

altura.

Os oceanos são grandes extensões de água salgada, dentro dos quais se situam extensões menores

denominadas de mares. Os continentes são massas de terra que se elevem acima dos oceanos e estão

concentrados principalmente no hemisfério norte.

Na verdade, existe somente um oceano na superfície terrestre, uma vez que as águas se comunicam.

Os mares são classificados em três tipos, de acordo comi o tipo de ligação que possuem com os oceanos

ou outros mares. Podem ser: costeiros ou abertos, quando se comunicam corri amplas aberturas com os oceanos;

mediterrâneos ou interiores, quando são completamente envolvidos por terra, comunicando-se por meio de canais

ou estreitos; fechados ou isolados, quando não possuem nenhuma comunicação com os oceanos.

Normalmente os oceanos são classificados em número de quatro:

- Pacífico - é o mais extenso e mais profundo, localizado entre os continentes asiático, a Oceania e a costa oeste

do continente americano.

- Atlântico - é o 2° mais extenso e profundo, localizado entre os continentes africano, europeu e a costa leste do

continente americano.

- Índico - é o 3° em extensão e profundidade, localizado entre a África, a Oceania e o continente asiático.

- Glacial Ártico - é o menor dos quatro, localizado no extremo norte do planeta.

Movimentos das Águas Marinhas

- Ondas - são movimentos superficiais produzidos pelos ventos. A fricção dos ventos ao tocar a superfície das

águas produz ondulações que, segundo a intensidade dos ventos, podem converter-se em ondas.

- Marés - são oscilações verticais periódicas que o nível das águas marinhas apresenta. São provocadas pela

atração da Lua, do Sol e dos outros astros; podem ser marés altas vivas ou de sizígia ou marés ele quadratura ou

marés baixas. Ocorrem em média a cada seis horas de forma intercalada.

A atração exercida pelos astros não afetam somente os oceanos e mares; os continentes também são

atraídos, saí que não percebemos a atração em corpos sólidos corno percebemos em corpos líquidos.

- Correntes Marinhas - deslocamentos das águas oceânicas cuja velocidade seja superior a 12 milhas marítimas

por dia (1.852m). São causadas pelos ventos constantes, pelo movimento de rotação da Terra e pelas diferenças

de temperatura, de salinidade e do relevo submarino.

De acordo com a temperatura e as regiões de origem, as correntes marinhas podem ser:

• quentes - provenientes da zona equatorial, como a corrente do Brasil no litoral oriental do Nordeste, e a corrente

do Golfo do México.

• frias - formadas nas regiões polares, como a corrente do Labrador, de Hurnboldt e da Groenlândia.

O relevo submarino não é muito diferente do relevo apresentado pelos continentes, com cadeias de montanhas,

áreas de intensa sedimentação e afloramentos cristalinos formando áreas de planaltos. A única diferença

marcante é que não existem os agentes externos para aplainarem ou erodirern às superfícies. A forma mais

prática de classificação do relevo submarino é ele acordo com a sua profundidade:

a) Plataforma continental - área que vai de zero metro, contato com o continente, até 200 ou 300 metros ele

profundidade; é a região mais rica dos oceanos, pois nela encontramos a maior concentração das espécies

marinhas e o processo de fotossíntese.

b) Talude continental - vai de 300 até 2.000 metros de profundidade; é nesta área que se encontram às maiores

espécies.

c) Região pelágica - vai de 2.000 até 5.000 metros de profundidade.

d) Região abissal - a partir de 5.000 metros de profundidade; nesta região encontramos as áreas mais profundas

da Terra, chegando a mais de 11.000 metros, como as fossas das Marranas no oceano Pacífico.

Hidrografia: são os rios, cursos de água que se deslocam sobre a superfície dos continentes, graças a

força da gravidade. Normalmente são alimentados pelas chuvas, neve, rios subterrâneos ou pelo degelo nas

elevadas altitude montanhosas.

Classificação dos rios quanto ao equilíbrio com o meio natural

Definições:

• bacia hidrográfica - corresponde a toda região ele influência direta exercida pelos rios, na caracterização do

clima, da vegetação, do tipo de solo, do tipo de relevo, etc.

• rede hidrográfica - significa somente a área onde se formam os leitos dos rios, isto é, a área por onde o rio está

passando.

Elementos de uma rede hidrográfica

1) Nascente - é o local onde surgem as primeiras águas, que iniciam a formação de um rio.

2) Jusante - é quando o acompanhamos o curso do rio em direção a foz.

3) Montante - é quando o deslocamento é feito no sentido contrário ao do das águas do rio, indo em direção às

nascentes.

4) Margens - são os lados dos rios.

5) Leito – é a parte dos rios por onde fluem as águas.

6) Vertente - são as encostas por onde correm as águas que alimentam o leito dos rios.

7) Divisor de águas ou interfluvios - é a parte mais alta de uma região que divide os afluentes de duas ou mais

bacias hidrográficas.

8) Curso - área por onde passa um rio.

• Curso superior - área próxima das nascentes.

• Curso médio - área intermediária de um rio.

• Curso inferior - área próxima da foz, o final de um rio.

9) Débito ou vazão - é o volume d'água transportado por um rio em um certo local e momento. Normalmente, é

medido em metros cúbicos por segundo.

Exemplo: rio Amazonas = 90.000 metros cúbicos por segundo de água transportada próximo da foz.

10) Regime - é o tipo principal de abastecimento d'água que um rio recebe durante o ano, podendo ser pluvial

(chuvas), térmico (degelo) ou complexo, quando não existe um regime predominante.

11) Talvegue - é a linha de maior profundidade de um rio.

12) Confluência - é o ponto de encontro entre os rios.

13) Foz - ponto final de um rio. Pode ser de três tipos:

• deltaica - forma diversos canais em seu final, devido à intensa sedimentação;

• estuário - quando o rio deságua livremente no oceano;

• mista - quando é delta e estuário ao mesmo tempo, como a foz do rio Amazonas.

14) Meandros - são as curvas, provocadas pela erosão das encostas, no traçado dos rios.

Os rios também podem ser classificados de acordo com a sua interação com as condições naturais,

principalmente com o tipo de clima na região, em:

• rios perenes - são aqueles rios que nunca secam durante o ano;

• rios intermitentes - são os rios que só possuem água na estação das chuvas;

• rios temporários - são os cursos d'água que se formam somente nos momentos em que está chovendo.

FORMAÇÕES LACUSTRES

São massas de água doce, salgada ou salobra, acumuladas nas partes mais baixas da crosta terrestre,

que formam os lagos, as lagoas e as lagunas.

Lagos - de acordo com a depressão onde o lago se forma, os lagos são classificados em três tipos:

• lagos tectônicos - são acumulações em depressões formadas por movimentos tectônicos da crosta terrestre,

como os lagos de Vitória, Tanganica e Alberta na parte leste do continente africano;

• lagos vulcânicos - são os lagos que se formam pelo acumulo de água em áreas de vulcões extintos;

• lagos glaciários - quando as geleiras deslizam, provocam intensa erosão sobre as rochas e vão depositando o

material erodido junto com elevado volume de água nas áreas mais baixas.

Lagunas - são formações litorâneas, normalmente de água salobra, acumuladas em áreas alagadas

formadas por restingas.

Lagoas - estágio final de lagos primitivos no interior dos continentes; possuem pequenas dimensões tanto

na profundidade como na extensão.

Tecnicamente analisando, no Brasil não existem lagos, pois o território é muito antigo e erodido. Onde

existiam lagos a área já foi totalmente soterrada pela atuação, durante milhares de anos, dos agentes externos.

BIOSFERA

Na verdade, a camada global biosfera é formada por partes significativas das três camadas globais:

hidrosfera, atmosfera e litosfera. Estas, ao se juntarem, indicam a porção da superfície do planeta onde se

desenvolveram os seres vivos. Pois é com a interação das três camadas naturais que foi possível desenvolver às

condições para que as espécies da fauna (animais) e da flora (vegetais) pudessem surgir e evoluir até as espécies

que existem atualmente, inclusive o ser humano.

Na natureza tudo está relacionado, e é um grande engano do ser humano imaginar que não está ligado a

ela. Na verdade, nós fazemos parte da natureza, pois tudo o que utilizamos, modificando ou não, vem diretamente

da natureza, basta você olhar ao seu redor: de onde vieram os tijolos, seu caderno de anotações, sua caneta ou

lápis, o carro de sua família ou o ônibus que você utiliza para passear? Tudo vem de transformações de materiais

que encontrarmos na natureza.

Portanto, o ser humano faz parte da natureza, apesar de sua capacidade de modificá-la, transformando o

que encontra em utensílios, materiais, máquinas que melhorem o seu conforto.

Apesar da interação que há entre tudo que existe na natureza, alguns fatores são fundamentais para dar

seqüência à vida das espécies na biosfera. Entre estes fatores é fundamental entendermos um pouco a

importância que o Sol, única estrela do sistema solar, tem para a existência da vida em nosso Planeta.

Sem a luminosidade dos raios solares e sua transformação em calor na Terra, nada do que existe hoje

seria pos sível. A radiação solar é responsável pelas diferenças de temperatura, por todo o ciclo hidrológico, pela

fotossíntese exercida pelos vegetais, permitindo a prática da agricultura, e pelo desenvolvimento das espécies

vegetais, base da cadeia alimentar. Sem os raios solares não teríamos claridade que ilumina um lado da Terra,

portanto seria sempre noite, sempre congelado, enfim teríamos um planeta onde nada do que conhecemos com

vida existiria.

Com todo este conhecimento, o ser humano ainda desrespeita a natureza, degradando, poluindo,

queimando a vegetação, despejando produtos químicos nos rios, nos oceanos, transferindo partículas de minerais

pesados, radiativos, ácidos para a atmosfera, criando grandes depósitos de lixo químico, orgânico, tóxicos, ou

seja, o ser humano ainda não acredita que um dia os recursos oferecidos pela natureza possam acabar.

DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS

Para entender conto o ser humano altera de forma significativa a natureza, é preciso estudar os domínios

morfoclimáticos e tirar respostas de como podemos utilizar a natureza sem modificá-la, de forma a prejudicar a

nossa própria existência. Você aprendeu o que significa, desenvolvimento sustentável e agora vamos tentar compreender

como o ser humano altera o meio ambiente.

DOMÍNIOS FITOGEOGRAFICOS

Chamamos de domínio fitogeográfico ao conjunto de tudo aquilo que existe na natureza: relevo, climas,

tipos de solos, vegetação, hidrografia, geologia, suas relações e importância para os seres vivos do planeta. Como

a vegetação é urna das partes que mais se destaca chamando a atenção das pessoas, normalmente utilizamos a

formação vegetal que predomina num determinado espaço geográfico para indicar o domínio morfoclimático.

OS PRINCIPAIS DOMÍNIOS FITOGEOGRÁFICOS, OU BIOMAS DO PLANETA, OU MORFOCLIMÁTICOS

Na verdade, a forma como chamamos o conjunto da natureza muda de uma ciência ou disciplina para

outra, mas o assunto estudado e o resultado final é o mesmo. Tentar compreender a natureza e os resultados

positivos ou não da interferência humana nas condições naturais elo planeta. Portanto, no fundo, são sinônimos:

domínio morfoclimático, domínio climatobotânico, bioma, biocenose, ecossistema ou meio ambiente. Tudo isto vai

resultar no que denominamos de biosfera.

A HUMANIDADE E AS PRINCIPAIS CAUSAS DAS ALTERAÇÕES AMBIENTAIS

É interessante observar como os avanços no conhecimento da humanidade implicam uma regressão

cada vez maior quanto à consciência ambiental. Até o momento, nós verificamos que quanto mais o ser humano

desenvolve sua capacidade de transformar os recursos da natureza, mais ele os degrada, pois tem uma visão

distorcida quanto a relação homem/natureza, importa-se mais com o lucro imediato do que com a preservação das

riquezas naturais necessárias para a sobrevivência das futuras gerações.

A PARTIR DE QUAL MOMENTO, NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE, AS DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS

COMEÇARAM A SER UM CASO SÉRIO?

No início da história da humanidade, quando o pouco de habitantes que existiam na Terra viviam em total

harmonia com a natureza, quase não existiam alterações ambientais sérias que viessem a prejudicar a qualidade

de vida das pessoas. A partir do momento em que alguns grupos organizados passaram da vida nômade para a

vida sedentária agrícola, as alterações no meio ambiente começaram, de forma simples, e tem início a

interferência humana na distribuição das espécies no Planeta.

Quanto mais o ser humano se organizava, tornando suas sociedades mais complexas e competitivas, a

degradação ambiental aumentava na mesma proporção.

Com o advento da primeira revolução industrial, no século XVIII, na Inglaterra, esta situação acelera de

forma irremediável, pois a partir deste século a humanidade passa por uma longa fase de crescimento

demográfico, com mudanças significativas nas suas normas de comportamento econômico, político, social e

cultural, principalmente na mudança muito rápida da área rural para os grandes conglomerados urbanos. Inicia-se,

então, um período histórico, no qual prevalece o consumismo descontrolado, principalmente nos países ricos.

Acontece que este consumismo necessita de matérias-primas, o que leva à exploração descontrolada dos

recursos naturais em todo o Planeta, inclusive nos países mais pobres, que são obrigados a explorar cada vez

mais os recursos naturais para abastecer o elevado consumo dos países mais poderosos.

Estudiosos do meio ambiente já levantaram que nas áreas muito poluídas, como as grandes cidades,

existem mais de três mil poluentes suspensos no ar, os quais são provocados pelas indústrias com as suas

grandes chaminés, pelos automotores e, por incrível que pareça, pelas residências. Você já imaginou quantas

vezes as pessoas vão à cozinha de suas residências? Imagine os milhões de fogões a gás que são ligados a cada

hora e quanto de gorduras, monóxido e dióxido de carbono são lançados na atmosfera, isto para citar os mais

comuns.

Qual é a nossa parcela de responsabilidade na poluição do ar ao fazermos um bom churrasco no final de

semana? Veja bem, o carvão foi retirado de algum vegetal para ser produzido (sem esquecer que as carvoarias no

Brasil são responsáveis por uma boa parte da exploração da mão-de-obra infantil em nosso país) e muitos gases

são lançados no ar ao assarmos as carnes do churrasco.

Você já imaginou no quanto de produtos químicos, como detergentes e matéria orgânica, e restos de

comida cada família no mundo despeja nos esgotos que vão para os rios e depois acabam chegando aos

oceanos, ao lavar as louças ou as roupas de uma casa? São milhões de famílias despejando toneladas e

toneladas de material poluído na atmosfera, nos solos e nas águas.

Sabemos muito bem que, infelizmente, a intensidade da degradação do meio ambiente acompanha o

desenvolvimento de uma civilização. Portanto, quanto mais desenvolvida for uma nação, há uma tendência de

elevar o uso de máquinas e o consumismo das pessoas, obrigando ao aumento do uso dos recursos naturais,

elevando o número de automóveis, indústrias com chaminés, a queima de combustíveis fósseis, como os

derivados de petróleo, as usinas nucleares, as represas nos rios, o desmatamento para a construção de cidades,

estradas. Etc., agravando cada vez mais as condições naturais.

Se o desenvolvimento é responsável pela maior degradação ambiental, não fica difícil concluir que os

maiores poluidores da natureza são os países ricos do hemisfério norte. Se os maiores poluidores do meio

ambiente são os países desenvolvidos, também são os países mais poluídos do Planeta, certo? Errado, pois a

causa da poluição ambiental pode ser localizada, mas as suas conseqüências, isto é, a poluição provocada se

espalha, podendo atingir todo o Planeta.

Acho que agora é possível dar alguns exemplos mais abrangentes dos resultados negativos para a Terra,

das poluições provocadas pelo ser humano. E a melhor forma de trabalharmos esta realidade é apresentando

primeiro como isto acontece e depois mostrando alguns exemplos entre os milhares que existem atualmente.

Você sabia que algumas espécies de animais e vegetais estão sendo afetados em sua reprodução devido

ao elevado índice de poluição em seu hábitat, e que eles estão correndo o risco de desaparecerem do planeta?

Os ursos polares estão desaparecendo no Pólo Norte, pois a sua reprodução é cada vez menor. A queda

na reprodução desses animais foi provocada, entre outros fatores, pelo excesso de cloro nas águas geladas na

região da calota polar. Este excesso tem a sua origem no grande número de indústrias de fabricação de papel no

Canadá, nos EUA e no norte da Europa, pois o cloro é um dos elementos químicos utilizados nestas fábricas para

clarear o papel. Quando o excesso de cloro é despejado nos rios, acaba chegando até os oceanos. É certo que

cada folha de papel que rasgamos e jogamos no lixo também tem a sua parcela de responsabilidade na poluição

da natureza.

Na década de 70, a cidade de Cubatão, no Estado de São Paulo, atingiu um nível de poluição tão sério

que começou a afetar o índice de natalidade e mortalidade infantil, assustando a sociedade brasileira e os

governantes da época.

Uma das soluções encontrada para reduzir esta degradação na cidade industrial foi obrigar as empresas

a colocarem filtros especiais nas chaminés das fábricas e aumentar o monitoramento, controlando o índice de

poluição do ar. Logo vieram os protestos dos empresários, pois medidas para conter a poluição exigem recursos e

isto poderia inviabilizar boa parte da atividade econômica da região, podendo gerar desemprego, fuga de capitais,

etc.

Também pensaram em recuperar a mata tropical já quase extinta desta região de serras. Para esta

recuperação, os técnicos tiveram uma idéia altamente criativa para a época, pois era muito caro e demorado

utilizar equipes terrestres para semear ou plantar mudas de espécies nativas, para não dizer impossível devido às

características do relevo. Pegaram milhares de sementes de espécies da mata, envolveram numa gelatina nutritiva

e jogaram as sementes de helicóptero ou aviões de pequeno porte nas áreas mais inacessíveis da região,

acreditando que as pessoas não chegariam a estes locais.

Por que esta idéia poderia dar certo?

A gelatina nutritiva cumpriria duas funções importantes: primeiro, atenuaria a queda das sementes

lançadas pelos aviões; segundo, a gelatina supriria as necessidades iniciais de nutrientes para que as sementes

pudessem germinar.

Por que esta idéia não deu muito certo?

O nível de poluição desta área já é tão elevado que além de poluir o ar, também já poluiu os solos, e

alterou o clima da região; concluindo: a mata tropical Atlântica é nativa desta região, mas o ecossistema foi tão

alterado que as suas espécies não conseguem se desenvolver naturalmente nesta área.

Outro caso teve resultado diferente no Brasil. No período inicial, a cafeicultura teve sua expansão a partir

do Estado do Rio de Janeiro. Quando começou a ser cultivado, houve um desmatamento violento da mata

Atlântica próximo da cidade. Com a retirada das árvores, começou a faltar água para abastecer a população, e

para solucionar o problema, o governo utilizou a mão-de-obra escrava da época e replantou boa parte desta mata

com espécies nativas. A área que hoje chamamos de Floresta da Tijuca representa uma das poucas áreas do que

restou da riquíssima floresta tropical, que se estendia do Nordeste até a região Sul do País.

PRINCIPAIS TIPOS DE DEGRADAÇÕES AMBIENTAIS

Afinal, quais são as principais degradações ambientais que afetara o nosso Planeta? Como elas ocorrem?

E o que temos que fazer para que não aconteçam mais?

1º) POLUIÇÃO DO AR ATMOSFÉRICO

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 1,25 bilhão de pessoas vive em cidades com níveis

inaceitáveis de matéria particulada em suspensão na atmosfera.

Em muitas áreas no mundo, principalmente nas grandes cidades, o ar já está tão poluído que podemos

dizer que começa a faltar o ar para as pessoas respirarem. A situação vai se agravando de acordo com o nível de

alterações ao meio ambiente que o ser humano vai provocando, trazendo problemas de saúde para a população,

principalmente para as crianças, as mulheres gestantes e as pessoas de idade mais avançada. Os problemas

mais freqüentes são respiratórios, de pele, perda dos pêlos, desânimo, etc.

Afinal, quais são estas alterações ambientais?

a) Ilhas de Calor

A grande concentração de pessoas, máquinas consumindo energia e a impermeabilização dos solos cora

concreto, asfalto e prédios, por exemplo, alteram a temperatura que, normalmente, nesta situação, fica mais

elevada que o normal. Quanto mais você se aproxima do centro da área urbana, mais a temperatura vai ficando

alta. A este fenômeno nós chamamos de ilhas ele calor.

b) Inversão Térmica

A inversão térmica, normalmente, é um processo naturalmente provocado pelo encontro de massas de ar

com temperaturas, umidade e pressão atmosférica diferentes. Em situações normais provoca a formação da

neblina ou cerração, podendo chegar até a formação de geada. Em lugares onde este fenômeno ocorre com maior

freqüência, como a neblina em Londres, na Inglaterra, nós chamamos de fog; nos lugares onde o ser humano

esteja poluindo muito o ar, nós denominamos de smog. Esta situação ocorre com muita freqüência nos grandes

centro urbanos, principalmente naqueles que são mais industrializados e com muito tráfego de automóveis.

Inversão térmica, como o próprio nome indica, é quando a temperatura do ar fica o contrário da normal,

isto é, o avanço de uma massa de ar fria expulsa o ar mais quente para altitudes elevadas, ficando na superfície o

ar mais frio dessa massa de ar.

Uma das principais causas da inversão térmica em área muito poluída, é que o ar frio da superfície

impede que o material poluído se disperse para altitudes mais elevadas, afetando assim o ar que as pessoas vão

respirar.

Você já notou que há sempre uma época do ano em que os problemas de saúde das crianças e de

pessoas mais velhas se agravam, principalmente problemas de respiração? Você, que mora numa cidade grande,

observe da próxima vez em que isto acontecer, que vai coincidir com as mudanças de temperatura na região em

que está morando.

c) Chuva Ácida

Na verdade toda chuva é ácida, com PH abaixo de 5, mas quando ocorre em áreas muito poluídas, ao

precipitar, os pingos d'água entram em combinação química com certos tipos de minerais em suspensão,

resultando numa chuva com maior acidez; quando esta água bate na superfície, sua acidez pode queimar a

vegetação, causar problemas de pele nos animais, inclusive no ser humano, corroer os monumentos, o concreto e

as estruturas metálicas, como pontes, torres de comunicações, etc.

d) Problemas na Camada de Ozônio

A camada de ozônio (O3), na verdade, não é uma camada daquelas que formam a atmosfera, mas sim,

uma pequena quantidade deste gás que se concentra na camada chamada estratosfera, junto com outros gases.

A quantidade de ozônio em relação aos gases que compõem a atmosfera é mínima, mas a sua importância para a

existência da vida no planeta é máxima, pois são as moléculas de ozônio que impedem que a maior parte dos

raios ultravioletas, que são prejudiciais à vida, cheguem livremente até a superfície da Terra. Se a camada de

ozônio diminuir muito pode provocar mutações genéticas nas espécies ou até eliminar por completo a existência

da vida no Planeta.

Nas últimas décadas, o ser humano passou a fabricar algumas moléculas, artificialmente, em laboratórios.

Entre estas moléculas estão os clorofluorcarbonos, normalmente chamados de CFCs. Estes gases são muito

utilizados nas indústrias, principalmente nos aparelhos de refrigeração como geladeira, ar-condicionado, freezer e

nos produtos de sprays, como desodorante, lubrificante e inseticida. O grande problema é que se acredita que as

moléculas de CFCs são responsáveis pela ruptura do ozônio. diminuindo a sua quantidade; os raios ultravioletas

chegam em maior quantidade na superfície da Terra, podendo trazer problemas seríssimos para todas as espécies

de animais e vegetais existentes.

Os maiores responsáveis pela liberação de CFCs para a atmosfera são os países desenvolvidos do

hemisfério Norte, mas as conseqüências deste ato se espalha por todo o Planeta. O melhor exemplo desta

situação é a região da Antártida, no Pólo Sul, pois é uma das áreas mais afetadas pela eliminação do ozônio pelos

CFCs. Fotos de satélites mostram que nesta área a camada de ozônio está desaparecendo.

e) Efeito Estufa

Você já observou que todas as vezes que um automóvel fica totalmente fechado, o ar dentro dele fica

muito quente? Na verdade está ocorrendo um efeito estufa. Como isto acontece é simples: os raios solares

passam livremente pelos vidros do carro; ao baterem na parte de dentro se transformam em calor; acontece que

os vidros e a lataria (chaparia) do carro não permitem que o calor saia, forçando um maior aquecimento da parte

interna do automóvel.

Na natureza ocorre de forma parecida, pois os raios solares chegam até a superfície e se transformam em

calor; mas quando começam a adquirir altitude, alguns gases da atmosfera, como o dióxido de carbono, impedem

a sua propagação, por isto, na superfície do Planeta é mais quente do que nas elevadas altitudes.

O efeito estufa é um processo natural e sem ele não teríamos as condições normais para o

desenvolvimento da vida como conhecemos hoje. Acontece que o ser humano está acelerando o processo do

efeito estufa ao lançar milhares de toneladas/dia de gases como o dióxido de carbono para a atmosfera,

aumentando e agravando o efeito estufa, e provocando um aquecimento artificial na Terra.

Este aquecimento pode vir a provocar nas próximas décadas um descongelamento parcial das calotas

polares. Ao descongelar partes das geleiras, esta água vai ser transferida, no estado líquido, para os oceanos,

podendo inundar boa parte do espaço ocupado pelos continentes, diminuindo o espaço para a ocupação humana

e de outras espécies no planeta.

No Brasil, boa parte do litoral atual desapareceria. Veja, como exemplo, a cidade de Recife, capital do

Estado de Pernambuco, cuja altitude média é de 0,6 metros. Se o oceano Atlântico aumentar suas águas em 2 ou

3 metros, boa parte desta cidade ficaria debaixo d'água, prejudicando a população. Na verdade, isto aconteceria

também no interior dos continentes, pois o aquecimento do planeta, pelo efeito estufa, alteraria os climas em todos

os lugares, e as populações que vivem em lugares de baixa altitude seriam afetadas por inundações.

2°) POLUIÇÃO DA HIDROSFERA

Corno estudamos anteriormente, água é sinônimo de vida. Sem a água nenhuma espécie viva do Planeta

teria condições de sobreviver. Infelizmente, o ser humano passou séculos para enxergar essa realidade, e

enquanto não percebia a importância da água, foi destruindo os mananciais de água potável, principalmente com o

crescimento da atividade industrial e a sede de consumismo que se alastrou, alterando a forma de viver da maioria

dos povos no Planeta.

Entre os resultados negativos desta atitude humana, alguns são mais sérios ou percebidos mais

claramente pelas pessoas no seu cotidiano. Senão vejamos:

a) esgotamento sanitário

A maioria do esgoto produzido pelas pessoas é lançado nas águas continentais ou nos oceanos sem

nenhum tratamento que possa evitar que excessos de matérias orgânicas, minerais e produtos não degradáveis,

como plásticos, interfiram no equilíbrio dos ecossistemas. Só para que você tenha noções do que estamos

falando, apenas no Brasil, 63% do esgoto produzido é lançado, in natura, isto é, sem nenhum tratamento sequer,

nos rios e no oceano Atlântico.

O esgoto desequilibra um ecossistema devido ao excesso de nutrientes que provoca o crescimento acima

do normal de algumas espécies, prejudicando as demais, pois você deve lembrar que as espécies estão interrelacionadas,

portanto, quando uma cresce além do normal só pode afetar o crescimento de outras espécies.

b) eutrofização

O excesso de nutrientes (matéria orgânica), proveniente do esgoto, satura as águas, causando um

crescimento acelerado de certas espécies de algas nos lugares de água parada como lagos, lagoas e rios de

planícies, reduzindo a quantidade de oxigênio, com isto as outras espécies morrem em grande quantidade.

Quando o excedente de plantas morre, libera mau cheiro terrível afetando as pessoas.

Este excesso de matéria orgânica traz consigo vírus e bactérias que podem transmitir doenças para o ser

humano.

c) maré vermelha

Nos oceanos e mares, o excesso de nutrientes pode provocar o crescimento das algas. Além de

impedirem a luminosidade normal, prejudicando a fotossíntese dos vegetais, sua mortandade libera toxinas, que

provocam a morte das maiorias das espécies por envenenamento.

Outra vez você deve tomar muito cuidado com o exemplo dado, pois maré vermelha é um processo

normal na natureza, principalmente nas áreas de águas temperadas, mas a interferência do ser humano, ao lançar

esgoto nas águas, aumenta este processo, atingindo até as regiões tropicais, como o Brasil, onde vem ocorrendo

maré vermelha até o litoral do Rio de Janeiro.

d) maré negra

E provocada pelo excesso de petróleo bruto e seus derivados em alto mar ou pelos vazamentos dos

terminais marítimos especializados.

Como o petróleo não se mistura com a água, ficando mais concentrado na superfície, provoca uma

redução na renovação do oxigênio e elimina as defesas das espécies, principalmente das aves e dos animais

marinhos.

Com o despejo deste material, as praias ficam inutilizadas para o uso do ser humano, prejudicando as

atividades econômicas e o lazer.

3°) POLUIÇÃO DA LITOSFERA

a) lençol freático

É a área onde a água se concentra no subsolo. Com o despejo de esgoto nos solos, ocorre infiltração que

vai contaminar o lençol freático, tornando a água imprópria para o consumo humano e para a prática da

agropecuária, pois as águas subterrâneas ficam com bactérias e vírus dos esgotos que podem afetar a saúde das

espécies.

b) contaminação por agrotóxicos

Os fertilizantes químicos, fabricados em laboratórios, são utilizados para aumentar a produção agrícola,

pois servem para tornar o solo mais fértil e eliminar as pragas que prejudicam os vegetais. Acontece que as

pessoas não sabem exatamente quanto de fertilizante deve ser utilizado para determinado produto agrícola ou não

explicam aos trabalhadores rurais o quanto eles devem utilizar destes fertilizantes e como devem se proteger para

evitar o envenenamento com estes produtos.

Na agricultura atual (contemporânea), na maioria das vezes, reais importante é o lucro que se vai

conseguir com esta produção do que a qualidade ou a saúde de quem vai consumir estes produtos. Com isto,

passou a predominar o cultivo de monoculturas mecanizadas, que provocam intenso desmatamento, tendo como

resultado imediato a erosão, levando boa parte dos solos para os rios. Nos rios ocorre assoreamento com o

desaparecimento dos leitos e o excesso de agrotóxicos vai afetar a saúde dos vegetais e animais que utilizam

essa água, novamente chegando a afetar o próprio causador do desastre, o ser humano.

Não pode ser esquecido, de forma nenhuma, um cios resultados mais negativos do uso excessivo de

agrotóxicos, que é a perda violenta da biodiversidade, pois estes produtos não eliminam somente as pragas

existentes num lugar, e sim, terminam por provocar a extinção ou fuga de seu hábitat da maior parte das espécies

existentes na natureza, e que não são prejudiciais ao ser humano.

Atualmente, está acontecendo uma coisa curiosa com algumas espécies, principalmente aves, no Brasil.

Elas passaram a viver e a se reproduzir no espaço urbano.

O problema começou nas décadas de 50 para 70, quando em nosso País o processo de urbanização foi

muito rápido, provocando urna fuga da maioria das espécies para áreas que não estavam se urbanizando. Nesta

mesma época começava uma espécie de "revolução agrícola", pois a agricultura de subsistência nas pequenas e

médias propriedades rurais começava a ser substituída pela monocultura mecanizada, com agrotóxicos, para a

exportação em grandes propriedades. A perda da biodiversidade afetou tanto o ecossistema que, para

sobreviverem, algumas espécies foram obrigadas a migrar para as áreas urbanas; isto não quer dizer que é o

ideal, mas ao menos estas espécies estão sobrevivendo.

c) maré negra

O consumo dos combustíveis fósseis, principalmente do petróleo, provoca uni intenso tráfego marítimo,

pois na maioria das vezes a produção do petróleo acontece num país, mas vai ser consumido por vários outros

países, até mesmo em outros continentes. Para isto foram construídos enormes navios, os famosos navios

petroleiros, que chegam a transportar milhares de litros dessa matéria-prima, deslocando-se a milhares de

quilômetros para abastecer o consumo mundial.

Quando terminam a viagem, esses petroleiros costumam ir para alto-mar e fazer a limpeza das sobras de

petróleo, jogando estas sobras no mar. Milhares de barris de petróleo todo ano são despejados nos oceanos e

mares, poluindo as águas, pois o petróleo não se mistura à água, matando os animais, impedindo a luminosidade

e reduzindo a oxigenação destas águas, fora o material que atinge as praias impedindo seu uso. Além disso,

ocorrem os acidentes, quando os navios podem se incendiar durante dias ou até semanas ou serem obrigados a

despejar grandes quantidades de petróleo nas águas para não afundarem ou pegarem fogo.

Isso também ocorre nas refinarias e nos terminais marítimos nas vezes em que acontecem os

vazamentos de petróleo ou de um dos seus derivados.

d) poluição pelas indústrias

Além do material lançado pelas chaminés das indústrias, a maioria delas também despeja efluentes

líquidos nos rios e nos oceanos. São centenas de produtos com minerais metálicos, radioativos e tóxicos, que, se

não tomados os devidos cuidados técnicos ambientais, poluem as águas, os solos, eliminando os vegetais e os

animais da região ou afetando todo o planeta.

e) represamento dos rios

É comum para o ser humano alterar o curso de um rio para melhor aproveitamento econômico,

produzindo energia hidroelétrica, reservatório de água para tratamento e abastecimento para as cidades, para a

irrigação, etc.

Infelizmente, e apesar de alguns estudiosos considerarem essa atividade uma das menos degradadoras

do meio ambiente, o represamento de um rio elimina os solos férteis de várzeas, acaba com a vegetação mais rica

de suas margens, além de expulsar a população ribeirinha para lugares menos favoráveis.

Enfim, o ser humano é hoje o grande responsável pela queda na sua qualidade de vida, pois é ele que

modifica o meio de forma negativa, para depois sofrer as conseqüências dessa atitude.

LITERATURA BRASILEIRA

QUINHENTISMO, PERÍODO DE INFORMAÇÃO (1500-1601)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL (SÉCULO XVI)

• Não se pode falar em "literatura", ou atividade literária em sentido próprio, no Brasil do século XVI. As crônicas

de viagem e os escritos informativos, inscritos no âmbito da expansão ultramarina portuguesa, carecem de

"literalidade". Pertencem mais ao campo da História e são lavrados em linguagem denotativa, referências, no estilo

clássico renascentista, simplificado, tornado "fácil e chão" pela necessidade de tratamento objetivo dos assuntos. E

um prolongamento da literatura de viagens, gênero largamente cultivado em Portugal e em toda a Europa no

Quinhentismo. É literatura sobre o Brasil, pré-história das nossas letras, que alguns autores omitem da nossa

história literária por escrúpulo estético, dada a inexistência da palavra-arte.

• A literatura informativa, descrevendo diretamente a paisagem, o índio e os primeiros grupos sociais, documenta

as intenções do colonizador: conquistar, explorar, dominar, apresar escravos, comerciar gananciosamente, sob o

disfarce da difusão do Cristianismo, ideal que justificava, perante a consciência dos navegantes e exploradores,

todos os atos, mesmo os mais desumanos. A "dilatação da Fé e do Império" marcou-se por um clima

cavalheiresco-medieval, num espírito de cruzada simultaneamente teológica a mercantil.

• O que se escreveu sobre e no Brasil nas primeiras décadas tem caráter puramente pragmático. Os escritos

jesuíticos constituíram-se em instrumentais para a catequese do gentio a para a educação do colono. Os escritos

decorrentes das viagens de reconhecimento eram simples relatórios ou reportagens destinados a dar a conhecer

aos superiores em Lisboa as possibilidades de exploração e colonização da terra recém-descoberta. Expressam

muitas vezes uma visão paradisíaca, associando a nova terra aos mitos edênicos (de éden, paraíso) e às lendas

do Eldorado. Refletem o deslumbramento do europeu diante da exuberância da natureza tropical, o fervor de quem

imagina tesouros e lugares edênicos e, na vertente oposta, a visão "realista", terra-a-terra, de quem avalia as

dificuldades para explorar, colonizar a catequizar.

• Identificam-se no Quinhentismo quatro modalidades de textos:

1) textos informativos, voltados para a descrição da terra e do selvagem, privilegiando os aspectos geográficos a

etnográficos (Caminha, Pero Lopes de Sousa);

2) textos propagandísticos, que acrescem ao propósito informativo a intenção de atrair colonos e investimentos,

"exagerando" nas descrições das virtudes e potencialidades da terra (Gândavo, Gabriel Soares de Sousa e

Ambrósio Fernandes Brandão);

3) textos catequéticos, que aliam a preocupação com a conversão religiosa do índio, a preservação dos

costumes e da moral ibérico-jesuíticos, sob influxo dos ideais contra-reformistas do concílio tridentino, e os

interesses do Estado português na obra de colonização (Nóbrega, Anchieta, Fernão Cardim);

4) textos de viajantes estrangeiros, não-portugueses, inventariando as riquezas a possibilidades da terra (André

de Thevet, Jean de Lery, Hans Staden, Américo Vespúcio, Pigafeta, João Antônio Andreoni ou Antonil).

BARRACO, SEISCENTISMO (1601-1768)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL (SÉCULO XVII E PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XVIII)

• Reconhecem-se três momentos no Barroco brasileiro:

1) o primeiro momento corresponde à primeira metade do século XVII, marcado pela dominação filipina, pela

ocupação holandesa no Nordeste e pela hegemonia de Pernambuco, a capitania mais adiantada;

2) o segundo momento ocupa a segunda metade do século XVII e marca a preeminência da Bahia, sede do

Governo Geral, da Diocese, da Relação, do principal presídio de tropas, do porto mais ativo e da economia mais

dinâmica;

3) o terceiro momento compreende as primeiras décadas do século XVIII, ainda centrado na Bahia, quando

entram em moda as academias literárias e científicas, por influência européia. É o apogeu do Maneirismo barroco,

mercê das novas condições sociais que se vão criando com a descoberta de pedras a metais preciosos em Minas

Gerais. Exagerando o estilo Barroco em suas linhas mestras, presencia-se o progresso no sentido de uma

afetação cada vez maior, correspondente ao estilo rococó.

• Até a expulsão da Companhia de Jesus, em 1759, os jesuítas detiveram o monopólio do ensino. Era um

ensino "literário" a retórico, desdenhoso dos comportamentos científicos e técnicos perante a realidade, infenso a

toda manifestação artística que escapasse ao âmbito vocabular a oral. Formávamos sacerdotes e bacharéis. O

bacharelismo, que ainda infesta nossa cultura, lastreia-se nesse interesse pela vernaculidade e no pendor para dar

a tudo expressão literária, como também no amor à forma pela forma, no requinte e nos rebuscamentos. Essa

educação medievalizante, retórica e contra-reformista abafou, durante três séculos, os apelos da nova terra, a

força de atração do meio tropical e a consciência que os agrupamentos humanos, mestiçados ou não, iam

tomando de sua diferenciação. Esses apelos da nova terra irão desaguar no sentimento nativista, fermento de

várias rebeliões que, a partir de 1640, atestam a presença de pruridos autonomistas (Amador Bueno, Beckmam.

Guerra dos Mascates, Emboabas, Vila Rica, Inconfidência Mineira, Revolução dos Alfaiates, os Suassunas e a

Revolução Pernambucana de 1817).

- As academias "literárias" baianas e cariocas foram o último centro irradiador do Barroco literário e o primeiro

sinal de uma cultura humanística viva, extraconventual. Aglutinavam religiosos, militares, desembargadores, altos

funcionários, reunidos em grêmios eruditos, à imitação das congêneres européias. Tinham caráter fortemente

encomiástico (= bajulador) e seus atos acadêmicos destinavam-se à celebração das festas religiosas ou dos feitos

das autoridades coloniais. Deram maior contribuição à História e erudição em geral que à Literatura.

1) Academia Brasílica dos Esquecidos (Bahia, 1724 -1725) - Tinha como lema "Sol oriens in occiduo".

Empenhou-se no estudo da história natural, militar, eclesiástica e política do Brasil e em discutir os versos dos

seus acadêmicos. Sebastião da Rocha Pita, o Acadêmico Vago, foi seu membro mais notório.

2) Academia Brasílica dos Renascidos (Bahia, 1759) - Adotou como símbolo a Fênix e tinha como lema

"Multiplicabo dies". Propunha-se a reviver os Esquecidos. Além da poesia cultista convencional, deixou obras em

prosa, de valor documental.

3) Academia dos Felizes (Rio de Janeiro) Reuniu-se entre 1736 a 1740, adotando como, símbolo Hércules e

como lema "lgnevia fuganda et fugienda". Seu espólio literário é desconhecido.

4) Academia dos Seletos (Rio de Janeiro, 1752) - Foi organizada em homenagem a Gomes Freire de Andrade,

nomeado Primeiro Comissário de Medição e Demarcação dos Domínios Meridionais Americanos.

ARCADISMO (1768-1836)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Racionalismo - Superação dos conflitos espirituais do Porto do Barroco.

• Século das Luzes - Iluminismo (Rousseau, Montesquieu, Voltaire); Empirismo (Newton, Lavoisier, Lineu,

Locke); Enciclopedismo (Diderot).

• Despotismo Esclarecido (Regime Pombalino) - Expulsão dos jesuítas, submissão da Santa Inquisição,

laicização do ensino, divulgação das idéias científicas.

• Superação da influência espanhola pela francesa, italiana a inglesa.

• Prosperidade econômica de Portugal pelo afluxo do ouro do Brasil. Reconstrução de Lisboa (parcialmente

destruída pelo terremoto de 1755), reedificada como cidade "esclarecida", racionalmente planejada.

• Reforma educacional inspirada nas propostas pedagógicas iluministas de Luís Antônio Verney, autor de O

Verdadeiro Método de Estudar.

• Há dois momentos no Arcadismo português:

1) Arcádia Lusitana (1756), a qual pertenceram os primeiros teóricos e poetas da escola: Antônio Dinis da Cruz e

Silva, Correia Garção;

2) Nova Arcádia (1790) e autores independentes de programas de grupos, alguns já abertos à influência préromântica:

Nicolau Tolentino de Almeida, Filinto Elísio, Pe. José Agostinho de Macedo, Bocage e Marquesa de

Alorna.

• Arte de transição - Da arte aristocrática, cortesã e erudita, para o individualismo burguês a para o gosto a

sensibilidade da classe média.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

• Reação contra os exageros verbais do Barroco cultista ou gongórico.

• Simplicidade, clareza a equilíbrio - Emprego comedido de figuras de linguagem. Preferência pela metonímia e

pela ordem direta da frase. Períodos mais curtos, menos invertidos Correção gramatical, purismo, vernaculidade.

• Volta aos modelos clássicos greco-romanos (Horácio, Virgílio, Ovídio, Píndaro) e renascentistas (Petrarca,

Sannazzaro, Camões). Obediência a regras e modelos. Convencionalismo.

• Retomada dos ideais clássicos - o Belo, o Bem (didaticismo), a Verdade e a Perfeição. A mímese aristotélica

(Ante = imitação de Natureza). Fingimento: "café coado pela terceira vez".

• Pastoralismo, bucolismo - Ideal de vida simples, junto à natureza, tomada como cenário e moldura para suaves

idílios campestres (pastores, riachos, ovelhas, campinas, etc.).

• Poesia descritiva e objetiva - O poeta deve ser mais um pintor de situações que de emoções.

• Alegorias fundadas na mitologia greco-latina (musas, ninfas, deuses, etc.). Valorização de temas clássicos,

convertidos em “clichês": fugere urbem (opção pela vida na natureza, oposição campo x civilização); aurea

mediocritas (mediania do ouro: exaltação do herói humilde, simples e honrado); locus amoenus (natureza

aprazível, voluptuosa); carpe diem (aproveita o dia). lnutilia truncat (corta o inútil) era o lema dos árcades, aludindo

à oposição aos exageros ornamentais do Barroco.

• Estilo rococó - Oculto sensual da beleza, a afetação, a frivolidade, a lascívia e o intimismo representam a

saturação do espírito neoclássico e o exagero de seus pressupostos.

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Apogeu da mineração do ouro - Transferência do centro econômico e cultural da Colônia, do Norte

(Pernambuco a Bahia) para o Centro-Sul (Minas Gerais e Rio de Janeiro).

• Formação de uma sociedade urbana mais complexa, rica a diversificada (Mariana, Sabará, Congonhas do

Campo, Vila Rica, São João del Rei).

• Primeiro período "orgânico" de nossa literatura, já marcado por certo "Polimorfismo" cultural.

• Nativismo reivindicatório - Rebeliões contra o estatuto colonial da Metrópole (Inconfidência Mineira, Revolução

dos Alfaiates).

• Influência das idéias iluministas e enciclopedistas - Gosto pela clareza e simplicidade; visão crítica dos abusos

da Metrópole; os mitos do homem natural e do bom selvagem projetados na exaltação do herói simples, honrado e

no indianismo de O Uraguai e Caramuru.

ROMANTISMO (1836-1881)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Reflete a ascensão da burguesia à condição de classe dominante, a partir da Revolução Francesa e da Primeira

Revolução Industrial.

• Espírito de rebeldia, liberalismo - Revoluções liberais na Europa e emancipação das colônias de América.

• Individualismo, subjetivismo, relativismo a imposição radical do "eu" - Ruptura com os valores absolutistas

(racionarismo, disciplina, regras e modelos).

• Insatisfação, descontentamento - A nobreza, que já caiu, expressa uma visão nostálgica, saudosista. A

burguesia ascendente e os novos proprietários oscilam entre a euforia e a prudência. A pequena burguesia e os

que não lograram a ascensão irão engrossar o coro dos descontentes, primeiramente inquietos e, depois,

francamente rebeldes e libertários. O Campesinato e operariado crescente estão postos à margem, imersos na

mudez da inconsciência.

• Em Portugal, o Romantismo reflete o desenvolvimento da imprensa e a afirmação de um novo público

leitor: o burguês. A dependência da Inglaterra, a economia de base agrária, a ausência de uma autêntica

revolução industrial e o analfabetismo de 80% da população inibiram o florescimento de uma literatura mais

original e contundente. Contudo, atualizou-se, dentro de um contexto mais democrático e popular, a tradição

literária mais significativa do país.

CARACTERISTICAS LITERÁRIAS

• A imposição do "eu", o subjetivismo, o individualismo- Busca da expressão sincera dos aspectos

"selvagens" da vida: a paixão, o sonho, o amor, a loucura, o tédio, a morbidez, o ímpeto revolucionário.

• O predomínio da emoção, da imaginação - Metáforas e comparações ousadas. Discurso pomposo, colorido,

carregado de adjetivos. A intensidade da emoção, o tumulto interior, reflete-se na freqüência do uso de recursos

expressivos, como interjeições, pontos de exclamação, reticências, dupla pontuação e apóstrofes violentas.

• O idealismo, a insatisfação, o escapismo - O conflito eu x mundo, ideal x real, leva o romântico ao desejo de

evasão; daí a morbidez, a boemia, o tédio, o negativismo, o culto da solidão, a poesia noturnal a cemiterial, a

abominação do presente, o saudosismo, a busca de lugares longínquos e exóticos, o gosto pelas ruínas. O

romântico odeia o aqui e agora.

• O nacionalismo - Valorização do passado histórico (heróis reais ou lendários), dos temas folclóricos, da cor

local.

• A religiosidade - Sugestões bíblicas e medievais.

• O ilogismo - Atitudes antiéticas: alegria / tristeza, euforia / depressão, desejo / autopunição, religiosidade /

satanismo.

• A idealização da mulher como anjo ou demônio.

• A ruptura com a disciplina clássica, a liberdade formal - Abandono das formas fixas, mistura de gêneros e

formas: poesia prosaica, coloquial, prosa poética. A epopéia é substituída pelo romance histórico. Preferência pelo

conto, pela novela e pelo romance, mais acessíveis ao público burguês. No teatro, a tragédia e a comédia são

substituídas pelo drama, rompendo a lei das três unidades (tempo, lugar e ação).

• A incorporação da linguagem oral de neologismos, a tendência ao coloquial - Superação do rigor lingüístico

dos clássicos, o que possibilitou uma dicção mais solta e mais compatível com o gosto e entendimento da

burguesia e do povo.

• O Romantismo português mostra três fases:

1) Primeira fase - Resíduos clássicos, medievaIismo e nacionalismo;

2) Segunda fase - Ultra-Romantismo;

3) Terceira fase - Aproximações realistas.

ROMANTISMO BRASILEIRO

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Abrange o período final das Regências, a consolidação do Segundo Reinado e sua estabilização no Gabinete da

Conciliação, e as crises antecipadoras do regime republicano: a Guerra do Paraguai a as campanhas abolicionista

e republicana.

• A emancipação política (1822) não alterou o poder agrário, sustentado pelo latifúndio, Trabalho escravo a

mercado externo.

• A inteligência local, formada pelos filhos das famílias abastadas do campo, ou de comerciantes e profissionais

liberais, saía dos bancos das escolas jurídicas de São Paulo, Recife e Rio. Apenas Teixeira e Sousa, Manuel

Antônio de Almeida e Laurindo Rabelo saíram das camadas humildes.

• A intelectualidade brasileira procurou absorver e adaptar à condição brasileira as principais vertentes do

Romantismo europeu.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

I - Primeiro Grupo

• Fase de formação - Resíduos neoclássicos.

• Niterói, revista brasiliense (porta-voz do Grupo Fluminense).

• Poesia religiosa e mística, nacionalismo, lusofobia, poesia lírica, início da ficção e do teatro.

II - Segundo Grupo

• Indianismo, nacionalismo - Idealização do índio (bom selvagem, cavaleiro medieval) como símbolo de

nacionalidade.

• Consolidação de poesia e do romance.

• Influências de Chateaubriand (Atala), Walter Scott (lvanhoé), Fenimore Cooper (O Último dos Moicanos), Balzac,

Eugêne Sue.

III - Terceiro Grupo

• Individualismo, mal-do-século - Subjetivismo intenso, dúvida, morbidez, tédio, escapismo, boemia,

negativismo, satanismo, saudosismo (infância, família), sensualismo reprimido ("amor-e-medo"), confessionalismo.

• Incorporação de novos temas - O humor, os temas bucólicos e roceiros, a poesia maldita.

• Influencias de Byron, Alfred Musset, Lamartine, Leopardi.

• Desdobramento da prosa - Romance indianista, sertanista, regionalista, urbano, histórico e o romance de

costumes de Manuel Antônio de Almeida.

IV - Quarto Grupo

• Romantismo social, condoreirismo - Poesia engajada nas causal liberais a sociais (Guerra do Paraguai,

Abolição, República).

• Tom enfático, declamatório (metáforas ousadas, apóstrofes violentas, hipérboles, antíteses).

• Preocupação formal, antecipações realistas e aproximações com o Parnasianismo.

• Influencia de Victor Hugo.

• Escola de Recife.

ERA REALISTA - NATURALISMO

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Segunda Revolução Industrial - Fortalecimento da burguesia, capitalismo avançado. Progresso científico

(Darwin, Lamarck, Claude Bernnarda, Mendes, Pasteur) e tecnológico (locomotiva e vapor, eletricidade, telégrafo

sem fio, etc.). Civilização industrial: explosão urbana, proletariado, Socialismo (Proudhon e Marx).

• Materialismo, cientificismo - A ciência, o progresso e a razão substituem o impulso pessoal, a paixão e o

ímpeto revolucionário dos românticos. Positivismo (Comte), Evolucionismo (Darwin e Spencer), Determinismoraça

/ meio / momento (Taine) e Experimentalismo (Claude Bemard).

• Em Portugal, após os movimentos político-militares de Maria da Fonte e da Patuléia (1846/47), consolida-se a

monarquia liberal-parlamentar - o período de Regeneração(1851-1910). Dependência econômica da Inglaterra,

desenvolvimentismo, crescimento da classe média citadina a ativação da vida cultural.

• A Questão Coimbrã, ou a Polêmica Bom-Senso e Bom-Gosto (1865), após o grupo romântico de Lisboa,

liderado por Castilho, ao grupo realista de Coimbra, liderado por Antero de Quental. Os detonadores da polêmica

foram a carta-posfácio ao Poema da Mocidade, de Pinheiro Chagas, escrita por Castilho, ironizando "os moços" de

Coimbra, e a resposta de Antero de Quental, no folheto Bom-Senso e Bom-Gosto, crítica irreverente e desabrida

ao conservadorismo dos "velhos" de Lisboa.

• As Conferências Democráticas do Cassino Lisboense (1871) visaram "ligar Portugal com o Movimento

Moderno", aglutinando a denominada Geração 70: Teófilo Braga, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Guerra

Junqueiro e Oliveira Martins, sob a liderança de Antero de Quental. Esses autores constituiriam, mais tarde, o

Grupo dos Vencidos da Vida, denominação que expressava a crise e o desalento ideológico dessa geração, que

evoluiu do inconformismo a rebeldia para o ceticismo risonho e conformista.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

I - O Realismo

• Objetivismo, impassibilidade, observação e análise - Busca de uma explicação lógica e cientificamente

aceitável para os fatos e ações.

• Sensorialismo - Impressões sensoriais nítidas e precisas. Predomínio da descrição objetiva. Narrativa lenta,

devido ao acúmulo de pormenores. A ação e o enredo perdem a importância para a caracterização das

personagens e dos ambientes.

• Personagens esféricas, complexas, multiformes, imprevisíveis e dinâmicas. Densidade psicológica. Ruptura

com a linearidade das personagens românticas (Herói x Vilão, Bem x Mal). O autor ausenta-se da narrativa,

colocando-se como observador neutro. O "romance que se narra a si mesmo" (Flaubert).

• Temas contemporâneos - Crítica social a burguesia, ao clero, ao obscurantismo provinciano, ao capitalismo

selvagem, ao preconceito racial, à monarquia. Romance social, psicológico e de tese.

Sexo, adultério, degradação dal personagens, assassinatos, triunfo do mal.

• Preocupação formal - Clareza, concisão, precisão lexical, purismo, vernaculidade. Predomínio da denotação. A

metáfora cede lugar à metonímia.

II - O Naturalismo

• Exercício do cientificismo (experimentalismo, determinismo rigoroso). Privilegia os aspectos biológicos e

instintivos. Visão mecanicista do homem, submetido às leis da hereditariedade, às pressões do meio social e do

ambiente natural.

• Predileção por temas escabrosos, pela patologia, "amoralismo". Zoomorfização (aproximação entre o

homem e o animal).

• Romance experimental (Emile Zola), de seca - Peca, às vezes, pelo reducionismo a pelo esquematismo.

• Focaliza as camadas inferiores, o proletariado, os marginais.

• Privilegia a fisiologia a os aspectos sociais.

• Técnica do tipo, caracterização pelos aspectos exteriores, ações, gostos, traços físicos. Personagens

grosseiras, temas chocantes (homossexualismo, incesto, adultério, assassinato, etc.).

REALISMO-NATURALISMO

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

• A atitude realista de observação direta da vida e de sua recriação artística exata e minuciosa e uma constante

universal a sempre existiu na Arte, contrapondo-se a atitude romântica, também universal no tempo e no espaço,

marcada pela privilegiação da emoção e da fantasia. A evolução da literatura se fez da oscilação incessante

entre ambas as atitudes - ora realista, ora romântica - e de sua combinação, mais ou menos variada.

• Nesse sentido, Stendhal, Balzac, Victor Hugo, Charles Dickens, Gogol e outros, habitualmente relacionados ao

Romantismo, foram os verdadeiros fundadores do Realismo na ficção contemporânea.

• No Brasil, essas antecipações realistas podem ser localizadas no seio do próprio Romantismo: Alencar (Senhora

- crítica social); Bernardo Guimarães (O Seminarista - sexual inação do amor); Taunay (Inocência - recriação fiel

da paisagem e costumes mato-grossenses); Franklin Távora (O Cabeleira - violência no sertão do Nordeste) e

Manuel Antônio de Almeida (Memórias de um Sargento de Milícias - imparcialidade na caracterização dos

costumes e ambiente do Rio colonial). No âmbito do Realismo, além do romance (psicológico, social, regional, de

tese, etc.), desenvolveram-se:

1) a oratória civil (Rui Barbosa);

2) os estudos históricos (Joaquim Nabuco, Capistrano de Abreu, Oliveira Lima);

3) o jornalismo (José do Patrocínio, Alcindo Guanabara);

4) a crítica literária (Sílvio Romero, José Veríssimo e Araripe Júnior);

5) o ensaísmo (Tobias Barreto, Farias Brito, Euclides da Cunha);

6) os estudos de Gramática (Júlio Ribeiro e João Ribeiro).

PARNASIANISMO (1882-1893)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Corresponde, cronologicamente, ao Realismo e Naturalismo e compartilha, com esses movimentos, o mesmo

contexto histórico-cultural e os mes mos propósitos de combate aos exageros sentimentais a expressivos do

Romantismo.

Fanfarras (1882), de Teófilo Dias, e o marco inicial do Parnasianismo, antecedido pela Batalha do

Parnaso, polêmica entre os defensores da Idéia Nova e os epígonos do Romantismo (1878).

• O Parnasianismo, em Portugal, não teve a repercussão que teve no Brasil. Antero de Quental, Junqueira Freire e

Cesário Verde, os poetas mais expressivos desse período, representam a vertente realista, comprometida com as

grandes causas do tempo, com o cotidiano, afastando-se das teorias parnasianas da "arte pela arte", do

descritivismo frio e impassível. Entre os portugueses. apenas João da Penha e Gonçalves Crespo podem ser

considerados parnasianos típicos.

• O Movimento Parnasiano iniciou-se na França, em 1866, com a antologia Le Par-nase Contemporain, reunindo

poetas de tendências diversas, como Théophile Gauthier, Leconte de Lisle, Banville, Heredia e Charles Baudelaire.

• No Brasil, o movimento gozou de largo prestígio. Nem os ataques que os modernistas de 1922 desferiram contra

os "mestres do passado" e seus epígonos abalaram o rosto do leitor médio, decididamente identificado com o

brilho fácil das chaves-de-ouro, dos decassílabos bem rimados e da temática kitsch.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

• A "arte pela arte", o esteticismo - A poesia como fruto do esforço intelectual: "Trabalha e teima e lima e sofre e

sua" (Bilac). A beleza formal é a razão de ser do poema. Negando a poesia realista, filosófico-científica e socialista

de seus precursores e contemporâneos, os parnasianos propõem o distanciamento da vida, a exclusão do

cotidiano, a recusa aos temas vulgares, o desprezo pela plebe a pelas aspirações populares. Essa

alienação dos problemas do mundo justificou o apelido de "poetas de torres de marfim".

• A impassibilidade, a contenção lírica emocional - A assimilação dos ideais das Artes Plásticas: o poetaourives/

escultor/pintor/arquiteto; a poesia burilada, cinzelada, lapidada. O materialismo da forma.

• A perfeição formal - Entregues ao puro fazer poético, os parnasianos foram exímios conhecedores da língua

("poetas de dicionário"), obcecados pela correção gramatical, pelo purismo, pela vernaculidade, pela seleção

vocabular. Esse formalismo manifesta-se, ainda:

1) no culto das rimas ricas, raras a preciosas;

2) na métrica rigorosa, na predileção pelos versos alexandrinos (doze silabas) e decassílabos;

3) na preferência pelas formas fixas (sonetos, sextinas, baladas, etc. );

4) na freqüência dos enjambements (encadeamentos ou cavalgamentos) para quebrar a monotonia da rima.

• A poesia descritiva, plástica e visual, visando a apreender objetivamente o real, por meio de impressões

sensoriais nítidas, especialmente de imagens visuais brilhantes e coloridas ("cromatismos rutilantes").

• Temas prediletos: as cena de natureza ("Cavalgada", "Anoitecer'", "Velhas Arvores", "Plenilúnio"), as cenas

históricas e mitológicas ("O Incêndio de Roma", "O Triunfo de Afrodite"), os objetos de arte ("O Vaso Chines",

"O Leque", "A Estatua"), a beleza física da mulher e a poesia reflexivo-filosófica.

• Os neoparnasianos José Albano, Amadeu Amaral, Olegário Mariano, Gilka Machado e outros marcam a

sobrevivência de um parnasianismo já desvitalizado e anacrônico, mas ainda prestigioso.

SIMBOLISMO (1893-1902)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Na história social, os simbolistas brasileiros viveram o mesmo contexto elos narradores realistas e dos poetas

parnasianos: o período agudo das campanhas abolicionista e republicana. Enraizados na tendência estetizante, a

diferença entre parnasianos a decadentistas-simbolistas brasileiros é principalmente de grau: naqueles, o

culto da forma, nestes, a religião do verbo, mas ambos na mesma linha formalizante.

• No nível das intenções, opera-se a passagem da concentração no objeto (parnasiano) ao mergulho no

sujeito (simbolistas). Esse mergulho tomou três direções: a busca de transcendência (Cruz a Sousa), a poesia

litúrgica, mortuária e elegíaca (Alphonsus de Guimaraens) e o intimismo dos poetas crepusculares.

• O Simbolismo, no Brasil, não exerceu a função relevante que o distinguiu na literatura européia, onde exerceu o

papel antecipador das principais tendências do Modernismo: o Surrealismo francês, o Imagismo inglês, o

Expressionismo alemão, o Hermetismo italiano, etc.

• Aqui, as novas tendências foram sufocadas pelo Parnasianismo, de leitura mais fácil, mas dócil ao

regime, mais identificado com o gosto da elite “culta" dos salões literários, e mais prestigiado pelo poder

público e pela literatura oficial da Academia.

• O núcleo inicial do movimento centrou-se na Folha Popular (Rio de Janeiro, 1890-1891), em torno de Cruz a

Sousa, Emiliano Pemeta, Virglio Várzea. Nestor Vítor, entre outros. Daí, proliferou em outros grupos, dispersos por

Curitiba, São Paulo, Bahia, Belo Horizonte a Rio Grande do Sul.

CARACTERÍSTICAS LITERARIAS

• As vertentes simbolistas que mais atuaram no Brasil foram a baudelaireana (no poema em prosa, no satanismo

moderado, na forma lapidar de Cruz e Sousa) e a verlaineana (na musicalidade de Alphonsus). A musicalidade

áspera a dissonante de Mallarmé, sua sintaxe audaciosa, sua imagística insólita e sua fantasia humorística só

repercutiram em Pedro Kilkery, cuja surpreendente modernidade só recentemente vem tendo (re)conhecimento.

• Dadas as peculiaridades dos simbolistas brasileiros, resumimos algumas delas:

1) Cruz e Sousa - Poeta a um só tempo expressivo e construtivo. Parnasianismo residual (soneto, rimas ricas,

vocabulário). Potência verbal. "Emparedamento". Ânsia de transcendência. Obsessão pela brancura e pela

transparência.

2) Alphonsus de Guimaraens - Tendências neoromânticas (poeta monotemático - amor-e-medo). Misticismo.

Medievalismo. O "poeta lunar", "trovador enfermiço".

• A Musicalidade e o espiritualismo simbolistas foram retomados no Segundo Tempo Modernista por Cecília

Meireles, Vinícius de Morais (fase inicial), Augusto Frederico Schimidt. Também Manuel Bandeira a Ribeiro Couto

mostram ressonâncias simbolistas.

PRÉ-MODERNISMO, SINCRETISMO (1902-1922)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Coexistência do tradicionalismo agrário, representado pela oligarquia dominante, com os novos estratos

sociais urbanos: a burguesia industrial incipiente em São Paulo e Rio de Janeiro, os profissionais liberais, os

imigrantes, os operários e o subproletariado, além do Exército, que desde a Proclamação da República exerceu

papel político relevante.

• Desse quadro social emergem ideologias conflitantes: o tradicionalismo agrário e a inquietação dos centros

urbanos; o antimoderno e o moderno; o conservadorismo regressivo e saudosista; o liberalismo com traços

anarcóides; a classe média oscilante entre o puro ressentimento e o reformismo e, no limite, a atitude

revolucionária.

• A diversidade regional fez com que os movimentos da época exprimissem níveis de consciência muito distintos,

configurando, às vezes, tensões meramente locais:

1) no Nordeste, o fenômeno do cangaço, a Revolução de Canudos (BA, 1896-1897) e o fanatismo religioso

desencadeado em torno do Pe. Cícero (CE, 1911-1915);

2) no Sul, a revolta contra a vacina obrigatória (RJ, 1904), a Revolta da Chibata (RJ, 1910), as greves operárias

lideradas pelos imigrantes anarco-sindicalistas do Brás e da Mooca (SP, 1917) e a Guerra dos Posseiros do

Contestado (SC, 1912-1916).

• Acresça-se a esse quadro a Campanha Civilista e a ascensão e queda da borracha na Amazônia.

CARACTERISTICAS LITERÁRIAS

• Pré-modemismo foi o termo cunhado por Alceu de Amoroso Lima para designar um conjunto de autores em que

se observa um sincretismo de tendências conservadoras (Realismo, Naturalismo, Parnasianismo,

Simbolismo),com tendências renovadoras, que anteciparam a modernidade. Antimoderno x moderno, arcaísmo

rural x refinamento litorâneo.

• O aspecto conservador localiza-se na sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal que

marcou a Era Realista, e no código, na linguagem, que, com algumas poucas ousadias, continuou fiel aos

modelos finisseculares: Aluísio Azevedo, Eça de Queiróz, Machado de Assis, Flaubert. Émile Zola, Balzac, etc.

• O aspecto renovador. "moderno", está na atitude de denúncia, de documentação e de crítica às

instituições arcaicas da República Velha; na preocupação com a realidade nacional (o subdesenvolvimento e a

miséria do sertão do Nordeste - Euclides da Cunha -, a miséria do "jeca-tatu" do Vale do Paraíba - Monteiro Lobato

-, os subúrbios cariocas e os "pingentes" da Central do Brasil - Lima Barreto -, a imigração alemã Graça Aranha);

além do regionalismo vigoroso e crítico, que será retomado e aprofundado no Segundo Tempo Modernista

(1930-1945).

PRIMEIRO TEMPO MODERNISTA, FASE HERÓICA (1922-1930)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Declínio de oligarquia, pressionada pela burguesia industrial, pela classe media e pelo proletariado. Hegemonia

de São Paulo, combinando os capitais oriundos do café e da indústria.

• 1922, ano da Semana de Arte Moderna, marca também o início do Tenentismo, com a Revolta dos 18 do

Forte de Copacabana e seus desdobramentos - a Insurreição de Isidoro Dias Lopes (1924) e a Coluna Prestes

(1925-1927) -, e a fundação do Partido Comunista Brasileiro. Esses fatos exprimiam a modernização política do

país, contrapondo-se ao anacronismo das instituições oligárquicas. O agravamento desse anacronismo, devido ao

crack da Bolsa de Nova York (1929) e à conseqüente queda do café, vai inlpulsionar a Revolução de 1930, a

deposição de Washington Luís e a superação da política do "café-com-leite".

• A divulgação das propostas da Geração de 1922 deu-se por meio de algumas revistas que, a partir de Klaxon

(São pauto, 1922/23), foram se espalhando pelo país: Estética (Rio de Janeiro), A Revista e Verde (Minas Gerais).

Essas revistas foram ampliando o leque de autores e tendências do Primeiro Tempo Modernista.

I - Antecedentes da Semana de 1922

* 1911/12 - Fundação do jornal humorístico O Pirralho, marcado pela irreverência de Emílio de Meneses, Juó

Bananere e Oswald de Andrade (que inicia, em 1912, a divulgação do Futurismo e do verso livre).

• 1913 - Exposição de Lasar Segall, mostrando quadros não-acadêmicos.

• 1917 - Estréias de vários modernistas: Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Guilherme de

Almeida, Cassiano Ricardo, além da composição do balé Amazonas, de Villa-Lobos. São muito frágeis, ainda, as

manifestações de modernidade. A exposição de Anita Malfatti e a indignada reação antimodernista de Monteiro

Lobato, no artigo Paranóia ou Mistificação? O affaire Malfatti x Lobato foi o estopim que desencadeou a

aglutinação dos modernistas.

• 1918/1921 - O "descobrimento" do escultor Victor Brecheret. A publicação de Carnaval, de Manuel Bandeira, já

em versos livres. A exposição de Di Cavalcanti, em São Paulo. A publicação de Mestres do Passado, artigo de

Mário de Andrade, submetendo a rigoroso crivo crítico os poetas parnasianos.

lI - A semana de 1922

• Teatro Municipal de São Paulo, de 11 a 18 de fevereiro. Patrocinada pela alta burguesia paulistana (os Prados,

os Penteados e os Almeidas) e divulgado pelo Correio Paulistano, orgão do P.R.P. Dos três festivais realizados

nos dias 13, 15 a 17, participaram: Graça Aranha (A Emoção Estética da Arte Moderna - conferência de abertura),

Guilherme & Almeida, Ronald de Carvalho (que declamou Os Sapos, ele Manuel Bandeira), Ernâni Braga, Villa-

Lobos, Guiomar Novaes (dissidente), Mário ele Andrade, Menotti del Picchia, Renato de Almeida. No saguão do

teatro, montou-se uma exposição de pintura, escultura e arquitetura.

CARACTERÍSTICAS LITERARIAS

• Três princípios nortearam a "Fase Heróica" do Modernismo (1922-1930):

1) direito a pesquisa estética;

2) atualização da inteligência artística brasileira;

3) estabilização de uma consciência criadora nacional.

• Rejeição das normas estéticas consagradas, antiacademicismo, antitradicionalismo, fase de demolição -

Irreverência, sarcasmo, o poema-piada e os textos-programas (Os sapos e Poética, de Bandeira; Ode ao Burguês,

Prefácio Interessantíssimo, Enfibraturas do Ipiranga e A Escrava que Não É Isaura, de Mário de Andrade;

Manifesto da Poesia Pau-Brasil e Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade.

• Linguagem de prevalência inventiva - Paródia, ironia, corrosão do sentido literal do texto. Rupturas sintéticas, a

poesia e prosa "telegráficas", a escrita automática, a técnica da colagem, a polifonia, o estilo elíptico e alusivo, e as

metáforas insólitas e a "invenção" de novos termos: "arlequinal" "sonambulando", "bocejal", "choverando". A

incorporação do falar coloquial, a ruptura dos limites entre a prosa e a poesia, a poesia prosaica e a prova poética.

Eleição do moderno como um valor em si mesmo, busca de originalidade a qualquer preço.

• Nacionalismo (da direita à esquerda) – Busca das "raízes de nacionalidade", valorização do índio, do folclore.

Literatura alegre e vital: carnavalização, dessacralização dos heróis e artistas do passado.

CORRENTES DA FASE HERÓICA

I - Verde-Amarelismo (1924), Anta (1929) e Bandeira (1936)

Configuram o nacionalismo xenófobo e estreito, que desaguou no integralismo. Visão ufanista, exaltação da terra e

do homem. Os manifestos dessas correntes foram Curupira e o Cardo e Nhangaçu Verde-Amarelo. A elas

relacionaram-se Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Plínio Salgado, Guilherme de Almeida e Cândido Mota

Filho.

II - Pau-Brasil (1924) e Antropofagia (1929) Representam a corrente primitivista, que propõe a valorização da

inocência dionisíaca dos primitivos, a liberação do instinto, a "devoração ritual dos valores europeus, a fim de

superar a civilização patriarcal a capitalista". "Tupi or not tupi that is the question". "A alegria é a prova dos nove",

"A alegria da ignorância que descobre". Oswald de Andrade (a realidade criadora e anárquica que catalisou a

tendência), TarsiIa do Amaral, Mário de Andrade, além de Antônio de Alcântara Machado, Raul Bopp, Carlos

Drummond de Andrade e Murilo Mendes (os dois últimos pertencentes ao Segundo Tempo Modernista) foram,

com intensidade variável, arrastados per esse esboço de uma filosofia de cultura brasileira, cujos desdobramentos

ecoaram no Tropicalismo (Caetano, Gil, Glauber, Duprat, Sganzerla e Torquato Neto) e na vanguarda concretista

(os irmãos Campos a Décio Pignatari).

III - Corrente Dinamista

Inspirada no Futurismo, no culto a velocidade, a técnica, ao "objetivismo dinâmico". Graça Aranha, Ronald de

Carvalho e Guilherme de Almeida configuram essa tendência, que não se materializou em programa ou manifesto.

Obs.: Há autores que pertenceram simultânea ou sucessivamente a duas ou mais correntes e há os que, como

Manuel Bandeira, não se filiaram a nenhuma delas.

SEGUNDO TEMPO MODERNISTA, CONSOLIDAÇÃO (1930-1945)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

• Crise econômica, como reflexo do crack de Bolsa de Valores de Nova York.

• A Revolução de 1930, desdobrada na Era Vargas, acabou por frustrar as esperanças dos segmentos sociais que

ficaram marginalizados.

• Radicalização política: direita (Fascismo, Nazismo, Integralismo), esquerda (Comunismo). A Revolução

Constitucionalista (1932), a Constituição (1934), a Intentona Comunista (1935), o Estado Novo, a Ditadura Vargas

(1937), a Segunda Grande Guerra (1939).

• A agitação política interna e externa, aliada ao autoritarismo da ditadura, levou ao engajamento de autores

expressivos na resistência ao Estado Novo. Graciliano Ramos, Jorge Amado e Rachel de Queiroz militaram no

Partido Comunista. Drummond compôs, nesse período, a parcela mais "participante" de sua poesia: Sentimento do

Mundo e Rosa do Povo.

• A radicalização do autoritarismo em 1937 (D.I.P. - censura prévia na Imprensa, a pena de morte para os crimes

de "subversão" etc.) acabou por "empurrar" a intelectualidade para a esquerda. Em 1945, com a queda da

ditadura, vários escritores irão assumir posição bem mais moderada, percorrendo o caminho inverso - da esquerda

para o centro, ou para a direita.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

• Modernismo "moderado", Consolidação de algumas conquistas da "Fase Heróica" (1922-1930). Recuo quanto

às propostas mais radicais do período precedente, em especial quanto ao experimentalismo mais ousado de

Oswald ele Andrade. Retomada de algumas tendências do passado: o Neo-Simbolismo (Cecília Meireles); o

soneto camoniano (Vinícius); o Realismo e o Naturalismo, realimentados pelo vigor modernista (Graciliano, José

Lins do Rego), além de outras vertentes da tradição luso-brasileira.

• Predomínio de um "projeto ideológico" sobre o projeto estético. Desejo de denunciar a realidade social a

espiritual do país. Ampliação temática. Caminho para o universal, superação do nacionalismo primitivista verde

amarelista. Equilíbrio no uso do material lingüístico, em termos de normas de linguagem.

I - A Poesia

• Desdobramento das obras dos poetas da Geração de 1922 - Mário, Oswald e Bandeira continuaram

produzindo até 1945, 1954 a 1960 respectivamente. Mário e Bandeira perderam, a partir de 1930, muito da

radicalidade demolidora da "Fase Heróica".

• Poesia de tensão ideológica na vertente social da obra de Carlos Drummond de Andrade.

• Corrente espiritualista de preocupação religiosa e filosófica, centrada no grupo da revista Festa (Cecília

Meireles, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Augusto Frederico Schimidt e Tasso da Silveira).

II - A Prosa

• Romance regionalista nordestino (Neonaturalismo-regionalista) - José Américo de Almeida, José Lins do

Rego, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz e Jorge Amado.

• Romance psicológico ou intimista - Érico Veríssimo, Cornélio Pena, Ciro dos Anjos, Dyonélio Machado, Lúcio

Cardoso, Otávio de Faria, Marques Rebelo e José Geraldo Vieira.

TERCEIRO TEMPO MODERNISTA (1945...)

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

- O ano de 1945 constitui o marco inicial do Terceiro Tempo Modernista. No plano nacional. realiza-se o Primeiro

Congresso Brasileiro de Escritores, marcado pelo repúdio à ditadura, ao Estado Novo, que irá cair no mesmo ano,

retornando o país à normalidade democrática; no plano externo, encerra-se a Segunda Grande Guerra.

• A periodização da Literatura Brasileira pós 45 é ainda muito precária, pois a fixação ele períodos implica

unia perspectiva histórica, um certo distanciamento temporal. Como se trata de uma literatura que ainda está se

desdobrando, com autores ainda vivos e em plena atividade, qualquer tentativa de sistematização rígida e

provisória e corre o risco de ser precipitada.

• Reconhecem-se, contudo, algumas tendências, fases ou grupamentos.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

I - A Prosa de Ficção após 1945

• A permanência realista do testemunho humano, privilegiando o aspecto social, aproximando-se do

Neonaturalismo americano a do Neo-Realismo italiano.

• A atração pelo transreal, o realismo mágico, o realismo fantástico: a exploração do insólito, do absurdo, o homem

projetado no mundo místico da arte.

• O experimentalismo, a pesquisa de linguagem, a reinvenção do código lingüístico, o romance e o conto

instrumentalistas: preocupação com a construção dos trabalhos, com o "instrumento da palavra", a linguagem

como elemento que "cria o real", instaura-o, plasma-o.

II - A Poesia de Geração 45

• A Geração de 45 centrou-se na reação contra o "desleixo" e o "à-vontade" dos modernistas de 22. propondo

a retomada do rigor formal parnasiano, da preocupação estilística, volta à rima, a métrica e ao soneto tradicionais.

• Os poetas da Geração ele 45 utilizam-se de um vocabulário erudito e propõem o sublime, o ideal e o universal,

abandonando as preferências pelo prosaico, pelo concreto, pelo nacional, que marcaram o Modernismo de 1922 a

de 1930.

• Bueno de Rivera, Fernando Ferreira de Loanda. Ledo Ivo, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Domingos Carvalho

da Silva e Geir Campos são os nomes representativos da Geração 45, que teve sua maior coesão na revista

Orfeu, dirigida por Fernando Ferreira de Loanda, que também organizou o "Panorama da Nova Poesia Brasileira”

(Orfeu, Rio de Janeiro, 1951), primeira mostra sistemática dessa poesia.

III - O Concretismo

• Agrupou-se em torno da revista-livro Noigandres, trabalho conjunto dos poetas-críticos Haroldo de Campos,

Augusto de Campos e Décio Pignatari, que organizaram, em 1956, a primeira mostra de poemas-cartazes, com a

Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte de São Paulo.

• Opõe-se ao subjetivismo formalista o ao ideário classicizante de Geração 45, retomando as experiências

mais radicais do Modernismo de 22, especialmente as de Oswald de Andrade. Conectado com o status

tecnológico e com os rocios de comunicação de massa, incorpora recursos que abrem múltiplas possibilidades de

construção e leitura.

• Preconiza a substituição de estrutura ele frase, peculiar ao verbo, por estruturas nominais, que se relacionam,

especialmente, no eixo horizontal e no vertical. Substitui a sintaxe verbal pela sintaxe "analógico-visual",

explorando o aspecto "verbivocovisual" do material signifïcante. Vale-se desses procedimentos: ideogramas,

trocadilhos, polissemia, nonsense, atomização, Justaposição e redistribuição das partes do discurso, desintegração

do sintagma nos seus morfemas, separação dos prefixos, sufixos e radicais, ,jogos sonoros, abolição do

verso, não-linearidade, uso construtivo dos espaços em branco, ausência de sinais ele pontuação, sintaxe gráfica,

etc.

• Polêmico e atuante, o Concretismo procedeu à revista do nosso passado literário, (re)colocando em

circulação autores injustamente esquecidos como Sousândrade, Kilkery e Patrícia Galvão. Incorporou-se a

linguagem e visualidade cotidianos, influenciando o texto de propaganda, a diagramação, a paginação e a titulação

de livros e jornais, e as letras de música popular (Caetano, Gilberto Gil).

IV - Desdobramentos e Dissidências do Concretismo

• Neoconcretismo - propõe o direcionamento da experiência concretista para a poesia participante, engajada

ideologicamente na luta contra a opressão e a injustiça social. O grupo neoconcreto foi liderado por Ferreira Gullar,

autor de Luta Corporal e Poema Sujo.

• A Poesia Práxis - Foi, de início, uma ruptura polêmica com o grupo concretista, retomando o engajamento

histórico e a linguagem verbal, a palavra. Articulou-se em torno de Mário Chamie, autor de Lavra-Lavra (1962), e

contou com a adesão de Cassiano Ricardo, remanescente do Primeiro Tempo Modernista. Propondo experiências

distintas das do Concretismo, Mário Charnie proclama, na Instauração Práxis, que o poema práxis se organiza

segundo três circunstâncias ativas:

1) o ato de compor (espaço em preto, mobilidade intercomunicante, suporte interno de significados);

2) a área de levantamento da composição (realidade extratextual, escolhida para problematização em nível

estético-textual, após levantamento e convívio direto com os problemas da área);

3) o ato de consumir (dentro da noção de "obra aberta", cada leitor transforma-se em co-autor).

• O Poema-Processo - Voltado para a área dos signos visuais plásticos, opera por meio da colagem, pintura,

desenho, fotografia, dispensando a palavra. Surgiu em 1967, em torno dos nomes de Vladimir Dias Pino, Moacyr

Cime, Álvaro de Sá e Sebastião de Carvalho.

V - A poesia Marginal dos Anos 70

Exprimiu-se por inúmeros grupos e movimentos inquietos e heterogêneos, que tinham em comum a resistência à

censura à repressão, agravada após o AI-5 (1968); as formas alternativas de divulgação de seus versos-palavrasimagens,

em folhetos, jornais, revistas, manuscritos, happenings , comícios políticos, etc.; e a postura anárquica e

vitalista. Citamos alguns nomes: Alex Polari, Ana Cristina César, Paulo Leminsk, Cacaso, Waly Salomão, Roberto

Piva, Sérgio Gama, Chacal, Torquato Neto, Francisco Alvin e Lúcia Vilares.

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EXERCÍCIOS

1. "A agricultura consiste em uma importante atividade econômica que, para desenvolver-se, necessita de mãode-

obra humana para arar, adubar e plantar as espécies.”

Assinale a alternativa que não diz respeito aos condicionantes da agricultura.

a) Condições climáticas.

b) Variedade de solos.

c) Superfície terrestre.

d) Qualificação da mão-de-obra.

e) Produção agrícola.

2. São problemas da agricultura brasileira, exceto:

a) deficiente estrutura de depósitos e armazenamentos.

b) grande aproveitamento do espaço agrícola.

c) baixa produtividade agrícola.

d) perda de parte da safra, desde a colheita até o consumo final.

e) grande concentração de terras.

3. A Reforma Agrária visa, preferencialmente, a

a) tirar a terra de quem tem e dar para quem nada possui.

b) beneficiar todos os necessitados que estão passando fome nas cidades.

c) aproveitara mão-de-obra ociosa nas pequenas propriedades em terras improdutivas das grandes propriedades.

d) atender todas as manifestações do Movimento dos Sem-Terra.

e) confiscar a terra dos ricos e distribuir aos pobres.

4. Em relação à estrutura fundiária, marque a alternativa correta.

a) Em número de estabelecimentos agrícolas, predominam as grandes propriedades.

b) Em área ou extensão de terras, predominam as pequenas propriedades.

c) As propriedades até 100 hectares (minifúndios e pequenas propriedades) representam mais de 50% de todos os

estabelecimentos agrícolas.

d) No minifúndio, há terra ociosa.

e) No latifúndio, há mão-de-obra sobrando.

5. Sobre os sistemas agrícolas de produção, assinale a alternativa incorreta que não representa uma das

características do sistema intensivo.

a) Uso permanente do solo.

b) Uso de fertilizantes.

c) Mecanização.

d) Baixo rendimento.

e) Seleção de espécies.

6. Sobre as características do sistema de plantation, marque a alternativa correta.

a) Desmatamento e queimadas.

b) Rotação de solo.

c) Pequeno rendimento.

d) Terra escassa.

e) Monocultura.

7. A área geográfica do Nordeste brasileiro abrange 18% da superfície do país. A primeira atividade econômica

introduzida na região, no início da colonização, e que vem sendo praticada até hoje é:

a) café.

b) cacau.

c) borracha

d) soja.

e) cana-de-açúcar.

8. A Região fisiográfica de transição entre a Zona da Mata e o Sertão, denomina-se

a) litoral.

b) meio-norte.

c) agreste.

d) pré-Amazônia.

e) recôncavo baiano.

9. O êxodo rural contribuiu muito para o processo migratório brasileiro e mundial. O êxodo rural corresponde ao

movimento de saída.

a) do meio urbano para o meio rural.

b) do meio urbano para outro meio urbano.

c) do meio rural para o meio urbano.

d) do campo para outra área rural.

e) de um país para outro país.

10. A migração feita diariamente da periferia de uma grande cidade para o centro, em função do trabalho,

denomina-se

a) pendular.

b) transumância.

c) sazonal.

d) definitiva.

e) êxodo rural.

11. Um dos fatores que contribuíram para o povoamento e ocupação do Centro-Oeste, foi

a) a construção de rodovias interligando a região as demais áreas do país.

b) a transferência da capital brasileira para a faixa litorânea.

c) a criação do Estado do Tocantins, que pertence ao Centro-Oeste.

d) a construção de grandes ferrovias cortando toda a região do cerrado.

e) a implantação do ecoturismo na região do Pantanal.

12. A economia do Centro-Oeste brasileiro está baseada

a) nas atividades de transformação de matéria-prima.

b) na agropecuária extensiva.

c) no setor terciário (serviços).

d) na indústria de base (pesada).

e) na indústria de bens de consumo.

13. A Amazônia Legal corresponde a uma área

a) igual a soma das áreas das Unidades Federativas que compõem a Região Norte.

b) menor que a Região Norte.

c) superiora 50% da área total do Brasil.

c) que além de incluir os estados da Região Norte inclui também os estados do Nordeste.

e) brasileira e de todos os países vizinhos ao nosso país.

14. Assinale a alternativa incorreta sobre um dos aspectos humanos da Região Norte.

a) É a mais densamente povoada do Brasil.

b) Possui a maior população absoluta entre as demais regiões do país.

c) Apresenta a menor taxa de crescimento anual de sua população.

d) A maior parte da sua população vive no campo ou no meio rural.

e) Sua população cresce num ritmo superior às demais regiões do país.

15. Sobre a economia da Amazônia brasileira, podemos afirmar que

a) é basicamente primária.

b) é primordialmente secundária.

c) é principalmente terciária.

d) não possui qualquer tipo de indústria.

e) a agricultura é a principal atividade econômica da região.

16. Um dos fatores que vêm contribuindo para o crescimento da população da Amazônia, acima da média

brasileira, é

a) a falta de moradia nas demais regiões brasileiras.

b) a carência de mão-de-obra no Sudeste do Brasil.

c) os elevados salários pagos na Região Norte.

d) a maior disponibilidade de terras na Amazônia.

e) os incentivos e a garantia de emprego para todos que para lá se dirigem.

17. O Mundo inteiro preocupa-se com a nossa Amazônia, talvez pela grande riqueza que ela encerra ou quem

sabe pelas contribuições que ela vem proporcionando para poluição atmosférica através de(a):

a) queima de combustíveis fósseis.

b) incineração de resíduos sólidos.

c) liberação de partículas industriais.

d) queimadas executadas nas florestas.

c) pesquisas realizadas na floresta.

18.(PMDF/2001) Instituído por lei federal, o DF possui importantes particularidades, tanto jurídicas quanto

geográficas, em relação aos estados brasileiros, para a organização de seu território. A respeito dessa

organização, julgue os itens abaixo.

a) O DF poderá ser organizado em municípios, subdivisões políticas de cidades-satélites.

b) A Região Administrativa de Brasília, além de ser capital federal, é, também a capital do DF.

c) A Região Integrada do DF e Entorno (RIDE) compõe uma região metropolitana com características

heterogêneas quanto a crescimento demográfico, índice de oferta de empregos e população economicamente

ativa.

d) A consolidação de Brasília como centro político-administrativo do país ocorreu a partir de 1980, devido à

expansão de sua base econômica secundária e primária.

e) O DF, regido por lei orgânica, não pode legislar acerca de parcelamento do solo, o que tem agravado o

surgimento de invasões e loteamentos irregulares no Plano Piloto.

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GABARITO

1. e

2. b

3. c

4. c

5. d

6. e

7. e

8. c

9. c

10. a

11. a

12. b

13. c

14. a

15. a

16. d

17. d

18. F, F, V, F, F